<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093</id><updated>2012-01-25T15:51:09.151-08:00</updated><category term='gostoso'/><category term='diversão gástrica'/><category term='tédio'/><category term='suicídio'/><category term='amor irreversível'/><category term='primavera abacate francesismos posar'/><category term='solidão'/><category term='cores que pediram a conta do analista'/><category term='meu amor é um tigre de papel'/><category term='outubrino'/><category term='orgulho-dezessete'/><category term='suruba'/><category term='ignóbil'/><category term='cloaca'/><category term='veneno'/><category term='dado'/><category term='domingos na vida'/><category term='que poeira leve...'/><category term='esgoto'/><category term='senhoras sentadas em estrelas'/><category term='amores primaveris desgastados'/><category term='outono em mim'/><category term='impermeável'/><category term='inverno-anomalia'/><title type='text'>H.N.</title><subtitle type='html'>'história, jazz e um pouquinho assim
de sorte;
Ué.. é um blogue, não 'tá vendo?</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>199</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4237861851611624746</id><published>2011-12-24T15:35:00.000-08:00</published><updated>2011-12-24T15:39:21.050-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'>não-respostas para guardar um recado gostoso de algo que ninguém-ninguém</title><content type='html'>Andar de bicicleta na areia fez &lt;b&gt;Between the cheats&lt;/b&gt; fazer algum sentido. Hoje, tomando alguns sorvetes - compilados, espremidos - ouvindo &lt;b&gt;Valerie&lt;/b&gt;, pensei na bênção de &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt; classe média. Então subi na &lt;i&gt;bike&lt;/i&gt; ouvindo &lt;b&gt;The girl from Ipanema&lt;/b&gt;. Esse álbum póstumo da Amy me deixou muito... &lt;i&gt;Amy feelings&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt; E agora, ouvindo Mr. Magic, música que conheci com a Amy, na versão de Grover Washington Jr., cervejado - uma (apenas) &lt;i&gt;sub-zero&lt;/i&gt; - me sinto apto a inaptamente ex-crê-ver. Tive um ano (in)(im)produtivo em textos blogados. Não sei, acho que nem uma retro'spec'tiva faria muito sentido, não sei se eu escrevi o &lt;i&gt;bruto&lt;/i&gt; assim - comum - para uma. O quanti., querido, não é tão - assim, como vou dizer - (im)(por)tant'e, talvez faça a retrospectiva, o &lt;i&gt;bruto&lt;/i&gt; deve estar em São Paulo (santo/a HD externa/o).&lt;br /&gt; Meus amigos são uma coisa tanta.&lt;br /&gt; Minhas músicas - ouvido/as - outra.&lt;br /&gt; Estar a seiscentos quilômetros - imaginados - de distância me faz pens'ativo. Penso, penso, sinto. Me faz, sobretudo, pensitivo. Tenho pensado no sul-cesso. Muito. Aqui em Pontal - especial.&lt;br /&gt; Ca(d)(rr)eiras a(cadê)micas e (ar)tís(t)icas.&lt;br /&gt; Pessoas sobre-tudo. Estou um &lt;i&gt;carente social&lt;/i&gt;. Voltei ao normal! É, como &lt;i&gt;conhecer pessoas&lt;/i&gt; fosse aquilo que me mantém energizado. Imaginar que eu conheço, conhecer de fato, 'seudo-conhecer. Preciso que as pessoas (não!) (sim!) me amem, ouçam, apreciem, leiam... Elas (não) fazem! Ser &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; é gostoso, o (re)conhecimento lindo!&lt;br /&gt; Tá bem assim, como se tivesse dado certo (...); pois é! Como como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;noite de na(da)tal, Pon-tal do Paraná, 24122011d.C.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4237861851611624746?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4237861851611624746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4237861851611624746&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4237861851611624746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4237861851611624746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/12/nao-respostas-para-guardar-um-recado.html' title='não-respostas para guardar um recado gostoso de algo que ninguém-ninguém'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-6163594540019298289</id><published>2011-11-07T06:44:00.001-08:00</published><updated>2011-11-07T07:00:35.828-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que poeira leve...'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Momentos de crise são por excelência o lócus -tradicionalmente endossado- da minha produção criativa catalisada. Por momentos de crise leia-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;uma espécie de explosão que acontece no meu cérebro que balança ou transforma minhas estruturas concretas e "racionalizadas" de atuar (bricoleurmente)&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Ficar muitas horas sem dormir é um "agravante"; eu fico pensando, pensando, pensando, pensando e é uma coisa -como se diz- do capeta -que, por excelência é o artesão de pensamento ruim.&lt;br /&gt;O fato é que as horas se passaram e os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fatos recentes&lt;/span&gt; se repetem, como se o meu dia -que está durando vinte horas- estrategicamente situasse cada cena como uma pauta a ser discutida. Então, desde o dinheiro, a música, a carreira, a maconha, a corpolatria, o sexo, o amor, os estudos, a política, a polícia militar, a faculdade, minha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vida social&lt;/span&gt;, aparecem todos estes tópicos em cenas que isoladas parecem ser metáforas que criaram vida e agora ajudam este administrador de vícios a dar um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;help&lt;/span&gt; no traçado cujo fim é a morte -ou parece ser.&lt;br /&gt;O golpe mais baixo veio a vinte minutos atrás -antes de eu subir para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;laboratório multimídia&lt;/span&gt; da minha faculdade, chamado Pró-Aluno, apelidade Pobre Aluno-; estava lendo o tristíssimo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Precarious Life&lt;/span&gt;, da Judith Butler, entendendo 10% porque meu Inglês é fraco; triste porque eu concilio o pouco que entendo com o tom da língua da autora, que é emotivíssimo, e o meu ex-namorado, que é sobretudo um amigo, mais do que ex-namorado, apareceu com um homem belíssimo ao seu lado, e parece que aquele era o momento mais feliz da vida dos dois... E foi instantâneo e aleatório, como eu sempre sonho -ou costumava sonhar com mais frequência-, isto é, foi como eu vi a cena, algo que impediu algumas noites e que as transformou em textos quase amargos, ali, na minha frente, e não era eu; não tinha nada a ver com o Rafael, era algo como um flerte que você fica olhando pro cara e seu coração bate muito, então você vai lá e conversa, e você tá super nervoso mas dissimula, daí você percebe que ele está suando muito, e você pensa NÃO PODE SER POSSÍVEL, você acaba de constatar que é a pessoa mais feliz do mundo... Agora, quando isso acontece na sua frente, você está na minha situação, e não é você um dos dois -supondo-se que são dois- protagonistas, você sente o peso, larga sua leitura tristíssima -que até onde eu li tratava da dor da perda (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;loss&lt;/span&gt;) de alguém com quem você tem um laço (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tie&lt;/span&gt;)- e vem chorar ao teclado, olhando desolado para a tela... E o pior, você ainda não tem sono.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-6163594540019298289?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/6163594540019298289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=6163594540019298289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6163594540019298289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6163594540019298289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/11/momentos-de-crise-sao-por-excelencia-o.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-1021647199235181522</id><published>2011-08-14T22:04:00.000-07:00</published><updated>2011-08-14T22:06:55.713-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gostoso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><title type='text'>Peito de Peru: Análise Clínica na Madrugada</title><content type='html'>Acordei de madrugada com uma mensagem de texto do homem. Acho que, se merece algum epíteto, o ideal é este: &lt;i&gt;o homem&lt;/i&gt;. Estou algo dentro de mim que não se parece muito com fome. Não sei se devo ir à cozinha e fazer o meu diário pão com queijo e peito de peru. Nunca é só isso, tem que ter &lt;i&gt;cream cheese&lt;/i&gt; ou manteiga também. Não sei se deveria confessá-lo, mas às vezes me dá de misturar os dois. Sei lá. Não sei se é fome, pode ser vontade, como a vontade que eu tenho de me misturar ao homem, levantar às duas da manhã -como agora- e fazer uma boquinha (se me faço entender). Sentir o sabor do peito, do peru, me lambuzar em &lt;i&gt;cream cheese&lt;/i&gt;. Como agora. Deve ser sobretudo vontade. Assim como uma fome do homem. Como eu viveria sem a psicologia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-1021647199235181522?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/1021647199235181522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=1021647199235181522&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1021647199235181522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1021647199235181522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/08/peito-de-peru-analise-clinica-na.html' title='Peito de Peru: Análise Clínica na Madrugada'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7630120149779647815</id><published>2011-08-01T12:29:00.000-07:00</published><updated>2011-08-01T12:39:01.344-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu amor é um tigre de papel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><title type='text'>st (Meu amor é um tigre de papel)</title><content type='html'>Ele estava lá, dançando, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;contido&lt;/span&gt;. E eu, eu era uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;verdadeira&lt;/span&gt; mulher, balançando descoordenadamente os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;meus&lt;/span&gt; ombros (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;dos quais quadris&lt;/span&gt;, nessa complexa rede que são as minhas articulações, não dissociam) na tentativa relativamente ingênua -como qualquer tentativa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobrelitosa&lt;/span&gt;- de provar a algo-alguém que sofro-não-sofro. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ou melhor&lt;/span&gt;, não de forma descoordenada, mas formalmente coordenada tal como tigre de papel (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;meu&lt;/span&gt;) dançante -dança um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;funk&lt;/span&gt; estadunidense.&lt;br /&gt;Mas não tão-contido, como um heterossexual que expõe &lt;span style="font-style: italic;"&gt;todo&lt;/span&gt; o seu brilho secreto após algumas pingas, cervejas. Rajadas, são seus olhos verdes que me faíscam. Esqueço. Fico funkeando livre, leve, solta, bebida, até o homem me abraçar. Com apenas um braço me envolve em todo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;seu&lt;/span&gt; universo. Eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Escrevi durante a primeira aula de Sociologia do semestre. Tigre de papel é uma referência lambida primeiro de Jards Macalé.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu Amor É Um Tigre De Papel/Range, Ruge, Morde&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas Não Passa De Um Tigre De Papel/Numa Sala Ausente Meu Amor Presente/Me Esconde Entre Os Dentes/Depois Me Abandona E Vai Definitivamente/Definitivamente Volta Ilude Desilude/Range Ruge Rosna/Velho Tigre De Virtudes/Nas Selvas De Seu Quarto Entre Florestas Cartas/Frases Desesperadas Lençóis/Onde Me Ama/Furiosas Garras/Meu Amor Me Agarra &amp;amp; Geme &amp;amp; Treme &amp;amp; Chora &amp;amp; Mata/Um Tigre De Papel Perdido Nos Lençóis Da Casa&lt;/span&gt;"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7630120149779647815?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7630120149779647815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7630120149779647815&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7630120149779647815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7630120149779647815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/08/st-meu-amor-e-um-tigre-de-papel.html' title='st (Meu amor é um tigre de papel)'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-5524443303646412181</id><published>2011-05-23T12:04:00.000-07:00</published><updated>2011-05-23T12:09:01.850-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dado'/><title type='text'>Volta às antigas: Arnaldo Baptista e afins.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazia tempo que eu não ouvia o Arnaldo Baptista.&lt;br /&gt;Fazia tempo também que eu não postava no Hello Niti.&lt;br /&gt;Esse texto soará então como uma volta aos velhos tempos. Ou não.&lt;br /&gt;O Arnaldo Baptista é um desses, que eu nunca vou ver o show mesmo. Eu nunca cantarei com mais mil pessoas &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Desculpe&lt;/span&gt;, em um grande e interminável abraço. Também jamais cantarei &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Stranded In Time&lt;/span&gt; porque a legião de fãs de United States Of America deve ser, no Brasil, equivalente ao número de membros da banda (ou inferior, o que impossibilitaria mesmo uma tentativa de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cover&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;Tem algo nessa nova legião de emepebes que me desanima. Tudo me soa muito simplório. Não que eu resista necessariamente a isso, apenas vejo algo de sintomático. Comparando duas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chansongs&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Navegar de Novo&lt;/span&gt; do Arnaldo Baptista e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Chá Verde&lt;/span&gt; de Tiê; percebo na primeira uma espécie de tentativa de englobar um sentimento específico em uma verborragia sufocante pelo fato da situação política pela qual passava o Brasil -e mesmo a camada artística &lt;span style="font-style: italic;"&gt;underground&lt;/span&gt;- na época; percebo na segunda exatamente o movimento inverso, uma tentativa de simplificar no limite máximo da linguagem um sentimento específico e canalizado na narrativa por detalhes da experiência individual. Melhor dizendo, "já faz muito tempo agora que a humanidade chora de vontade de sair" &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; "o saldo final de tudo foi mais positivo que mil divãs".&lt;br /&gt;Certamente o projeto de Arnaldo Baptista em 1974, melhor apreendido tendo em vista o momento conturbado pelo qual passava -&lt;span style="font-style: italic;"&gt;será que eu vou virar bolor?&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?&lt;/span&gt;-, antes pretendia virar o intimismo do avesso (herança tropicalista?); vejo em Tiê -e em toda essa cena paulistana de cantores afrancesados, músicos interessados em explorar uma infinitude de linhas melódicas em apenas dois acordes, brancos e vestidos por grifes famosas entre os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alternativos&lt;/span&gt;, algo que na Eroslândia não pode jamais ser confundido com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;underground&lt;/span&gt;- exatamente uma retomada espiritual do projeto bossanovista, uma negação da gritaiada. A gritaiada aparece depois de Elis Regina esparsamente, às vezes travestida de influências estrangeiras (Cássia Eller, Cazuza) e às vezes simplesmente tendo como natureza total essa imitação (como em grande parte dos cantores &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pop&lt;/span&gt; brasileiros).&lt;br /&gt;O incrível é a generalidade desse movimento dentro do repertório dos próprios artistas (o caso da Gal Costa é exemplar). Poder-se-ia dizer o mesmo a respeito do nosso caro Arnaldo Baptista, mas sabemos que a sua queda no astral não tem a ver com disposições da vida artística &lt;span style="font-style: italic;"&gt;underground&lt;/span&gt; (cena Pompeia etc.) no eixo sul-sudeste, e sim com as consequências de seu uso abusivo de drogas.&lt;br /&gt;E talvez esse seja um segundo ponto nitidamente distinguível entre as duas cenas: a coisa do politicamente correto, rejeitada entre a turma underground na década de 70s é, por oposição, endossada por essa turma paulistana (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;hippies versus yuppies&lt;/span&gt;?). No caso da Tiê, há um grande apelo a valores... moralistas. O amor, que aparece livre de qualquer barreira na fase progressiva dos Mutantes é, na sua forma mais conhecida e tradicional, resgatado. "Eu sou, você é também, uma pessoa só, e todos juntos somos nós, numa pessoa só, estou aqui reunido numa pessoa só" &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; "mas o que eu quero mesmo é encontrar alguém que me dê carinho e beijos, e me trate como um neném, me trate muito bem, eu só quero amor, seja como for o amor". Curiosamente, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma pessoa só&lt;/span&gt; foi gravada pela primeira vez em 1973 (posteriormente pelo próprio Arnaldo Baptista em 1974), e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Chá Verde&lt;/span&gt; lançada em 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim não quero soar como aqueles nostálgicos fake, tampouco como apologético do estilo-de-vida &lt;span style="font-style: italic;"&gt;brasilidade paulistana&lt;/span&gt; (sobre o qual falo em algum lugar deste blogue); ainda assim não quero prescrever modos ideais do produzir artístico. Quero antes suscitar o debate entre a produção. As variável técnica-criatividade foi pouco discutida aqui (exemplos como Itiberê Orquestra e Família e Projeto B poderiam ser polemizados se formatados como uma provocação à maneira hegemônica de se pensar música no Brasil ou em São Paulo -primeiro e segundo casos respectivamente).&lt;br /&gt;Como pensar no potencial político desses artistas paulistanos: Arnaldo Baptista, Projeto B e Tiê? O primeiro caracterizado em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lóki?&lt;/span&gt; por um intimismo explosivo relegado a um grupo específico de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;junkies&lt;/span&gt; fascinados por música &lt;span style="font-style: italic;"&gt;underground&lt;/span&gt; setentista, o segundo intentando certo projeto universalista hiper-complexo relegado a uma elite intelectual e artística, e o terceiro irradiando um novo intimismo em formas consagradas de concepção de música cantada e destinada a uma camada considerável de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alternativos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui me referi a&lt;br /&gt;Os Mutantes - O A e O Z (1973)&lt;br /&gt;Arnaldo Baptista - Lóki? (1974)&lt;br /&gt;Projeto B - Andarilho (2004)&lt;br /&gt;Projeto B - A Noite (2006)&lt;br /&gt;Tiê - Sweet Jardim (2009)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h59&lt;br /&gt;2352011dc&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-5524443303646412181?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/5524443303646412181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=5524443303646412181&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5524443303646412181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5524443303646412181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/05/volta-as-antigas-arnaldo-baptista-e.html' title='Volta às antigas: Arnaldo Baptista e afins.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4721690179156122494</id><published>2011-03-20T23:30:00.000-07:00</published><updated>2011-03-20T23:31:47.709-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dado'/><title type='text'></title><content type='html'>Quando da terra uma nenhuma ninguém né?&lt;br /&gt;Então-netão, cris, que na na na na na na na.&lt;br /&gt;Porque ju.&lt;br /&gt;Na dúvida, ne ne ne ne.&lt;br /&gt;Que tá.&lt;br /&gt;Né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4721690179156122494?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4721690179156122494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4721690179156122494&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4721690179156122494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4721690179156122494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/03/quando-da-terra-uma-nenhuma-ninguem-ne.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-9150813936353405441</id><published>2011-03-11T22:24:00.000-08:00</published><updated>2011-03-11T22:28:45.251-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dado'/><title type='text'>1032011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A despeito de um tal esforço-ano-passado hoje admito que o grosso das minhas seleções não passou de ser uma tentativa esperançosa (por que não desesperada?) de alimentar uma -supostamente- faminta carência-felicidade. O digo porque sinto demais agora que o peso dos meus relacionamentos (ao menos o grosso deles) é praticamente nulo -quando não negativo. Ao menos o grosso deles sim, já que o meu parâmetro se baseia na pífia quantidade de experiências de fato plenas e dotadas de algum conteúdo, surpreendentes e irreversíveis -e aqui o pressuposto não é apenas o reconhecimento de um diálogo frutífero, mas o de que é nesse tal diálogo que eu realizo o mais potente dos meus prazeres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digo isso porque a maior parte dos caras é babaca; são todos muito banais e previsíveis (preocupados em imitar uma mediocridade centrípeta); qualquer coisa minimamente interessante era, na forma de mentira-ilusão, adotada por mim feito evidência, uma desculpa para sentir-fingir. Depois de determinadíssimos acontecimentos pareço-me incapaz de permitir que uma assimetria tal me acompanhe futuramente, e estou decidido a impedir que qualquer resquício daquela (como se apresentou em toda a minha experiência e seja passível de ser considerada como tal: assimétrica) perdure.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também ando me sentindo renovado em relação a minha própria conduta. Andei discutindo com meus parentes; eles não reconhecem uma tal legitimidade nas minhas atitudes -estas justamente têm-se transformado de fato em projetos explicitamente políticos, em contraposição à latência que tais representavam quando aquelas eram puramente estéticas e diziam respeito a efeitos da minhas realização pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas felizmente -e entendo o papel cristalizado pós-crise dos meus amigos em atenuar verdadeiramente as pressões que vim sofrendo e evidenciar o caráter ameno da minha nova carência- estou relativamente satisfeito em saber que as (tão famigeradas e muitas vezes supostas) recusas externas estão, pelo menos da minha perspectiva, representativamente sujeitas ao crivo de meu véu-de-realização-pessoal, que comportam tanto o conjunto de ações que delimitam se eu sairei de cueca na rua ou usarei calça, se pintarei as unhas do pé ou vestirei uma coisa mais sóbria, como se há ou não motivos para ter um relacionamento com determinada pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, além de enfim falar com relativa cristalizada propriedade sobre a minha nova filosofia de relacionamentos e de também me apoiar em novas estratégias comportamentais e nos conflitos que a minha experiência pessoal me proporcionou quando da adoção daquelas, há mais um legado daquele esforço-ano-passado: é o peso da heteronormatividade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que, em grande parte, os homens aos quais tenho acesso sejam tão iguais especialmente porque se preocupam todos em manter uma independência e controle tais -previsíveis na matriz normativa sexual- que os impedem de experimentar qualquer movimento que transcenda o relacionamento esperado naquela matriz: composto de uma assimetria inerente de poder (ainda que teoricamente seja cambiável e se dê por revezamento). Senão arraigada à prática sexual, latente e pressuposta na conduta intersubjetiva. Esses homens esperam que eu os satisfaça como ativo ou passivo, que eu me apresente como feminilizado ou mascunilizado, às vezes esperam que eu sequer me apresente como parceiro, esperam inclusive que eu cumpra uma série de funções relacionadas a uma estrutura de relacionamento e esperam que eu saiba controlar minhas expectativas conforme tais estruturas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Termino o texto com uma promessa de que esta minha nova forma de encarar todos os relacionamentos, amizades ou não, inscritas nesse projeto de superação de uma morfina-carência, está aliada também a uma nova maneira de entender a minha auto-realização pessoal. Também ficam relativamente hipotetizados os motivos que me influenciaram a esquematizar projetos de hiperautovalorização, e como esse desejo tem se associado aos problemas corriqueiros do meu cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5h39&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1032011&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-9150813936353405441?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/9150813936353405441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=9150813936353405441&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/9150813936353405441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/9150813936353405441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/03/1032011.html' title='1032011'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7013570753131502375</id><published>2011-02-16T17:58:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T18:05:52.700-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'>Fim. ou Fim? ou Não.</title><content type='html'>Achei que dando este título, as coisas fariam mais sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;b&gt;confissão 3112011&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembro de cabeça algo anotado há bastantes meses atrás sobre a escrivaninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"&lt;i&gt;2008 me ensinou a pensar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;2009 me ensinou a ser frio&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;2010 vai me ensinar a congelar&lt;/i&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não posso deixar de revisitá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o que significa jogá-lo fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;desde 2006 comecei a intentar vida. assumidamente em 2008.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2009 foi um ano de aproximação com certa auto-responsabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2010 foi, a contragosto de mim mesmo em sua aurora, o melhor ano da minha vida; este janeiro e o dezembro precedente, os dois melhores meses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2010 foi um ano de esquentar e congelar, de projetar e o meu futuro será o efeito total de tomar essas rédeas todas (e não tomá-las todas, o que é igualmente fundamental).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;assim como em 2010 foi possível pensar superar 2009, tão &lt;i&gt;cedo&lt;/i&gt; supor que este ano superará o precedente seria exagerada presunção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;acontece que eu não estou supondo nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3112011&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;b&gt;Nota sobre 922011&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tão rapidamente nos despedimos e eu já estava fazendo quilômetros de lágrimas (secas como o desespero, úmidas como o quente e dourado dia -você estava lá o tempo inteiro) pela cidade estrelada. Pensei na Lua em grande medida. Ela seria a grã-triunfal-entrada. Apenas uma flor. Mas a gente sabe. Não devemos interpretar apenas como uma flor de despedida. Só sei que sobre as duas grandes mulheres da minha vida, Heloísa e Maria Eugênia, redondas, estagnei hipnotizado, assim como você, que sumia conforme a patética chancela cor-de-chumbo lhe eclipsava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A porta fechou, e nada mais me restou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei você, mas na forma de algo entre arrependimento e hesitação desesperada, talvez um cristal pós-esperança, rolei em direção ao centro da cidade. Talvez. Talvez porque simplesmente eu na realidade quisesse muito pedalar diretamente para você e dizer tudo aquilo que em cinco minutos eu não tive tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizer que eu tinha uma música para lhe mostrar, perguntar se ele havia terminado aquela poesia sobre a Lua, e levar às últimas consequências suas possíveis respostas. Queria muito. Queria muito fazer com que ficasse mais tempo comigo. Queria pegar em sua mão. Enfim, apenas consegui situar nosso próximo encontro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você jogou em minha direção aquela flor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu estou muito arrependida de não tê-la agora comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me sinto sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Né?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1h43&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1022011&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;História dos Deuses&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O suicídio me intriga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de entender que tipo de sofrimento é esse que impede as pessoas que estarem vivas. E queria saber quem são essas pessoas que se privam da experiência mais maravilhosa da vida, que é sofrer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha que ser novo, afinal as coisas boas são sempre novas, à excessão do próprio estatuto de que são. Tinha que ser belo, ainda que as outras pessoas não observassem nele os belos traços da mediocridade. Porque algumas pessoas são como deuses gregos. Na multidão, onde são produzidas e guardadas (ou melhor, enriquecidas e escondidas) não lhes parece corriqueiro necessariamente causar sensação. Digo isso porque não lhes interessa necessariamente aparecer ou sumir. Não lhes interessa, como deuses convencionais, ter o controle do tempo nem estabelecer a sistemática de seus jogos sociais. Isso tudo é muito secundário. Interessa-lhes viver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha que ter outro. E quando esses mutantes se encontram, não há também um protocolo fixo de comunicação. Eles são antes de tudo meros administradores de vícios (ainda que a sofisticação com que realizam suas vidas seja um pouco diferente da da média). Mas aí, na história, eles se trocam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles se tocam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, como convencionalmente acontece, um ganha e outro perde. Se bem que, em se tratando dessas coisas (que possuem um dispositivo central funciona como um liquidificador, que transforma as coisas bonitas e abjetas, as sujas e as corriqueiras, em um maravilhoso e sistemático &lt;i&gt;milk shake&lt;/i&gt;). Um ganha e outro perde, em infinitas combinações, incontáveis dimensões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diz-se que são felizes. Seria pretensão demais dizer que fulano ou ciclano são felizes, e a mediocridade tem fórmulas muito lógicas e cruéis para mensurá-lo. Se não isso, então, apenas chuto que, ao menos, são muito mais interessantes do que a média.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como nas tragédias, um morre e o outro não. É isso que acontece no fim da narrativa: um morre, não sei o outro, não sei não, mas um morre, e do pó, e das ossadas, surge algo intrigante, como o que havia antes, excêntrico no melhor estilo &lt;i&gt;continuar-vivendo&lt;/i&gt;. Basta não ser frouxo. Basta não se tornar essa coisa brega e triste que é a neutra sobrevivência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinham que ser novos. Tinham que ser plenos. Tinham que ser deuses. E tinha que ter uma tragédia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decididamente, viver, aqui, é simplesmente protagonizar a mais bela das tragédias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;13h48&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1522011&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7013570753131502375?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7013570753131502375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7013570753131502375&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7013570753131502375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7013570753131502375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/02/fim.html' title='Fim. ou Fim? ou Não.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3525759911781138452</id><published>2011-02-12T09:01:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T09:03:26.202-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'>Paixão.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sublime.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flutuando, nossa!, fazia muito tempo que isso não acontecia, no metrô cantante, eu cantando. Fazia muito tempo que homem nenhum me inspirava (e expirava) tanto. Acho mesmo que era eu, entrando nas intermitentes narinas do humor pós-noturno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca imaginei que um resto de certeza, uma tão precária segurança pudesse ser capaz de me içar desse jeito. Não adianta, né, a gente sempre acha que prevê tudo, mas se uma coisa não mudou nos últimos dois anos, pelo visto, foi a ingenuidade do grande amor platônico. E grandes amores platônicos não me apareciam há uns dois anos. Esse é um pouco mais do que platônico, ao mesmo tempo acessível e inacessível, e tudo que julgo ser da ordem da comunicação acontece no subterrâneo de olhares que não posso dizer se de fato são significativos de nada (talvez eu esteja em uma grande paranoia). Mas eu tenho essa intuição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje me soou como um encontro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mulher da nossa vida acho que há uma marginal inter-comunicação, não sei se de fato. Por exemplo, um gesto que dura mais tempo do que deveria quando sua intenção é simplesmente funcional. Uma bola de bilhar que desliza de minha mão e patina em sua, enquanto nossos tentáculos se esforçam para continuar presos no segundo. Um abraço de despedida que só termina quando a ponta do maior dedo de nossa mão cessa de deslizar em nossas costas. Ao mesmo tempo, não tenho a impressão que o moço se esforça para estar fisicamente mais próximo de mim. Quando dessa situação, parece que se aproxima visualmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto a outra dá uma tacada na alva esfera que contrasta com a verde relva, nossos olhos se atacam, na forma de semicerrados sorrisos, durante um segundo, o que pode não significar nada, mas que, minha nossa!, podem significar absolutamente tudo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando a moça cessa e eu lhe acompanho, o moço, até sua casa, as gracinhas cessam, andamos sem nos olhar, porque agora não fisicamente, nem ocularmente, mas mentalmente nos contorcemos para entrar no consenso do ritmo dos passos. Então desistimos de sua casa, o papo vai muito bem, e então arranjamos uma nova meta, e então quando eu me vejo, tempo estendido, estou sentado em sua frente na área &lt;i&gt;externa&lt;/i&gt; do McDonalds dividindo contigo um &lt;i&gt;milk shake&lt;/i&gt; de chocolate (o melhor que já tomei), enquanto falo sobre a &lt;i&gt;vanguarda&lt;/i&gt; e você sobre Heráclito. E o mais interessante foram seus olhos. Fiz um esforço absurdo para não perdê-los, mas às vezes fica horrível se não acontece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do portão de sua casa saltitei até a minha. Flutuando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou apaixonado por um heterossexual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3h01&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1412011dc&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3525759911781138452?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3525759911781138452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3525759911781138452&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3525759911781138452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3525759911781138452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/02/paixao.html' title='Paixão.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7246206729729941722</id><published>2011-01-31T07:51:00.000-08:00</published><updated>2011-01-31T07:54:24.352-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'>pequenas prosas do começo de 3012011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;esta 200ª postagem.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;te vejo no sonho&lt;br /&gt;insistência (muda-trocada) fria.&lt;br /&gt;depois e doce, acoberta-me (feliz algodão), seus dedos recheiam os meus, através da tecida película.&lt;br /&gt;morro ao acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3012011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha falta-de-vida-quinta-feira, lembra?, liquidificou as dores todas elas: aquela). derramou-as na forma de torturantes gotas salgadas -lágrimas de viado-, ai minha pose de &lt;i&gt;blasé&lt;/i&gt; posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3012011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada menos sexual do que o nosso tocar de calos. passam sombras atormentadas na tão bem -puxa! quem diria!- iluminada -avenida- rua, passa aquele -encharcado- maravilhoso colchão de molas.&lt;br /&gt;(anda! catapulta-me para o infinito!)&lt;br /&gt;molas, catalisar: cata-alisar. meus dedos escorrendo no doce trigal -dourado- da sua inerte coxa.&lt;br /&gt;nada mais sexual do que isto.&lt;br /&gt;felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3012011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feri-lhe -docemente como só a gente entende: legal como críquete- o peito com o destro indicador em riste: intimo!&lt;br /&gt;(ai que vontade de agudar: íntimo!)&lt;br /&gt;enfim, &lt;i&gt;ces't la vie&lt;/i&gt;: ínfimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no último visual contato um sincero, misericordioso e fraternal -algo como um eterno e potente amor projetado no infinito- beijo ocular.&lt;br /&gt;ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3012011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os olhos de você me bastam.&lt;br /&gt;os olhos de você me vivem, né?&lt;br /&gt;são mais do que auto-mantenedores da -cativada- escultura castanha; conhecem um talento -a gente sabe-, na real &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; talento -aquele.&lt;br /&gt;não basta qualquer um te olhar pra entender, né?&lt;br /&gt;pra TE entender tem que bastar competente intercâmbio.&lt;br /&gt;leia-se -esta maravilhosa coisa!- eu e você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3012011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o -ripado- disco rasgado nos hiper-superpostos tecidos do recém-desempoeirado (pseudo) lar acompanham a graforragia.&lt;br /&gt;nítidos e legíveis como nossas duas vidas, dois -nossos- corações se balançam no úmido e quente espaço -só nosso- sideral.&lt;br /&gt;são as duas únicas estrelas ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje, 3012011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não há amor irreversível, lógica ou contra-lógica do amor, príncipe ou anti-príncipe, suruba, outubro ou pós-outubro, amor de &lt;i&gt;reveillon&lt;/i&gt;, utópico Guilherme, platonismo de telefone, namoro de armário, ou casamentira explícita, ou paixãozinha pública, ou &lt;i&gt;blackout&lt;/i&gt;, ou paredes permeáveis, casamento de balada ou de banheiro, flerte em ônibus, rua, &lt;i&gt;shopping&lt;/i&gt; ou parque.&lt;br /&gt;só resta o suficiente e eterno potente -unilateral amor- que -eu invento!- você me deu.&lt;br /&gt;carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3012011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7246206729729941722?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7246206729729941722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7246206729729941722&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7246206729729941722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7246206729729941722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/01/pequenas-prosas-do-comeco-de-3012011.html' title='pequenas prosas do começo de 3012011'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4600692455490792117</id><published>2011-01-28T21:02:00.000-08:00</published><updated>2011-02-08T05:15:53.130-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Grande bobagem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Casal imbatível, eu e o Eduardo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que grande besteira!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;APOCALIPSE&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;perto da uma hora - não sei se o suficiente*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(paraíso) as estrelas trigo-luziram, delas despencaram -água fresca &amp;amp; palmeira tropical- suas graças-senhoras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a lua tosca era fosca -transmutação para umbigo verde no terrorismo que andava. que andava de mãos dadas com(o presente)igo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(caos) chuva de cinismo. carregado cores insanas peguei-lhe a vida, calejada de precárias armaduras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;os dedos mais bonitos do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;duas tentativas, acuadas, são o mundo, têm o mundo, hoje de madrugada, e sabem disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;*a gente nunca sabe&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(na) madrugada mais linda do mundo, 1912011&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Crônica de um janeiro&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leio duas páginas do Foucault. Me desafia a empreitada-biografia-da-Elis-Regina (de uma quase homônima Regina Echeverria); o desfrute é maravilhoso, exceto a coceira nasal pós-leitura. Tentando considerar outros estados de espírito ponho a moça Waleska, no septagésimo quarto &lt;i&gt;A Fossa&lt;/i&gt;, uma primorosa tentativa de resumir num bolachão a história da depressão boêmia da elite &lt;i&gt;descolada&lt;/i&gt; intelectual quarentas-setentas. Primorosa tentativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Ah! Esse cara tem me consumido. A mim e a tudo que eu quis. Com seus olhinhos infantis. Como os olhos de um bandido. Ele está na minha vida porque quer. Eu estou pro que der e vier. Ele chega ao anoitecer. Quando vem a madrugada ele some. Ele é quem quer. Ele é homem. E eu sou apenas uma mulher.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre os livros chocolates alemães inibidos sob plástico, sufocante e alvo véu. Recém-ganhados. Palmeira tropical, charminho lilás, sereia, água fresca, pistache e base vitaminada estão à esquerda desse coletivo de teclas. À direita &lt;i&gt;NIVEA for men SENSITIVE PROTECT&lt;/i&gt;, extrato de camomila. Um &lt;i&gt;malbec&lt;/i&gt; d'O Boticário. E Waleska cantando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pareço mais vivo hoje. Mais do que o dia retrasado, para mim mesmo. Redundante não. Fiquei contente. Com ele de novo. Na despedida, né? Tivemos todos um dia mais ou menos peculiar. Me senti na obrigação de trazer coesão ao rolê. Não foi um fracasso total. Só sei que, se despedindo, nos olhamos. E a incisiva iniciativa foi sua. A acompanhei, naquele misto de vontade e bichinho acuado. Nos despedimos da tarde fracassada na esguelha da esperança. A mais esperançosa. A mais sedenta e seca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No canto dos seus olhos estou vivendo bem como nunca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quem diria... Se soubesse dos teus olhos, não tinha namorado com ninguém não. Basta cinco segundos de recíproca ocular, e me sinto o homem mais completo do mundo. Carência? Não sei mais como definir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é a coisa mais linda do mundo. Sabe mais? Não me importa mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Ah! Você está vendo só do jeito que eu fiquei e que tudo ficou? Uma tristeza tão grande nas coisas mais simples que você tocou. A nossa casa, querido, já estava acostumada guardando você. As flores na janela sorriam, cantavam por causa de você. Olhe meu bem, nunca mais nos deixe por favor. Somos a vida e o sonho, nós somos o amor. Entre meu bem, por favor, não deixe o mundo mau lhe levar outra vez. Me abrace simplesmente, não fale, não lembre, não chore meu bem.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1h22&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2712011&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;st #grande sonho&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uma cena no início do &lt;i&gt;Enigma de Kaspar Hauser&lt;/i&gt;, Herzog, 1974, que retrata algo parecido com um trigal sofrendo intensamente a ação do vento e formando enormes e violentas ondas douradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico pensando se, ao invés de trigo, se tratasse de pêlos. Estar ali seria o meu maior sonho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1h39&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2912011&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Sintoma&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje pensei bastante em você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4600692455490792117?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4600692455490792117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4600692455490792117&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4600692455490792117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4600692455490792117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/01/grande-bobagem-casal-imbativel-eu-e-o.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-5121220245164409937</id><published>2011-01-24T16:58:00.000-08:00</published><updated>2011-01-24T17:07:28.486-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'>O Amor Irreversível #algo_como_o_sétimo_ou_o_primeiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;I&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela primeira vez, desde que li Raoul Vaneigem e conheci meu primeiro relacionamento de prezado afeto, no fim de 2008, estou revendo -com tons de irreversível futuro- minha filosofia de relacionamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na última semana tive uma experiência que me fez rever, revisitar e reavaliar todos os meus relacionamentos (enfim, toda a história dessa dimensão da minha vida). Em uma quarta-feira, dia 12 deste janeiro irreversível, no meio dos meus dezoito anos, decidi terminar um namoro que já transbordava dos sete meses, culpado, mas determinado. Muitos motivos. Falta de romantismo recíproca, déficit na prática sexual, vontade incontrolável de ter relacionamentos extra-contratuais, estresse desnecessário, descumprimento bilateral de expectativas, discussões desnecessárias, brigas etc. Interpreto de forma mais resumida dois pontos como centrais para essa minha decisão: o problema das expectativas dentro de um contrato frágil e o meu vício em um relacionamento espetacular, esquecendo algo essencial, a atração pelo meu namorado; problemas estruturais e cansaço, em suma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cruelmente, no dia seguinte eu passei uma tarde maravilhosa, completamente livre, satisfeito, aliviado, apenas um pouco culpado (culpa que não resistiu mais do que o passar daquela quinta-feira). Havia entretanto algo que, acho eu, contribuía para esse incrível e eficaz esquecimento ser catapultado. É estranho lidar com palavras, mas nós humanos fazemos isso. Não sei até que ponto posso errar ou acertar. Mas se eu fosse chutar, chutaria que estava apaixonado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me apaixonei pela pessoa mais linda do mundo. À primeira vista isso pareceria óbvio, mas a gente sabe na prática que não é assim. Qual é a nossa chance em relação à pessoa mais bonita do mundo? Aliás que utilidade essa pessoa tem se eu a possuo? Enfim, é um dado. Passei o fim de semana inteiro aflito pensando na hipótese de desfrutar de uma relação com essa pessoa. Segunda-feira saí com ela e uma amiga (espécie de prerrogativa para o bom senso). Terça mais uma vez, e quando nossa amiga se foi continuamos -por conta própria- a conversar, enquanto as horas do dia findavam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O moço só havia conhecido relacionamentos com mulheres (embora estes mesmos tenham sido poucos). Referíamo-nos a ele, então, como heterossexual -ainda que ele mesmo não gostasse de se definir. Algo que inclusive aumentava a minha aflição, já que, por definição, heterossexuais masculinos não têm relações afetivo-sexuais com homens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia outra coisa que me afligia em muito: o moço era belo. Em excesso, como sugeri em uma oração-preâmbulo; era fisicamente belo, com a voz mais bela, e bela mente sensível e inteligente. Isso é agora uma certeza absoluta para mim, foi naquele momento a minha maior intuição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, também em termos de intuição, me deixei guiar -e ele também, creio- por olhares e toques mais ou menos demorados, por gentilezas mútuas, favores exclusivos, charme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como eu o quis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como me quis. Bom, não o sei. O sonho. O crio e recrio mentalmente. O dia inteiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Através das horas.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;II&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do &lt;i&gt;Fran's Café&lt;/i&gt; andamos mais pela escura e paulistana noite sem estrelas. Me acompanhou até o metrô, mas não conseguimos nos deixar. No ponto de ônibus sugeri-lhe a conversa-aquela. Conversamos ininterruptamente durante meia hora apenas sobre a hipótese de eu lhe dizer aquilo que ele supunha saber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Lucas, eu estou afim de você. E gostaria que você, se possível, quando se sentir confortável, me respondesse duas perguntas. Se você ficaria comigo, e se você quer ficar comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um texto que eu havia calculado com uma semana de antecedência. Deu certo, porque ele aceitou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim de tarde do dia seguinte à quarta-feira (ironicamente uma quarta-feira!) estivemos no &lt;i&gt;Fran's Café&lt;/i&gt; conversando sobre sua, minha e nossa vida -natimorta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas foi uma experiência de quase-morte. Na real, uma experiência de morte! E de renascimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, a experiência havia sido maravilhosa. Mas, longe de uma barreira de gênero, sequer uma discrepância da ordem da beleza, simplesmente havia um terceiro elemento; uma possível incapacidade para expressar determinados sentimentos dentro de uma relação a dois, o que impossibilitaria a recíproca e, então, o relacionamento. Algo para o que havia me alertado minutos antes de me beijar. E me beijou. Disse-lhe de forma a encorajá-lo -não sei se funcionou- que eu pagava pra ver, que estava assumindo um risco que é o risco que assumo em todos os relacionamentos. Disse-lhe:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Eu só sei que eu quero ficar muito com você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ele disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Tendo em vista esse argumento, não me resta opção senão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, estávamos no &lt;i&gt;Fran's Café&lt;/i&gt;, eu na maior ressaca de amor que tive a oportunidade de viver. Senão a única (digna), naquele fim-de-tarde-quinta-feira. Apesar de tudo, ele não conseguiria responder na mesma moeda que eu nossa troca de afetos. Essa disposição era inclusive uma intuição pela qual se guiava antes de termos ficado. Parece que eu fui a prova que ele precisava para ter certeza de que, não o gênero, mas simplesmente o relacionamento em si que fosse o problema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos dias seguintes acabei percebendo que eu seria muito idiota se eu o ignorasse no futuro. Me sinto um igual perto dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas os dias ainda não passaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;III&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os meus relacionamentos, nocivos e não nocivos, abertos e fechados, fixos e voláteis, de armário e de rua, duradouros e natimortos, todos esses tipos, que tive a oportunidade de conhecer, sinceramente representaram na minha história tanto quanto representam nas narrativas de ficção romântica dos livros em voga para o senso comum na última estação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de terça, quarta e quinta, posso dizer que uma intuição minha foi confirmada; de que a estrutura de um relacionamento é secundária. Não é importante de fato se é uma ficada, uma trepada, um relacionamento aberto, namoro, casamento. O mais crucial é estar amando. E a questão é: como vou amar plenamente alguém que não conheço?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo o que tive, e esta epifania aconteceu no meio de uma enxurrada de lágrimas na noite da quinta-feira, até o precedente ralacionamento, havia sido pautado primeiramente pela estrutura da relação, jamais simplesmente pela paixão mútua, pelo estar de fato afim, pelo simples conhecimento da pessoa a qual se admira, pelo fato de não haver uma contemplação plena de determinada pessoa -algo que, fatalmente, mesmo eu conhecendo melhor meus parceiros mais duradouros, jamais aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse reconhecimento mútuo foi importante para mim, porque me deu mais consciência do que eu mesmo represento. Ficar com uma pessoa que eu admiro há semanas, representa também de alguma forma um certo tipo de recíproca: os dias vão passando, a gente vai se conhecendo, e se mesmo os meus posicionamentos (para a maior parte das pessoas ingênuos ou imaturos) são reconhecidos e lidos de forma coerente com as minhas atitudes, e isso não é um impecílio para a relação, significa que a pessoa do outro lado justamente está lá porque quer e vai fundo porque tem real vontade. Isso não é uma regra geral, mas creio que com o moço foi assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simplesmente, já disse, porque me senti um igual perto dele. Porque notei nele algo que persigo e que em poucas vezes sondei nas pessoas com que convivo (e é como se pela primeira vez em São Paulo eu tivesse certeza disso, o que me dá mais força para continuar vivendo como sei viver): a existência de um projeto coeso e lógico pautado pela busca de conhecimento das próprias expectativas e pela interpretação das próprias expectativas (interpretação e lógica: instrumentos individuais). Ou seja, admiro o Lucas porque o considero uma unidade nítida e precisamente delimitada, que não sabe viver sem sê-lo. Me sinto menos só, persigo algo que pareça este projeto, algo que não vejo na maior parte das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se me atreverei -salvo crises de carência ou de libido, não sei vaticinar o futuro- (tão logo) me dar o luxo de me relacionar com pessoas que realmente não me acrescentem. De superficial já conheço tudo. Estou apaixonado pela ideia do nada-rígido, estou apaixonado pela ideia de encontrar pessoas-deuses, esses fenômenos da cidade que, por quedarem na cidade, são dificílimos de serem captados. A multidão gera essas aberrações, mas também as guarda. E viverei assim, em busca de iguais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não mais a determinação "&lt;i&gt;quero apenas ficar com você e ver o que acontece&lt;/i&gt;", mas simplesmente a lateral -e óbvia- "&lt;i&gt;por que eu deveria ficar com alguém hoje, e por que esse alguém seria você?&lt;/i&gt;"; simplesmente o projeto de saber exatamente o que eu quero, quando e por quê; essas expectativas. E fica muito mais bonito com segurança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algo que, depois de descobrir que eu não sou mais o único único em São Paulo, se tornou sensivelmente mais fácil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu devo isso tudo ao grande amor irreversível da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viver é um barato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2312011&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-5121220245164409937?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/5121220245164409937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=5121220245164409937&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5121220245164409937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5121220245164409937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/01/o-amor-irreversivel-algocomoosetimoouop.html' title='O Amor Irreversível #algo_como_o_sétimo_ou_o_primeiro'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4992626371212136297</id><published>2011-01-12T19:26:00.000-08:00</published><updated>2011-01-12T19:29:37.311-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que poeira leve...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma espécie (peculiar) de crônica. #Amor [3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas mãos cheiram ao pós-dia suado. Teimosamente. Elas acordam o corpo inteiro. Ciclicamente, trazem para cima, para baixo, para um lado, para o outro todo o seu corpo ligth-acafetado, vestido no branco aceso da luz negra, para cima, para baixo, para um lado, para o outro toda a sua carga, logo de manhã, logo de tarde...&lt;br /&gt;Explosões temporais de cândido amor.&lt;br /&gt;Um. Se-gun-do.&lt;br /&gt;E de repente estou livre.&lt;br /&gt;Pingos de suor verde-limão piscando na pista da vida.&lt;br /&gt;E viver é o maior barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h21&lt;br /&gt;812011dc&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sonho: Choro, choro...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era bem nítido no sonho. Você me amava.&lt;br /&gt;Eu estava ali deitado, de costas para a mulher da minha vida, quando você, o homem, seu dono, me cobriu, com seu couro dourado, o trigal, aquele que o insistente vórtice do tempo só extinguiria no fim de um de nós dois, o que representaria automaticamente o fim de ambos.&lt;br /&gt;Não havia roçar de bocas, umidade, fluido salivar, nada, só havia troca de respiração, um roçar de dermes, um mútuo pentear, uma aproximação, um carinho não explícito, mas um amor vergonhosamente exibicionista exalando direto do invisível para os olhos lacrimejantes dos demais admnistradores de vícios na rua. Aquilo era o bastante, e aquilo era o amor.&lt;br /&gt;E o maior pesadelo da minha vida foi simplesmente acordar e descobrir que amor irreversível da minha estava na sala contígua, sozinho, e eu nada poderia fazer por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se lhe interessa saber disso, mas você me amou nitidamente no sonho mais bonito da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;0h27&lt;br /&gt;1312011dc&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sinto que é hora, salto!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se me der um beijo eu gosto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se me der um tapa eu brigo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se me der um grito não calo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se mandar calar mais eu falo&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Recado&lt;/span&gt;, Luís Gonzaga Júnior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarteto em Cy ilumina(ria) mais ainda a amarela (e chorosa) lâmpada do poste central -no risonho e lateral epílogo.&lt;br /&gt;O poslúdio foi magnético, amarelecendo as coisas em ritmo cada vez mais agonizante. Houve um vencedor, e fui eu. Sempre nós, sempre nós, não entendo, já não entendia. Compreensibilíssimo, eu, tu, nós, vós, ele e eu, ali, onde havíamos começado, e estávamos terminando, claro, evidente, clarividentemente vaticinado, como a Razão não diagnosticara ainda?&lt;br /&gt;Dias com pseudo-psicólogos da cidade-mundo-eu (uma psicogeografia delimitada pela mais distante partícula -em relação ao centro gravitacional), noites, madrugadas, também manhãs, açaí com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cranberry sauce&lt;/span&gt;, barbas, faltas de barbas, uma semana, mais de uma semana, uns dias a mais, e nós lá, e você querendo, e eu não querendo, ou melhor, o contrário.&lt;br /&gt;Éramos dois. Fomos. Somos dois-quase. Hoje. Digamos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;con permiso&lt;/span&gt;, agora.&lt;br /&gt;O Quarteto em Cy, com força e com vontade, me prometem, amarelecidamente, chorosamente, risonhamente, outros outubros irreversíveis (e portas matinais castanhas e abertas como meus olhos abertos e castanhos).&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ces't possible&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ma non troppo&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas se me der a mão claro aberto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se for franco direto aberto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tô contigo amigo e não abro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vamos ver o diabo de perto&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Recado&lt;/span&gt;, Luís Gonzada Júnior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;0h42&lt;br /&gt;1312011dc&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4992626371212136297?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4992626371212136297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4992626371212136297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4992626371212136297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4992626371212136297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/01/uma-especie-peculiar-de-cronica.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-8016752174951057425</id><published>2011-01-08T00:51:00.000-08:00</published><updated>2011-01-08T00:52:42.883-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'>Uma espécie de crônica. #Amor [2]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na &lt;i&gt;Fun House&lt;/i&gt; amores físicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na parede amores uspianos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;The dog days are over, the dog days are done&lt;/i&gt;, e na melodia a certeza de tempos maiores, menores, dinâmicos, mais do que os pré-suados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No negro tijolado dois corpos bem vestidos de branco &lt;i&gt;neon&lt;/i&gt; se amassam, mãos que passeiam, barbas recém-quase-feitas que se roçam com violento calor. Líquidos que se misturam na batida da lotada-cotada sala: suor, cerveja e saliva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma mão vestida com brilhante branco de ciclo-festim dança com sua garrafa fálica, e os dois fálicos homens ciclo-circulam, para cima, para baixo, mais pra baixo, ainda mais pra baixo, com o gingado rítmico do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o mundo era eu e ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na pré-dança ao meu estimu-lado. Melhor mesmo não ter desistido. Um belo passeio de bicicleta não serviu mais do que um catalisador do meu espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na &lt;i&gt;Fun House&lt;/i&gt; amei um coração alcalino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amante efêmero-radioativo. Um homem. Um homem. Um homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que falta me fazia um homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidido na chuva de secreções humanas: os dias de cão se foram, restam na belíssima ciclo-vida apenas outras manhãs plenas de Sol e de luz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na porta das quais meu amor me espera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;6h39&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;812011dc&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-8016752174951057425?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/8016752174951057425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=8016752174951057425&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8016752174951057425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8016752174951057425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/01/uma-especie-de-cronica-amor-2.html' title='Uma espécie de crônica. #Amor [2]'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-2892981705851783479</id><published>2011-01-04T20:54:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T21:02:56.702-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suicídio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;b&gt;Carta a Samanta (in memoriam)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chove chove chove.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Presentes de natal amontoam-se mutuamente sobre a mesa ex-branca -agora cinza, de tristeza. Um rádio de pilha verde-vovô, um malbec vinho-tia, uma bruxinha chamada Margie que ri alucinadamente quando você bate palma...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, quando você batia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um par de canetas cor-de-mãe, ex-presentes também. O Roberto Carlos cantou hoje de 1966 a 1972. Não me importo se ele está cansado, amanhã cansarei o Wilson Simonal ou algo assim. Hoje ouvi &lt;b&gt;Sua Estupidez&lt;/b&gt;, do álbum de 1969, a música que eu canto pra você quando...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A música que eu cantava pra você (ao menos mentalmente, faz tanto tempo isso) para nos reconciliarmos. Incrível como essa água desde manhã me confinou em pensamentos domésticos. Olhe para o Natalino. Ele precisa de uma tosa, vergonha na cara, canina alegria, banho, e por falar em banho, já estou indo aí pra gente se encontrar e...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossa! Agora percebo, Samanta. Como um dia de chuva pode ser prejudicial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;St #Amor&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A amarela lua da poluída cidade sem estrelas se despediu à tarde. Logo ao fim da tarde que é quando o luminoso Sol se prepara também para descansar. Ficou um breu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O luau que eu tinha imaginado se transportou para o lugar das meteorologias, climas, suicídios, e o começo da noite luarenta e não luarenta lubrificou meus ictéricos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O lumpemproletariado pegava fogo nas ruas, os dourados e luminosos campos de trigo da minha imaginação criavam densa lubrina cor pastel, e em meio de tudo isso apanhado em brilhante lucão agonizei. Nem vi farol, farolete, lucerna, vaga-lume, lucidez minha se perdeu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcifer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lucilante naquele preto todo algo de resto-coração pululava. Luzi. Luzi. Luzi. Mas para o lar das longitudes e latitudes meu Sol-lua havia se transportado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou uma menina lucípeta, atrás do meu Sol-lua lucipotente, em busca de um amarelecido lucro aclimativo, lucrativa empreitada do ouro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ludibrio as cores de mim, quero um prisma. Mais do que todo o prisma, quero aqui ver lufar a areia, e quero lutar para exterminar a lugubridade da Sol-idão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele-lume.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu lunática menina lucípeta, presa ao trigo-lustre dos seus cabelos, na nossa idealizada luxúria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lubrificados olhos no fim da tarde-arde, Sol-lua me abandonou, e eu perdi a vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Dois breves comentários sobre Roberto Carlos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vocês já pararam pra reparar no asfalto da ruazinha à uma da manhã com o som dos postes de luz e com os tons da lampadinha verticalóide acoplada à roda da bicicleta? Já repararam na cor do asfalto (que brilha com a purpurina de quartzo refletida insone)? É preto-claro. Não é cinza, é outra cor. É preto-claro sim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na ruazinha eu estive pedalando. Nas ruazinhas. Peguei a Serra de Bragança até o final, depois a Conselheiro Carrão, a Taubaté, subi até a Praça Sampaio Vidal e fui em direção à Emílio Mallet (ou Emília Marengo?), desci a Antônio de Barros, virei na Cantagalo, depois a Coelho Lisboa, Praça Sílvio Romero, Padre Adelino, Bonsucesso e estou em casa. E quem me consolou a estranha noite foi o Roberto Carlos. As coisas que ele canta fazem pouco sentido. A princípio. Quando você está na &lt;i&gt;vibe&lt;/i&gt; elas fazem mais sentido do que muita coisa (como a falta de música, como o moralismo, como a putaria, como o excesso de racionalismo, como a falta de cérebro). "&lt;i&gt;Foi pensando em me guardar e querendo não querer, me dizendo pra esquecer, foi pensando só em mim que eu pensei só em você&lt;/i&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vibratos peregrinam na noite [sem estrelas].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atravessei a Avenida Paulista. Pela metade. No meio do automobilístico rio, à espera das luzes arrogantes, "&lt;i&gt;esqueça se ele não te ama! esqueça se ele não te quer!&lt;/i&gt;", e eu morri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sete vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Propostas de Animação Museológica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Folheando um caderninho que preenchi em 2008 percebi a maravilhosa contribuição que o meu curso técnico de museu me deu. Passei a entender depois de tal curso como o museu ocupa uma função de perpetuar a desigualdade social ao registrar como legítima ou "erudita" (em outros termos, &lt;i&gt;maior&lt;/i&gt;) uma história ou um estilo de vida com antepassados inteligíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensando nisso, durante alguma aula do curso concebi duas ideias de atividade artística. A primeira delas &lt;b&gt;[2]&lt;/b&gt; não tem ligação direta com o problema da segregação artística, mas a co-tematiza comicamente. A segunda &lt;b&gt;[1]&lt;/b&gt; tem a forma de uma crítica à expografia, está então diretamente relacionada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;[2] mulher morta&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um quadro (uma pintura -a óleo, de preferência) retratando garota mais ou menos nova, entre 12 e 16, branca e com cara de peixe-morto como nos quadros do neoclássico, tamanho médio, cabelos castanhos caprichosamente arrumados (trançados ou não, de preferência decorados), olhos azuis (de preferência), aparentemente úmida, impressões de sufocamento, olhos abertos, pupilas dilatadas, cabeça mais ou menos tombada (caída), vestindo um vestido gigante, composto por muitas camadas (a menina como sufocada por roupas), moscas, fundo negro (marrom ou preto), moldura elaborada (meio rococó).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;[1] Grande esfiha de carne (flamejante), gordurosa, no espaço expositivo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trata-se de uma esfiha de carne (generosa no tamanho) fixada (pode haver um prego para causar efeito) na parede (de preferência que não seja uma &lt;i&gt;dry wall&lt;/i&gt;) do espaço expositivo, e que permaneça neste o tempo que for necessário, sem manutenção, e com o risco de apodrecer ou impregnar o ar do ambiente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-2892981705851783479?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/2892981705851783479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=2892981705851783479&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2892981705851783479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2892981705851783479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/01/carta-samanta-in-memoriam-chove-chove.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3222672659618435279</id><published>2011-01-01T20:39:00.000-08:00</published><updated>2011-01-03T12:25:09.251-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outubrino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'>Balanço de dois mil e dez.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comparando meus escritos e digitados de 2010 com os de 2009 estou reparando que o número de bloquinhos reduziu drasticamente e o número de arquivos de texto-poesia também reduziram. Em contrapartida tenho papéis de anotações e esquemas de estudos digitalizados que não têm fim. Entrei na faculdade, passei a estudar pra caralho. Me senti particularmente inspirado no início do ano (tive um amor platônico no exato &lt;i&gt;reveillon&lt;/i&gt;, vestibular, viajei etc.) e também na semana em que frequentei a Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André, no início do segundo semestre, quatro dias que conseguiram me inspirar durante um mês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre as férias...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Carta de amor do ano novo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oi Guilherme. Minha vida muda só tem ouvidos para a garoa arrogante. O resto da noite passada está aqui, entortando a minha vista e fazendo com que os paralelepípedos dancem em um ritmo marítimo. Do outro lado da rua uma pomba está andando, como andam os humanos, porque está convicta de que os imitando conseguirá entrar invicta dentro da padaria algum dia. O céu inicia o bocejo da manhã, que é quando as coisas começam a clarear, a rua, a árvore, o prédio, o portão, o cachorro, tudo cada vez mais nítido. E eu estou prometendo a mim mesmo que os dias serão cada vez mais irreversíveis. Se está ao meu alcance eu não sei, pode ser ingenuidade. Prefiro pensar que não. Prefiro pensar, Guilherme, que os meus atos têm sentido. Guilherme, as coisas não se mensuram. Eu vou viver ao teu lado nesse mundo imensurável, Guilherme, e o mundo será nosso, apenas, unicamente, exclusivamente, nosso. Nós nos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guiamos da maneira que quisermos, Guilherme. Guilherme, eu não espero que você leia isso algum dia, você imaginaria "que raio de sujeito é esse? esse fraco, esse fraco, esse fraco", mas eu garanto, que é inevitável, o meu amor irreversível me içou, e agora eu estou muito longe do chão, há um...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guindaste invisível, quase metafísico. Guilherme, quando os fogos arrebentaram no céu eu estava no metrô, provando para mim mesmo que eu sou a pessoa mais forte no universo, mas você humilhou a minha filosofia quando, naquele boteco com estranhos recém-conhecidos você me olhou, e fez exatamente aquilo que o amor da minha vida faria para me conquistar. Então com as lágrimas que pululam do meu ser eu senti um aperto no coração de não poder te reter para sempre, na penumbra da luz sensual e tênue da sinuca da minha vida. Você me encaçapou e depois abandonou o bilhar, desligando a luz da minha felicidade, apertando o interruptor do meu coração. Não me admira ter chovido depois. Você levou consigo toda a estabilidade, você e o seu sorriso levaram o meu oxigênio, e agora eu me sinto morto. Acho que estou sento levado à...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guilhotina, cumprindo essa pena horrível, que é a angústia da esperança, à qual ainda não me acostumei. Sim, Guilherme, porque eu sou pós-graduado na ressaca do amor, e agora eu estou imerso em um fluido que não existe, e quando eu menos esperar estarei em queda livre. Agora a minha vida não tem outra função senão te encontrar, amigo, e eu sequer sei por onde começar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guizos de natal sinalizam a morte de um ciclo e o nascimento formal de mais uma escravidão temporal. As mulheres idosas tiram das portas suas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guirlandas. As renas do Papai Noel abandonam a televisão e vão repousar guardadas em gavetas. E quilos de dinheiro são devorados em labaredas coloridas na Avenida Paulista -e o meu coração é devorado por você-, lâmpadas azuis, brancas, vinho barato. E a Rua Augusta, e todas as suas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guildas, tribos, seus botecos e suas boticas, sufoca na garoa intragável. Mas a culpa de estar garoando é sua Guilherme, porque você me abandonou, e agora a minha incubência é te achar a qualquer custo, já que não resta dúvida de que você é o meu príncipe. Porque você olhou para os meus olhos como um homem apaixonado olha, e com uma simpatia hipnotizante que me deixou estupefato, e não foi com "uma" simpatia, e sim com "a" simpatia, a simpatia que eu esperava para obter a felicidade, a tua simpatia, Guilherme! E você me ofereceu meia garrafa de cerveja, Guilherme, e você não faz ideia do que isso significa, amigo. Guilherme, você me perguntou meu nome, Guilherme! Guilherme, você foi embora, mas me deu de presente a maior esperança que eu nunca tive, com o seu sorriso moleque, sua simpatia gigante, seus olhos maravilhosos e aquela meia garrafa de cerveja. E me disse que lhe encontrasse em uma sexta-feira, na pizzaria ali perto, apenas essas coordenadas, logística simplista. E então você deu meia-volta e foi embora, e eu corri atrás de você, mas nenhum de nós dois podia anotar informações pertinentes, por falta de recursos físicos. Então eu só sei que você se chama Guilherme, e que frequenta o Vitrine às sextas-feiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a minha vida está prestes a dar uma impossível...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gui-nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guilherme me guiando guitarrante, guildas, guizos, guirlandas, guilhotinas, guindastes, guichês, guisados, guilhermes mil... &lt;i style="font-style: italic;"&gt;Alvoroço em meu coração, amanhã ou depois de amanhã, resistindo na boca da noite um gosto de Sol&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;janeiro 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;texto&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;título que já perdeu acena&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;porque a conta do analista&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;me foi paga com o corpo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;docente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;doente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de bombeirinhos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;caroço-angústia-suspeita onipresença,&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu disse ao Francisco no sábado passado que o custo-benefício dos meus relacionamentos estabiliza-se com a negação das relações virtuais, a favor das trocas reais, relações verdadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ele me disse que, se eu sou convicto disso, sou a pessoa mais bela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é uma pena que os meus amores não-perus não sintam por mim um amor tão avassalador que os faça superar seus medos, e também é uma pena que esse medo os impeça de que vivam amores avassaladores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e enquanto isso, na cidade, o amor funciona como deve funcionar, sob este céu sem estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;8 2 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por que o chocolate que você me deu me espia e as flores estão tão diferentes se até a porta para o quintal está aberta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por que o ventilador teimoso gritando feito uma cigarra continua balançando de um lado para o outro, em um silencioso "não"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por que o violão está mudo mesmo com todas as possibilidades de poesia que noite quente e estrelada oferta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e por que escrevo estas linhas se tudo acabou definitivamente entre nós?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;deve ser porque... definitivamente. acabou-se. tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;farmácia, 8 2 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você (realmente) acha e tem todo o DIREITO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de mudar a minha vida (assim -sem mais nem mais nem mais)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;enquanto os sentimentos-pulga pululam dos meus poros e são arremessados uns contra os outros na garrafa térmica do meu ser, teus olhos castanhos -lindos olhos castanhos- mais fundos que o braço da floresta penetram nos meus e se instalam no meu intelecto-ecto-ecto, e impossibilitam o antigo Eros de respirar com o empoeirado ar da semana passada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou você queria apenas mais um beijo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;como sempre foi certo que o meu futuro seria promissor... sempre foi! eu senti que nas últimas semanas que a minha vida subia uma escada ruma a níveis cada vez mais catastróficos, fabulosos e fantásticos. e eu venço no cassino do amor, eu já posso virar para o fevereiro passado e gritar que EU VENCI O CASSINO. e isso tudo &lt;i&gt;under&lt;/i&gt; meus abstracionismos ultrapassados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas é porque você tem o DIREITO.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;18 2 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;empecilhos em pé são cílios&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de pé nos teus sexuais olhos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que dançam na minha fálica cabeça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mesmo que nem direito eu te conheça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;dançam com a paixão mineral&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;co'a qual brilham&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;fevereiro ferve na rádio&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;dos atômicos tímpanos do dia promissar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as coisas todas não fazem ideia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de que eu sou o irresponsável cantor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;na janela do frio e ignorante ônibus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;no qual brilho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o dia é nosso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o dia é nosso sim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;muito. muito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o dia é muito. muito nosso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;20 2 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o celular toca&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu tenho alface no dente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o fio dental corre&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;freneticamente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu pego o aparelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tão esperançoso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o fio dental dança&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;na boca raivoso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;largo o telefone&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;alface no dente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quem é que me liga&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;amigo, parente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou será o amor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que conheci quarta-feira&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que imerge das horas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pra contar besteira&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;20 2 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;COMUNICADO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não entendo por que, mas meus dedos, que roo incessantemente, estão cheirando ao teu beijo com dentes escovados. este frio, que se torna quente, que é o diálogo-amor das dialéticas-línguas, tem um porquê gutural. porquê da vida, combustível do meu sangue, saliva da saliva, antisséptico do meu ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(tua boca muito mais alva, gostosa e&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;re. fres. can. te.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2 3 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a melhor poesia que eu escrevo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tem as letras do meu amor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu luto pela poesia - do meu amor cogniscível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;subcuecante e supracardíaco, o amor difícil&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;das centenas de horas, agoras, aforas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que chora, que flora, que adoro, deploro, que adorno, que chôro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a melhor poesia que eu canto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tem o cheiro do meu amor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu luto pelo aroma - do meu amor reconhecível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;lácteo-pigiante, naso-sudoríparo, o amor sensível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;meu amor escovado, lavado, chupado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;lambido, marido, na cama, sacana, deitado, jogado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esperando minha boca&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5 4 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conheci o atual namorado Eduardo em junho, mais ou menos na mesma época em que havia conhecido o Daniel em 2009.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Participei de um assalto mais ou menos violento. No qual eu era a vítima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na volta das aulas, após nervoso processo seletivo, entrei na Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André, onde, por falta de vergonha na cara e condições intelecto-temporal-geográficas do rolê eu não conseguiria estudar -excentuando a possibilidade de fazê-lo tendo como efeito um aumento na minha &lt;i&gt;self&lt;/i&gt;-mortalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outubro fui para o ENUDS e nos meses seguintes entrei em contato com algumas atividades que testaram meu projeto de vida, hipóteses, ideologias etc., corroboraram, aprimoraram, acrescentaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminei o caderno &lt;b&gt;&lt;i&gt;devolver a Eros Tesão este caderno de pornografia número XXXX-XXOX (não ligar a cobrar) ou esta caligraphia calipígia ou amor irreversível&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os últimos dias de dezembro foram um saco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;[fragmento]&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;começa com um beijo, mais ou menos molhado, mais ou menos arbitrário, mais beijo do que desejo, mais vontade do que receio. incrivelmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é como se meu inconsciente dissesse&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CORRA, VÁ EM DIREÇÃO A ELE&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu simplesmente podia ter dado meia-volta, mas não&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CORRA, SEJA ASSALTADO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;todavia aquilo me livrou de ter que arranjar explicações para o fato de o celular ter quebrado vinte minutos antes do assalto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;III&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;na queda quebrei um dente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;IV&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a teimosia, se bem estruturada, é uma virtude. por bem-estruturada entende-se que há uma lógica-argumentação suposta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ora, negar a teimosia, que é uma condição geral da sociedade, é hipocrisia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;V&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pavores de mim. os vaticínios têm durado facilmente até às duas, duas e quinze da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;VI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu posso seduzir facilmente o diretor. só preciso de um motivo. que tipo de poder ele pode oferecer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;os meus amores são natimortos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a maior parte deles não durou mais do que dez segundos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quando nossas sombras se fundiram, na rua, senti catalisarem-se nossas emoções. (desde o início achei que nossos corações trampolinharam na mesma velocidade.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e então você me disse "oi" na rua, escura, senti que se não desmaiasse, flutuaria. escuridão. e nossos corpos se juntaram, na esquina. senti a eternidade no meu fluxo sanguíneo. esquinados, nossos lábios labiaram-se, na noite senti que nada mais importava. e, logo, o amor dos homens, personificado no negro líquido cardíaco que bombeava alucinadamente, converteu-se no alvo e cândido néctar morno da vida, que jorrou energicamente rumo ao céu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;da boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;preta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se tornar adulto é um crime contra a estabilidade e a esperança contínua do mundo mágico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um par de pernas muito finas pouco presente quer estar em casa. passeia confiado e descorajoso nas paredes brancas de luz apagada. (da mente castanha.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;confinado na atmosfera gelada da estação, quer se morfinar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e vai conseguir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ele senta nos sofás brancos mais ou menos insípidos da cinemateca e cruza o par de pernas suspirante de satisfação em seu orgulho-dezessete. ele é feliz e sabe muito bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quer olhar. consegue. bate-bate, posso ouvir daqui. o céu nublado anuncia a noite sem estrelas da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;vai começar a sessão. e depois dela, ele será apenas um pouquinho menos o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(mas sabe o que quer.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quando caiu da mesa acordou. irada. quero dizer, que seu cabelo assemelhava-se à vida em sua explosão no limiar da intensidade. e olhou pro chão, e enxergou. e de repente se viu homem na escrivaninha, mas abandonou a carteira semi-bravo e quase-mudo, pondo a preta blusa na morena derme, mochilando-se e se dirigindo à porta. mas quando saiu estava branco, e as panteras que saíram da floresta em sua frente se esforçaram para violentá-lo. correm muito, e caiu em buraco, para uma boate &lt;i&gt;gay&lt;/i&gt;, e aí era colorido. e vida passou a fazer todo o sentido. limites estreitos. estritos. uma boca molhada, saborosa, e um drinque cítrico. até que perdeu o chão. quando caiu da mesa acordou. irada. quero dizer, que seu cabelo assemelhava-se à vida em sua explosão no limiar da intensidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;passa por mim a nuvem do amor ultrapassado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pisa no fundo dos pés de galinha&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;me reconhece&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sabão de marchinha&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;beija minha nuca - certeza&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;filho da cidade - é normal&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu te ver assim - no circuito&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;continental - vai um biscoito?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;vou num café genial&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;depois da película - audiovisual&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;vem vem comigo menino&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ultrapassado tá bom&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não não insisto mais, cara&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu vou seguindo na marchinha&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a gente se vê dia desses,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu sigo marchinha - sabão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(estrela de topete)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você foi pornografada em mim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;estrela de topete e rala barba&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;estrela da assimetria&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pornografada em mim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu estigmatizade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você &lt;i&gt;star&lt;/i&gt;-beldade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;hetero-liberdade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você Sol eu Plutão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;marginal coração&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de estelar desejo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;celestial submissão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;daqui do inferno vejo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a sombra do avião&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;estrela de topete&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pornografada em mim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você funciona como um deus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tô nas tua - eu no teus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quando ele chegou viu o chão pintado de assombrosa escuridão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sentiu tanto medo, mas tanto, tanto medo que desejou também morrer por um instante&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[nada mais preocupante que a dúvida]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tentou respirar uma duas três tentativas -passivas! metabolizar de qualquer jeito, a qualquer custo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;QUASE MORTE&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;deu meia volta, e outra, e outra volta, muitas meias voltas mentais&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o chão assombrosa escuridão, sem previsão de chegada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;amarrada ao não dito, preso, acorrentada na insegurança sua alma se matou cinco vezes (que era o número de meses)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;vê-lo o outro, ali quietinho, com terceiro, rindo sim, grudado assim, de qualquer forma, sem mim...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[e o fim de semana mal tinha começado]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3222672659618435279?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3222672659618435279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3222672659618435279&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3222672659618435279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3222672659618435279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2011/01/balanco-de-dois-mil-e-dez.html' title='Balanço de dois mil e dez.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7994750078513143650</id><published>2010-12-31T11:13:00.000-08:00</published><updated>2010-12-31T11:21:27.774-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orgulho-dezessete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'>Balanço de dois mil e dez; Prólogo.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sistematizarei este balanço diferentemente do precedente. Pra começar, tem um prólogo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Prólogo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse primeiro texto eu o escrevi em 2009, na segunda metade do ano. Acho que demorei uns três ou quatro meses para concebê-lo, já que eu não me debrucei sobre ele de forma sistemática, mas apenas ocasional. Ainda assim o considero um dos mais bem acabados que eu já fiz.&lt;br /&gt;Não tive coragem de publicá-lo pela sua extensão e pelo caráter extremamente subjetivo do texto -ele é um pouco autobiográfico. Mas a estética me agrada muito. Não sei se seria capaz hoje de reescrevê-lo. Mas acho que ele representa muito bem como uma crônica os meus dezessete anos.&lt;br /&gt;Até agora não achei um título satisfatório.&lt;br /&gt;Semelhança com Oswald de Andrade não é mera coincidência.&lt;br /&gt;En-fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;s/t&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Admnistrador de Vícios&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vida e Peste&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1.Prelúdio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se o metrô desligasse meia noite, não haveria toda essa folga!&lt;br /&gt;A lógica só pode ser um instrumento divino, pela imperfeição terrena.&lt;br /&gt;Por entre divagações e divulgações similares, passava, até experimentar as duas longas pernas metálicas e elétricas, sra. Eros. Outra administradora de vícios, preocupada com o horário que queria ter, quando enfim tudo beijaria o que contempla.&lt;br /&gt;-Existem sujeitos bacanas.&lt;br /&gt;Suspirava. A noite fora. E amanhã iria novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2.Da meia-noite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Era a presa.&lt;br /&gt;-Algumas notas podem não parecer tão rápidas.&lt;br /&gt;Seria isto?&lt;br /&gt;-Notas que perderam o som.&lt;br /&gt;Era sua imaginação trabalhando. Mas não importava.&lt;br /&gt;-Bastet ou Foucaultlino?&lt;br /&gt;Era o nome de seu filho em questão. Mas ainda não era tão tarde, e o passeio foi desviado. Como em todos os âmbitos, era a hora de investir. Sra. Eros e sua bolsa de valores morais seguiam.&lt;br /&gt;-Finalmente descobrirei se existe de fato vida pós-Clínicas.&lt;br /&gt;Não. Não permitiria mais a si sonhar. Queria ainda desperdiçar sua estética cerebral.&lt;br /&gt;-Oi.&lt;br /&gt;Aquele inferno chamado espera.&lt;br /&gt;-Oi.&lt;br /&gt;-Err... Qual é a sua operadora?&lt;br /&gt;Esboçou um sonho.&lt;br /&gt;-Depois da meia-noite, todo escravo vira um ligador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3.Platonismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a aula de Psicologia Prática Relacionada aos Problemas Interpessoais (PPRPI), vegetava. Seus amigos até lhe contavam.&lt;br /&gt;-'Cê pode tentar. Não! 'Cê vai até conseguir.&lt;br /&gt;Não era o desafio, era o tédio. Arriscou-se ainda assim, e lá era. Todavia, um ser permanecível. E vegetante de tantos nutrientes.&lt;br /&gt;-A esse fenômeno daremos o nome de Sabedoria Absoluta Pessoal e Democrática, que chamaremos de SAPD.&lt;br /&gt;Também odiava as pessoas estilo stand up, feito a professora parcial, mas o importante era a ternura d'outro.&lt;br /&gt;-Depois da meia-noite, todo escravo vira um ligador.&lt;br /&gt;Risos.&lt;br /&gt;-Como você se chama?&lt;br /&gt;-É Augusto.&lt;br /&gt;-Belo nome.&lt;br /&gt;Pieguices e burocracia.&lt;br /&gt;-E o teu?&lt;br /&gt;-É Ynglid.&lt;br /&gt;-Como?&lt;br /&gt;-Ynglid. Tipo Ingrid, mas com L no lugar do R.&lt;br /&gt;Risos.&lt;br /&gt;-Inusitado.&lt;br /&gt;Cada palavra soava mais impossível, mas o sujeito era de uma autoridade tão incrivelmente vaticinante que sra. Eros lhe desabou.&lt;br /&gt;-A arbitrariedade da SAPD se dá com a coerção psicológica.&lt;br /&gt;Abandonou a lição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4.Escalpelar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como é sempre para os ateus, quem dita as regras é o corredor.&lt;br /&gt;Ynglid era apenas uma plebéia, não tinha direito ao carnaval dos grandes. Era ali, na diagonalidade do seu espaço, apenas a porca da seção inferior da infinita máquina social.&lt;br /&gt;-Sociabilismo! Doença!&lt;br /&gt;Mas tapava os ouvidos de alienar.&lt;br /&gt;-Destruir o dinheiro! Destruir o dinheiro!&lt;br /&gt;A crise era intra; exoesqueleticamente, tudo indicava normalidade; o índice geral de proteínas mantinha-se, como as manhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa folga um sujeito aleatoriamente chegou-lhe.&lt;br /&gt;-A moda para o inverno agora é o convívio.&lt;br /&gt;Não lhe deu muita bola.&lt;br /&gt;-Poético.&lt;br /&gt;-Não! Real!&lt;br /&gt;Não esperava a réplica. Quando se dera conta da dimensão da filosofia, o inconfidente já zarpara, estava à sombra de alguma maravilha arquitetônica.&lt;br /&gt;Sra. Eros olhou para fora, a procurá-lo, e só achou o que acharia naquele lugar; faraonismos exclusivistas.&lt;br /&gt;Apoiou a cabeça sobre os braços, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jazz&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Dormiu tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5.Anti-gravitacional&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrancelhava pra tudo. Depois de uma fase percevejante resolvera nascer, e desconfiava dos lados, dos ângulos, das linhas, das bissetrizes e todas as Beatrizes que lhe emboscava.&lt;br /&gt;Com os amigos, era uma lixa.&lt;br /&gt;-Comida de tiozão não rola.&lt;br /&gt;E eles tentavam engolir, mas não ajudava.&lt;br /&gt;-Você lembra lembra lembra lembra?&lt;br /&gt;-Por que eu ainda insisto em me afirmar imbecil saindo convosco?&lt;br /&gt;E o mal-estar então coloria além das placas de queratina. Mas os pobres pobres não desistiam de tentar calmar-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase-sucesso. Extraíram-lhe, aquele dia, um mol de civilidade. A calmaria, contudo, estatuetava-se em platonismo.&lt;br /&gt;-Talvez até guarde uma ternura secreta pelo meu pai. Mais cenoura?&lt;br /&gt;-Não, obrigado. Como assim, Ynglid?&lt;br /&gt;Eram brisas de aspirantes a psicólogos, com seqüelas de lisergia física e artificial.&lt;br /&gt;-Não sei. É um sentimento azul.&lt;br /&gt;E a trupe gargarejava de solidariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;6.Selvageria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tendia a sexualizar tudo. Carecia demais. Pensava amplificado, e isso já lhe causara tensões. Mas sua linha de morte era uma linha de trem, e vocês sabem como isto funciona pós-revolução industrial.&lt;br /&gt;-Que eu vou com tanta intensidade que lhe arranco a língua a dentada.&lt;br /&gt;O susto era dela, dele, de todas e todos. Se apaixonava, e depois pensava com tanta intensidade que abria os olhos e já estava no metrô.&lt;br /&gt;-Como a vida tem sido dura.&lt;br /&gt;Clichezismos e lágrimas crocodilavam pelas suas curvas satanistas e salmão. Era um muro desabando.&lt;br /&gt;Tijolos de abstração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;7.Ocorrência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sra. Eros era errante corpo dentre aquela gaiola chamada parque. Suas banhas sorvetantes choravam litros de suor agridoce.&lt;br /&gt;Na sua cabeça um foguetório; que ela nadava em banheiras de uma geléia brancacenta e amarga, vinda de vários televisores boa-pinta, de bons pintos e muito dinheiro na conta. Dissecando a Lua, quase um acidente. Ou melhor, um acidente.&lt;br /&gt;-Uff! Caramba. Perdão, moço!&lt;br /&gt;-Porra, presta mais atenção por onde anda, véi!&lt;br /&gt;-Desculpa, não vai acontecer de novo.&lt;br /&gt;No que me apóio? Não havia nada mais obrigatório naquele sujeito do que a sua semelhança com o outro.&lt;br /&gt;-Depois da meia-noite, todo escravo vira um ligador.&lt;br /&gt;Flashes plasmáticos e plasmas traumáticos.&lt;br /&gt;-Ei. Eu... eu, te conheço?&lt;br /&gt;-Hein? 'Cê 'tá é maluca!&lt;br /&gt;-Guto?&lt;br /&gt;-Que mané, Guto! Vá dormir, sua louca.&lt;br /&gt;Contrariando a sugestão do quase-quebro-um-braço daquela noite preta e engaiolada, sra. Eros esforçou-se para continuar acordada.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, era uma equação disposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;8.Discussão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rebanho subterrâneo.&lt;br /&gt;Um sujeito de cima, do céu, aponta pra baixo e, randomicamente, escolhe a sra. Eros.&lt;br /&gt;-Desce agora e rapa aquela tia.&lt;br /&gt;O pobre pobrezinho fluidamente escorre pela plataforma e domina todo o pasto. É de uma geografia ímpar, sua sensibilidade o orienta até a bolsa da coadjuvante.&lt;br /&gt;-Ei! Trombadinha! Pega ladrão!&lt;br /&gt;Registrando o Boleto de Ocasionismos, era um humano áspero perdido entre a lã onírica.&lt;br /&gt;-Escuta! Se vocês sabem que aqui é onde tem mais trombadinha, por que não aumentam a fiscalização?&lt;br /&gt;-Veja bem, minha senhora, a gente não adivinha o momento e o lugar exato onde um furto vai ocorrer.&lt;br /&gt;-Mas vocês sabem que ali é um lugar perigoso, por que insistem em abandoná-lo?&lt;br /&gt;-Olha, minha senhora, nós não abandonamos o local, a senhora está exaltada...&lt;br /&gt;Queria, como todos os demais administradores de vícios com cérebros preparados para o mercado de trabalho, ter toda a razão.&lt;br /&gt;-Abandonaram sim!&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;-E eu não estou exaltada.&lt;br /&gt;Em casa era inconsolável. O ovomaltine ia ficar pra a próxima semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;9.Tentativa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Faz tempo que eu não falo com o Senhor.&lt;br /&gt;-Você se comunica com Ele?&lt;br /&gt;Só podia ser balela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;10.Cidadania&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus amigos curupiravam no boteco e ela com sua indignada história apenas era.&lt;br /&gt;Luzes de emergência.&lt;br /&gt;-Porra, presta mais atenção por onde anda, véi!&lt;br /&gt;Outros olhos e armadilhas.&lt;br /&gt;-A senhora está exaltada!&lt;br /&gt;Recostava-se na imbuia, imbuída em instantes, e percevejava o silêncio. Suas companhias, no entanto, cervejavam em decibéis mil.&lt;br /&gt;-Um brinde ao último semestre!&lt;br /&gt;-Viva!&lt;br /&gt;E vivavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sra. Eros, cada dia era um romance.&lt;br /&gt;Depois que se responsabilizara pelo cumprimento masoquista de tarefas desnecessariamente imprescindíveis, seu dia passou a contar com mais horas, toda hora um amor.&lt;br /&gt;Sua respiração era uma mixórdia de termos como dialética, academicismo, masdeísmo, látex e barbárie. Cada humor é um quilômetro e cada quilômetro são mil bipolares.&lt;br /&gt;E o sono era só uma descarga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;11.Anunciação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não era fada, porque ela não existe. Tampouco deus. Esquizofrenia, talvez. Sonho, então. Alucinação pelo estresse. Só não podia ser lisergia.&lt;br /&gt;Mas era. Pelo menos pareceu ser.&lt;br /&gt;-Viva!&lt;br /&gt;-Como?&lt;br /&gt;-Sofra, e então viva!&lt;br /&gt;-Do que 'cê 'tá falando?&lt;br /&gt;-Você só pode saber sofrendo!&lt;br /&gt;Talvez fosse Cristo.&lt;br /&gt;-Sofrendo? Como assim?&lt;br /&gt;-A felicidade não é o objetivo, mas sim a estrada!&lt;br /&gt;-Kafka? É você?&lt;br /&gt;-O limite da felicidade, é a morte!&lt;br /&gt;-Alô!? C-como?&lt;br /&gt;-O limite da felicidade, minha cara, é a morte!&lt;br /&gt;-Q-quê? Kafka?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não acreditava em fantasmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;12.Adendo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não duvidou desse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;13.Procura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o sono era uma só descarga. Relampiava de exaustão, e logo a grande nuvem ameixante cedia.&lt;br /&gt;Luzes de emergência.&lt;br /&gt;Deixara de sobrancelhar, e agora claraboiava nas ruas.&lt;br /&gt;Elegia uma cena e sonhava em tê-la, guardada num pote sufocado, exposta na estante, no instante.&lt;br /&gt;Alguém lhe dissera para deixar os zebrismos em um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tapperware&lt;/span&gt; hermeticamente distante.&lt;br /&gt;Sra. Eros tentava. Não! Ela até conseguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você eu me esqueço.&lt;br /&gt;E que vantagem leva Maria nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;14.Achado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas cada poça era um açude.&lt;br /&gt;Cada rua era um sulco.&lt;br /&gt;E estudava as coisas nas escalas mais malucas.&lt;br /&gt;E já chegara no ponto onde a rua é a casa, quando a noite é o mundo.&lt;br /&gt;-Acho que vou procurar uma Psicóloga.&lt;br /&gt;Porque não podia procurar a si.&lt;br /&gt;Mas achava. Era um poço de poesia, de um kafkianismo ímpar e de uma auto-negação par.&lt;br /&gt;E culpava a aparição.&lt;br /&gt;-Maldição! Aquilo só podia ser coisa da minha cabeça!&lt;br /&gt;Mas era.&lt;br /&gt;-Eu só posso 'tá maluca.&lt;br /&gt;E ia se imaginando presa em um número irracional, enquanto mutilava chicletante as suas unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;15.Aflição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sonhou em ser uma estátua.&lt;br /&gt;Imaginou a conveniência do desdispêndio e da corrosão bostal das pombas, do terror escatófago das bactérias filomérdeas, do postalismo de atentados, da tentação das câmeras, da poluição celestial e da impotência sentimental.&lt;br /&gt;Mas o pior, o que lhe causava a maior aflição, era a unha tapada.&lt;br /&gt;Vejam só, unha tapada!&lt;br /&gt;Unha tapada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então, Ynglid, o que você tem pra me contar?&lt;br /&gt;Aquela voz cálida e gélida e agudo-grave e fétida e despeculiar.&lt;br /&gt;-Eu ouvi um fantasma, ou sei lá o quê! Eu sei que não foi deus porque deus não existe, mas não sei o que pode ter sido. Só sei que isso mudou minha vida... Err... Eu fiquei assustada, resolvi procurar ajuda, mas eu 'tô vendo a vida de outro jeito agora e... Err... Espero que isso ajude, porque eu não gostaria que isso acontecesse de novo e... De novo, porque eu fiquei assustada, e eu não sei o que pode ter acontecido. Quer dizer, não sei o que pode ser sido aquilo, né? Por isso que eu estou aqui, pelo... Pra procurar ajuda, mesmo, queria alguém especializado, né?&lt;br /&gt;Desenredava com letras maiúsculas de criança.&lt;br /&gt;E a psicóloga classificou como resistência à terapia, mas sra. Eros não pisou mais naquele consultório durante bons cometas.&lt;br /&gt;E voltou a fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;16.Ligação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alô!&lt;br /&gt;-Alô! Almeida!?&lt;br /&gt;-Quem?&lt;br /&gt;-Almeida? É do Almeida?&lt;br /&gt;-Não, foi engano.&lt;br /&gt;E sentava exausta de tédio, feito alegoria machadiana, lasciva e comercial, embora ninguém a encontrasse. O mundo era uma esfera abandonada no universo, esperando apenas ser atingida por um taco de golfe enorme.&lt;br /&gt;Seu suspiro carbônico era um convite à náusea, desmeninava-se a cada tragada.&lt;br /&gt;-Eu não sou maluca.&lt;br /&gt;Enormemente, sua imagem no espelho contorcia-se de risos a juro, endividando sra. Eros de superar-se.&lt;br /&gt;-Amar é uma overdose de azul.&lt;br /&gt;Não entendia como aqueles morfemas sinestésicos saíam de sua garganta alicerçando orações tão estúpidas e insuportavelmente floridas.&lt;br /&gt;Tocava.&lt;br /&gt;-Alô!&lt;br /&gt;-Alô! Almeida!?&lt;br /&gt;Quantos séculos esperaríamos pelo taco de golfe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;17.Lavanderia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o mar era um vômito limpo.&lt;br /&gt;Na viagem era uma esperança, no passeio uma angústia.&lt;br /&gt;Olhava pra todo aquele brilho e morria.&lt;br /&gt;-Porque eu sou apenas uma plebéia.&lt;br /&gt;O acesso que àquilo tudo teria não passaria do mero masturbatório. Pelo menos era nisso que pesadelava, e o dizia vida, e o maldizia vida.&lt;br /&gt;Cachoeirava-se de céus cristalinos e infláveis. Enqüanto tudo à sua volta sorria, desdentava-se de mutilar, mangueirava seu pranto radialmente.&lt;br /&gt;Enfim, pedrachutava, mas não perdeu a culinária local.&lt;br /&gt;Luzes de emergência.&lt;br /&gt;Não houve de volta à cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18.Isolamento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tant'antes d'acabar a excursão, zebrou-se em uma árvore, solitária e minhocante.&lt;br /&gt;As velhas haviam ido à cidade chocolatear o mundo com as suas unhas postiças, tingindo de azul-petróleo o resto do que sobrava de calor. Mas sra. Eros não queria tanto vestir uma alegria postiça, e zebrava-se a dois metros do inferno.&lt;br /&gt;-Viva!&lt;br /&gt;-Você de novo?&lt;br /&gt;-Sofra, e então viva!&lt;br /&gt;-Escuta, eu não sou maluca, sai daqui da minha vida, da minha árvore, da minha excursão...&lt;br /&gt;-Calma, meu amigo, eu tenho várias notícias pra te dar.&lt;br /&gt;-Em primeiro lugar, eu sou mulher! Em segundo, você não tem nada pra me contar porque você não existe!&lt;br /&gt;-Então... A primeira diz respeito ao seu sexo.&lt;br /&gt;Nesse instante, sra. Eros se despede de seu galho, e mergulha ao sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19.Do acordar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. Eros levanta-se sujo de petróleo, panoramiza, pirâmides e prédios avulsos, maravilhas da genética, cores conhecidas que não pagaram a conta do analista, velhos números que conquistaram a anistia, Raoul Vaneigem e construções flutuantes de Duchamp, De Chirico, Do Campo, deduzidas e dedadas hospitalares, romances e cavaleiros, romãs e covinhas, menestréis e trovas pornocálidas, sujeitos tulipantes e escravidão das flores, escravidão das cores, tons de tabaco, cafezais trigueiros e muito Van Gogh, passeando entre as mangas, os maracujás e as jabuticabas, muitos janeiros e agostos, talvez outubros, cachaça que jorrava das picas, puteiros, palhaços discutindo Marx, caralhos voadores, céu de azia, carros subcelestiais, experimentalismos etílicos, acarajés no céu, sociologia da química espacial e curatoria especulativa, retórica mágica e feitiçaria láctea, intolerância a rã, espadas de latão, chaves-de-fenda de Cabo Verde, MDF, PVC, o Partido Canhoto de esquerda, hippies e impressoras suvinílicas do tamanho de um terremoto. Um pouco acima, alguém em um trono de aipim e vime. Conclusões precípites.&lt;br /&gt;-Eu 'tô fudido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;20.Do garçom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lhe chega um garçom e oferece um beijinho.&lt;br /&gt;-Escuta! Que lugar é esse?&lt;br /&gt;-Estamos no Céu. Vai querer um beijinho ou não?&lt;br /&gt;-Ando meio sem fome.&lt;br /&gt;-Quer falar com alguém?&lt;br /&gt;-Seu superior.&lt;br /&gt;-Siga ali.&lt;br /&gt;Apontou um escorregador aquático.&lt;br /&gt;-Muito obrigada.&lt;br /&gt;O garçom sobrancelhou-se.&lt;br /&gt;-Oh! Perdão, ainda não estou muito acostumado com minha mudança de sexo.&lt;br /&gt;-Ah! Normal, troquei de sexo há dois dias, às vezes me confundo também.&lt;br /&gt;-Estou indo.&lt;br /&gt;-Boa sorte!&lt;br /&gt;-Obrigado.&lt;br /&gt;Ynglid Eros, que agora pensava em trocar de nome, já esboçava um salto no tobogã, então periquitou-lhe novamente o garçom.&lt;br /&gt;-Mas tem uma coisa!&lt;br /&gt;-Que é?&lt;br /&gt;-Meu superior pode te pedir um beijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;21.Do rei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pernambucodonosor era o Estado daquele reino. Era até ele que sr. Eros deveria chegar para saber de todo aquele atum.&lt;br /&gt;Despiscinou-se e vagou em busca de um cheiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tutti-frutti&lt;/span&gt;. Eram ecléticos os assuntos nas vias.&lt;br /&gt;-Sempre bate uma crise à tardinha.&lt;br /&gt;-Isso é tão semana passada...&lt;br /&gt;Pestanava a cada saco de café. Era um sinal gráfico. E os ruídos continuavam.&lt;br /&gt;-Qual é o seu trabalho?&lt;br /&gt;-Eu detenho pessoas.&lt;br /&gt;Tanta pizza.&lt;br /&gt;-Você cheira a manjericão.&lt;br /&gt;Aulas de inglês.&lt;br /&gt;-&lt;span style="font-style: italic;"&gt;You have a hair, don't you&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;Particularidades mil. Virgulava entre consertos concertantes.&lt;br /&gt;-Meu pai é taxista.&lt;br /&gt;-Amor, pega um tijolo?&lt;br /&gt;-Eu tenho um amigo que tomou chá-de-fita e 'tá vestido de palhaço até hoje!&lt;br /&gt;-É, vó! Cada um no seu quadrado!&lt;br /&gt;Eram tantas cenas convexas que sua desquebrada cabeça concavava no solo em busca de novos compartimentos, eram galerias lotadas, sapateiras e gaveteiras tão fortemente agregadas que era um tanto mais e novo universo explodia. Lhe sumiam as tintas dos olhos.&lt;br /&gt;-Por que eu mudei tanto?&lt;br /&gt;E rumava a tal Pernambucodonosor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;22.Da loucura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sequer entendia por que já se desengavetara tanto, mas era parte de tudo aquilo, sonho que aquela fada maluca, que ela não existe, certa estrela lhe argüiu.&lt;br /&gt;-Eu vi, eu vi! O amor é o meu país!&lt;br /&gt;E ia tijolando vazios, em busca do seu.&lt;br /&gt;Aquilo que era vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;23.Movimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Viva!&lt;br /&gt;-Vai tomar no cu!&lt;br /&gt;-Sofra, e então viva!&lt;br /&gt;Ynglid Eros tirou de dentro das urtigas uma pistola, e assassinou seu fantasma com circunstância de pompoarismo. Poupou a arma abandonando-a em um movimento retilíneo uniforme, variado e bem longe, mais campos urtigados.&lt;br /&gt;-Mas já não era sem tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;24.Notícias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro garçom lhe chegou.&lt;br /&gt;-Ficaste sabendo, senhor? Nosso brigadeiríssimo chefe Estratífico Pernambucodonosor Terceiro morreu, de operetas amendoístas.&lt;br /&gt;Era de sr. Eros uma peregrinação caçambada.&lt;br /&gt;-Puta que pariu!&lt;br /&gt;Era apenas uma pejoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha tanta importância naquele lugar.&lt;br /&gt;Como possível, se toda essência e doce era capaz de algodoar qualquer ternura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;25.A democracia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vias eram uma só descarga, haviam naus que escapavam de medo, caravelas apagadas e vários guris e garis comemorando e criando enormes labaredas com suas vassouras.&lt;br /&gt;-Somos um povo livre!&lt;br /&gt;Ninguém nunca ia pensar que o governador do Céu seria deposto por uma revolução anafrodita, sr. Eros soluçava um gelo de pedra, ou uma pedra de gelo.&lt;br /&gt;-Ninguém vai acreditar em mim quando eu contar o que vi aqui.&lt;br /&gt;Mas já não sabia se vazava. Se acostumara tanto com a sua recém-calculada peregrinação até o soberano, aquele lugar tão redondo, com ciclovias, urbanismo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gay&lt;/span&gt; e vitrolas-de-esquina. Viraram para si feito uma família.&lt;br /&gt;Um alto-falante pensou.&lt;br /&gt;-Decretamos esta nação como laica, tolerante a todas as crenças e descrenças de seus cidadãos. Meus amigos, o Céu é livre!&lt;br /&gt;Um grito ecoou por entre todas aquelas nuvens roxas, cinzas e vermelhas.&lt;br /&gt;O céu era livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;26.Vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquiatava-se todas as manhãs.&lt;br /&gt;Era um gelo quando quisesse, a lua eram duas palmas, e toda a noite tinha a matinê no Cinema Olímpia. Sim, porque atrás da esquina estava o Olimpo, o futuro e a manufatura de cerveja.&lt;br /&gt;Tinha casinha, parceiros, parceiras, wireless, comodidade e tolerância a lactose. E tudo isso sem moeda alguma, o Estado fora abolido pelos anafroditas. A demografia era constante, nunca havia problemas populacionais, a questão geográfica era vaginal. Quando alguém morria no Céu, e ia para o cemitério do Araçá, outro vinha -escolhido ao acaso em um lugar avulso, tipo o banheiro- e supria o pódio.&lt;br /&gt;E, o melhor, quando você quisesse ser uma estátua, era só ir ali no Congelador Público, do lado dos Correios, e saudar a tiazinha da Cantina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;27.Do teste&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi com a tiazinha da cantina que sr. Eros descobriu sua verdadeira vocação.&lt;br /&gt;Era, naquela bola azul e verdejantemente podre, senhor de sua tragédia, num serviço de merda, numa firma que o explorava (os anafroditas haviam abolido a mais-valia), numa faculdade que dele demandava &lt;span style="font-style: italic;"&gt;newtons&lt;/span&gt; de paciência e cafeína. No Céu tinha liberdade plena e assimétrica para traçar os seus limites, as suas buscas, e os seus próprios chás-gelados.&lt;br /&gt;-Ei! Que ótimo! Como faz isso?&lt;br /&gt;Pacientava-se morfinante, e seu suspiro tóxico significava "eu vou ter que ensinar mais um", mas no fundo era aquela a graça de se estar de no Céu, independente do sistema político.&lt;br /&gt;Revirava.&lt;br /&gt;-Meu filho, tudo começa com a virtude. Você tem virtude?&lt;br /&gt;-N-não sei.&lt;br /&gt;-Vamos descobrir.&lt;br /&gt;Pegou um tijolo que estava sob a pia e o fez vir ao chão, ceramizando estrelas.&lt;br /&gt;-O que você vê?&lt;br /&gt;-Cacos.&lt;br /&gt;Vomitou mais um suspiro.&lt;br /&gt;-Apenas cacos?&lt;br /&gt;Olhou pra velha.&lt;br /&gt;-Ué! Apenas cacos!&lt;br /&gt;Furou-lhe o rosto com seu globo a laser.&lt;br /&gt;-Tem certeza?&lt;br /&gt;Sr. Eros olhou mais uma vez para sua alma pedaçada em despedaços cor-de-carne. Então, um prazer súbito lhe arrancou a eletricidade dos órgãos e um estalo navegou em seu sangue em um segundo na velocidade da luz. Suas retinas piscaram natalinamente.&lt;br /&gt;-Eu vejo... Um prato a menos.&lt;br /&gt;A velha então sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;28.Descoberta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, em pouco tempo, oficial de massas, em um distrito chamado Pasta. Olimpiava-se em nuvens de melodia, trabalhava no barulho mais calado e gasoso horas a fios de óleo, e de ovos, todos os dentes, todas as bocas, todos as pastas.&lt;br /&gt;Farelava até o tardecer, quando flutuava até a noite, em um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jet lag&lt;/span&gt; desconfuso e imaginário, vislumbrando aquela bacante negra, que era seu plano sonhado de cada dia, sua vida perfeita, o Céu, sob o império dos anafroditas.&lt;br /&gt;Seus estudos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in loco&lt;/span&gt; eram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;travelling abroad&lt;/span&gt;, chuva de farinha e ventanias de pedidos; cada prato era um vórtice. A alface era o mundo onde clorofilavam os amigos, as paixões, o tesão.&lt;br /&gt;Sr. Eros era feliz e sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;29.Cinema&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tensão. Naus caravelantes. Cervejas nacionais. Explosões rádio-passivas e violinantes. Semiótica camoniana e outras piadas abortadas. Gramática pederasta e perversão extra-cristã, resistência anafrodita. Auto-felação.&lt;br /&gt;-Eu acho que tenho bastante sorte.&lt;br /&gt;A filosofia era fácil como um pé-de-cabra.&lt;br /&gt;-Se eu fosse um buraco, provavelmente me preocuparia menos.&lt;br /&gt;A filosofia era fácil como o inverno.&lt;br /&gt;-Então eu certamente tenho bastante sorte mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;30.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Intermezzo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ynglid trocou de nome. Fez a festa. Preparou os robalos. Sobrou sozinho na cozinha. Olhou pro canto e ladrou uma metáfora. De um canhão saiu uma lata. Cancioneiro obituário atualizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;31.Nota de falecimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O queridíssimo Róbson Eros, oficial de massas, do distrito de Pasta, Céu, vulgarmente conhecido como senhorita Ynglid Eros, estudante de psicologia e teleoperadora, latino-americana, Terra, foi atropelado por quinhentos gramas de ervilha, no dia de sua promoção para o cargo de Celebrista Oficial das Lêndeas Anafroditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;32.Ontem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cemitério do Araçá, era uma só alegria.&lt;br /&gt;-Ah! Que bom! Verei minha família, meus tios, amigos, professores, colegas, o Donizete...&lt;br /&gt;Exultava-se de tanta folia guarda-chuvante.&lt;br /&gt;-Imagina só quando eu contar pr'eles tud'o que aconteceu!&lt;br /&gt;Com um precário pára-quedas teleguiado dirigia-se a um lugar pouco visitado.&lt;br /&gt;Quando desceu encontrou anjos, estátuas majestosas, cheiro de primaveras e árvores floridas e ensolaradas, cujo néctar atraía certa fauna voadora insetívora e grande contigente de artrópodes. Gatos viravam as pequenas esquinas, donde vez ou outra surpreendia um faxineiro.&lt;br /&gt;Sr. Eros soltou um suspiro sorridente e satisfarto de porra:&lt;br /&gt;-E eu que pensava que era assim o céu.&lt;br /&gt;O céu era muito mais legal que aquele parque, o qual alcunham cemitério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;33.Eletricidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou em perguntar-lhe qualquer coisa, só pra saber se estava vivo.&lt;br /&gt;-Ô camarada!&lt;br /&gt;O sujeito olhou.&lt;br /&gt;-Tem aí as horas?&lt;br /&gt;-É nove e vinte e cinco.&lt;br /&gt;-Valeu, irmão! Bom dia!&lt;br /&gt;-Disponha.&lt;br /&gt;Virou as costas e deu um salto de felicidade tão grande quanto o mausoléu dos Matarazzo.&lt;br /&gt;Não se conteve, precisava de um pouco de preocupação terrena também.&lt;br /&gt;A primeira, a saber, foi a de como voltar pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda era o jeito de explicar a sexual e tão repentina troca. Sim, porque ainda era senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;34.Apelido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta do cemitério uma criança pivetava certos trocos.&lt;br /&gt;-Ei! Moleque! Sabe quem eu sou?&lt;br /&gt;Já exausto pela sua atividade matinal de esmolar, farelar, apanhar e cheirar cola, impetava encapetamentos o garoto, mas sua fome, sua obrigação, era maior do que sua paciência.&lt;br /&gt;-Quem é, tio?&lt;br /&gt;-O senhor Oficial de Massas de Pasta! Grã-Pasta! Lugar para poucos!&lt;br /&gt;Sr. Róbson Eros, outrora Ynglid, moça escalafobética e desvaginista, agora orgulhava-se da fotografia masculina.&lt;br /&gt;Tem coisas que nem Freud explica.&lt;br /&gt;-Como assim, tio?&lt;br /&gt;-Eu era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chef&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;-Chefe de quem, tio?&lt;br /&gt;-&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chef&lt;/span&gt; de cozinha.&lt;br /&gt;-E cozinha tem chefe, tio?&lt;br /&gt;-Eu não sou seu tio.&lt;br /&gt;E o pobre pobre ficou sem o trocado das nove e meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;35.Intervencionismo involuntário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulou a catraca. Vieram uns quinhentos.&lt;br /&gt;-Ei, ei, ei, amigo. Onde 'cê pensa que vai? Volta aqui!&lt;br /&gt;A carteirada não funcionaria.&lt;br /&gt;-Sou Oficial de Pasta, vim do Céu, o pára-quedas me deixou aqui no cemitério...&lt;br /&gt;Nem terminou o texto, escoltavam-lhe.&lt;br /&gt;-Vixe! Esse aí tomou um dos bons.&lt;br /&gt;-A gente tem é cara de palhaço, né?&lt;br /&gt;-É o quinto só hoje. Deve ser trote, estudante de teatro, sei lá!&lt;br /&gt;Intervenções urbanas são fenômenos característicos da pequeno-burguesia em bairros ricos do Centro-Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;36.Amizade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiu as escadas do metrô.&lt;br /&gt;-Ei, amigo! Me dá um troco, eu vim do Céu e lá eles não usam dinheiro.&lt;br /&gt;As meninas umbigavam debochantes, os rapazes ignoravam com narigadas de desprezo.&lt;br /&gt;Mudança de tática.&lt;br /&gt;-Putz, velho! Eu pensei que tivesse o dinheiro da passagem, mas eu calculei mal e...&lt;br /&gt;-Ei, camarada!&lt;br /&gt;Era o responsável pelo pivete.&lt;br /&gt;-Aqui a área é nossa, a gente precisa comer, não enche mais o saco.&lt;br /&gt;Desceu novamente as escadas e foi pedir lá embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;37.Prostituição visual&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda catracava de esperança.&lt;br /&gt;Bem vestido, uns tons groselhavam, com notas tabacantes de restos de bacantes sortidas, avulsas e randômicas pela calça, e bochechas empinadas, gola xadrez.&lt;br /&gt;Era feito uma árvore de lembranças, incrivelmente disposta, como se tivesse dormido e o céu tivesse passado por uma revolução anafrodita.&lt;br /&gt;E nem demorou muito, uma velha lhe deu uns trocos. E deu muitos trocos. Um tanto mais e dava pra comprar um Bilhete Único.&lt;br /&gt;-Eu não sou puto, tia.&lt;br /&gt;Em frente a eles, zombou-lhes a sina, os funcionários do metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;38.Visitado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era um olhar só.&lt;br /&gt;Era suas roupas anafroditas, seu corpo simetricamente apolíneo, sua boca dionisiacamente afrodisiaca, algum quê de engolir.&lt;br /&gt;Arrepios à flor da imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;39.Do inferno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada podia ser mais diferente, nesse esterco povoado que chamam de Brasil.&lt;br /&gt;No metrô os teventes piscavam ao nada, bando de desencontrados oculares, frota de passageiros rumando ao cálice mortífero de suas vidas, sobre uma minhoca metálica e magnética, da qual nada sabiam além da tarifa e do serviço, pessoas precisando dos néctares e alucinógenos sociais, pessoas hipnotizadas por uma caixa, esticados os olhos até a palma ótica das fibras, pessoas situadas no limite de convergência entre o saber tecnológico e a novela tectônica, pessoas situadas pela geografia dos mapas metropolitanos, pessoas que não conheciam o Céu, nem os anafroditas, nem as jabuticabas.&lt;br /&gt;Pessoas sem amor, e sr. Eros as deprimiu durante um segundo gelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;40.Pausa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceleração negativa. As duas longas pernas metálicas e magnéticas agulharam a minhoca cardíaca.&lt;br /&gt;-Atenção, senhores passageiros. Há um assassino a bordo!&lt;br /&gt;Nossa, que grave falta.&lt;br /&gt;-Mas não há motivo para pânico, o problema já está em vias de ser resolvido. O metrô agradece a compreensão.&lt;br /&gt;Da caverna de concreto surgiram vultos apagados, silhuetas que eram pesadelos, que forçaram a porta do vagão de Sr. Eros. Este, capturado.&lt;br /&gt;-Puta que pariu!&lt;br /&gt;Era um sortudo ou um azarado.&lt;br /&gt;Melhor os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;41.Sob grilos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritos de protestante, de subjugado lumpemproletário.&lt;br /&gt;-Ei! Senhor! Senhor!&lt;br /&gt;Ofegante, sufocado, transportado em uma velocidade judiante.&lt;br /&gt;-Que eu fiz agora?&lt;br /&gt;Trancado numa sala escura. Grilhões.&lt;br /&gt;-De que tamanho é este metrô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob trilhos, só sr. Eros e sua disposição recém-grilada, prestes a grelhar-se os miolos, a porta desapartou-lhe.&lt;br /&gt;-Senhor Camilo?&lt;br /&gt;-Eu me chamo Róbson.&lt;br /&gt;-Pode ser. Ocupação?&lt;br /&gt;-Antes de trocar de sexo, era registrado como Ynglid Eros na Teí Telemarketing, também estudante de Psicologia pela Universidade Metropolitana de Psicociências. Depois fui para o Céu, hoje me chamo Róbson Eros e fui aluno de Lis, cantineira de Pasta, até a minha promoção de Celebrista Oficial das Lêndeas do Partido.&lt;br /&gt;Um saco repetir as mesmas coisas. No céu as pessoas não dão tanta satisfação da vida. A Terra é um lugar para desapontados.&lt;br /&gt;-Não entendi nada do que você falou. Dá pra repetir?&lt;br /&gt;Pensando bem, no céu não tem metrô.&lt;br /&gt;-Senhor. Por favor, me chame de Senhor.&lt;br /&gt;Mas arrogância não era uma boa opção naquele instante. O outro sobrancelhou-se.&lt;br /&gt;-Me chamo Róbson. 'Tava voltando pra casa. Trabalho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chef&lt;/span&gt; de cozinha num restaurante lá do Tatuapé, onde moro.&lt;br /&gt;Pragmatismo. Ainda não entendia do rapto.&lt;br /&gt;-Por que vocês querem me pegar?&lt;br /&gt;-Tem documento aí?&lt;br /&gt;-Esqueci antes de sair de casa.&lt;br /&gt;-O motivo de sua captura é o fato de nós termos te confundido com um traficante que estaria no trem. Mas ele fala apenas espanhol. Você deu azar, ele 'tava vestido exatamente igual a você, mas já percebemos que o seu rosto difere bastante do dele.&lt;br /&gt;-Err... Jura?&lt;br /&gt;-Só um instante.&lt;br /&gt;Tirou uma folha do bolso e mostrou uma foto do traficante, a que rodava por aí com a legenda de "Procurado", destacando que ele estava de fato vestido igual ao sr. Eros.&lt;br /&gt;O interrogador abriu a porta e disse que sr. Eros saísse, enqüanto atendia seu celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;43.Campainha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. Eros então percebeu que as pessoas só olhavam pra ele por causa de suas roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;44.Crise&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponteiros apontavam o final da tarde. Desistiu do Tatuapé. Queria um chá-gelado. Não queria a vida de antes. Não queria horas suicidantes, apenas sucrilhantes momentos, doces como as luas, corajosas como satélites e cometas. Queria a luta de ser e não ser. Queria sobretudo morrer nadando em paletas impressionistas, expressamente cafeinantes, altos teores de lipo-pregadores, varar os varais, sabonetando o céu, enxugando o chão, conquistando o inferno seu de cada longo centímetro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;45.Abandono&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desistiu inclusive do seu cachorro chamado Donizete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;46.Com leite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chutando as pedras de sua vida, encontrou uma oportunidade amassada. Agarrou a nota. Eram dois reais.&lt;br /&gt;Passara uma época no céu, todavia as coisas pareciam nada ter mudado. Nem seus preços.&lt;br /&gt;Parou no boteco e pediu um pingado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do balcão via a estação de trem do Brás, onde resolvera abandonar de vez sua vida. Vivendo.&lt;br /&gt;O pingado evaporava corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;47.Do tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Pedro é para quem os cristãos oram quando querem se ferrar.&lt;br /&gt;De repente o céu descarregou toda a sua vontade em balões redondos e quentes. Piratas urbanos sacolejavam de desespero, nem sequer os pivetes e as ninfetas viam poesia naquele aguaceiro. O tempo quando as pessoas celebravam o cinzento celestial era um tempo dos livros, cérebros dissimulando.&lt;br /&gt;-Passam uns séculos, esses cabaços do futuro me dissecarão. Vão achar até a chuva bonita.&lt;br /&gt;Passado o sarcasmo, o escritor atordoado auto-mutilava.&lt;br /&gt;A História é cheia de malucos e superstições cretinas.&lt;br /&gt;Uma delas, é orar pra São Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;48.Pingado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou um molhado, sentou-se ao lado se sr. Eros e ordenou um pingado. Puxou papo.&lt;br /&gt;-'Cê viu o negócio dos César? Que absurdo.&lt;br /&gt;A voz era cega como uma meia-caverna.&lt;br /&gt;-Ando meio desatualizado...&lt;br /&gt;Uma gargalhada pontuda feito uma estalactite. Sr. Eros não entende, e atém-se aos discursos espermaculados dos tiozões do balcão. Todavia, o sujeito molhado insiste.&lt;br /&gt;-Você não vai acreditar. Eu acabei de voltar de uma reunião de AA. Sabe o que é AA, né?&lt;br /&gt;-Alcoólicos Anônimos?&lt;br /&gt;-É! A minha mulher me deixou faz um mês porque eu apareci bêbado uma vez em casa. Uma vez! -enfatizava a quantidade de vezes como se elas invalidassem a atitude da mulher.&lt;br /&gt;Sr. Eros fingia dar-lhe atenção com olhos sepulcrais, de quem está submerso há quinze séculos.&lt;br /&gt;-Na verdade, ela me expulsou de casa. Falou pra eu nunca mais voltar. Então eu quero mostrar pra ela que eu posso mudar, já 'tô procurando um emprego, indo no AA, fazendo o diabo que posso...&lt;br /&gt;-E você 'tá morando onde, agora?&lt;br /&gt;-Aluguei um pedacinho por aqui com o dinheiro da poupança.&lt;br /&gt;-Camarada, você não vai acreditar.&lt;br /&gt;Sr. Eros olhava fundo como uma fossa abissal.&lt;br /&gt;-O quê?&lt;br /&gt;-Minha mulher também me expulsou de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;49.Samanta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andaram umas cinco, seis quadras, estavam lá.&lt;br /&gt;Sr. Eros prometeu-lhe ajuda nas despesas da casa (só não sabia como). Quando olhou a portinhola, uma saudade longitudinal fez-lhe nostalgia insuportável. Por quanto tempo aturaria aquela solidão? E nem se passara um dia ainda. Pediu roupas, que seu novo parceiro as tinha.&lt;br /&gt;-Como te chama?&lt;br /&gt;-É Rogério, mas todo mundo no AA me chama pelo sobrenome, Albuquerque.&lt;br /&gt;-Então eu te chamo de Albuquerque?&lt;br /&gt;Tinha uma aranha alojada na janela do banheiro. Batizou-lhe Samanta.&lt;br /&gt;Mas ninguém sabe quando morre uma aranha, e nem sr. Eros sabia.&lt;br /&gt;Pobre futura indigente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;50.Insônia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a noite, acordou barras metálicas e as fechou, poucos cegos ruídos. Era um cigarro na sua boca, porque sr. Eros gostava de tutelá-los, todos os pobres, apagados, mortos, dentados. O cigarro em seus lábios sentia uma angústia de ser não-fumado, não tinha lágrimas nem labaredas, é isso que significa o inferno.&lt;br /&gt;Sr. Eros via as moças que vendiam seus corpos porque não mais os queriam, dissimulando a sensualidade que não tinham, o amor que não tinham, porque não sabiam o que era o amor.&lt;br /&gt;Nem sr. Eros e seu solitário e depressivo cigarro deveriam saber. Olhou para o céu.&lt;br /&gt;Nem a Lua devia saber.&lt;br /&gt;Voltou para a casa do novo parceiro e dormiu um sono perfumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;51.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Souvenirs&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã dos gigantes de concreto, eram minhocas despedindo-se. Cada uma um lado. O Albuquerque pagou o bilhete e foi caçar uma morte, sr. Eros pulava as pululantes catracas de sua vida. Lembrava de um lugar na Avenida Paulista, onde daria um calote alimentar bem-sucedido. Às vezes a logística dos planos nutritivos cedia a uma ou outra imagem avulsa. Riu-se de pensar no "vida pós-Clínicas".&lt;br /&gt;-Depois da meia-noite, todo escravo vira um ligador.&lt;br /&gt;E então no curso de Psicologia que abandonara, nos amigos que às vezes os tratava indiferentemente, no incidente da bicicleta no parque, no assalto no metrô, na psicóloga, na fada, na excursão e no tombo, na sua jornada atrás de um líder que foi deposto, na sua feliz vida no céu, sua carreira na gastronomia, sua volta involuntária à Terra, nos incidentes do dia passado, quando o confundiram com o criminoso da moda, quando sentou no bar e desistiu do passado, e então um recém-abstêmio lhe fez companhia no pingado.&lt;br /&gt;E então já havia esquecido dos planos iniciais do passeio.&lt;br /&gt;Aliás, os abandonara por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;52.Poslúdio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se o metrô desligasse meia noite, não haveria toda essa folga!&lt;br /&gt;A lógica só pode ser um instrumento divino, pela imperfeição terrena.&lt;br /&gt;Por entre divagações e divulgações similares, pecava, até experimentar as duas longas pernas metálicas e elétricas, sr. Eros. Outro administrador de vícios, não mais preocupado com horário nenhum, sujeito nenhum, beijo nenhum.&lt;br /&gt;-Que preguiça...&lt;br /&gt;Suspirava. A manhã fora.&lt;br /&gt;E se matou. E nunca mais viveu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7994750078513143650?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7994750078513143650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7994750078513143650&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7994750078513143650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7994750078513143650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/12/balanco-de-dois-mil-e-dez.html' title='Balanço de dois mil e dez; Prólogo.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4537012833627840260</id><published>2010-12-30T22:29:00.000-08:00</published><updated>2010-12-30T22:43:59.927-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que poeira leve...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suruba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outubrino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Minha Namorada é um Homem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Devaneios de um Octubro&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;1. Traga Sua Bandana Rosa&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;em troca de título melhor&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cheguei em casa agora, e comecei a digitar nisso que parece ser as vinte e uma e trinta e um de algo que parece um domingo -que parece quente- de algo aparentemente novembrino. E inspiradíssima para iniciar essa grande empreitada de explicar para mim mesmo -e o meu hipotético interlocutora- o que foi este último outubro -o que deve parecer estranho, já que, além das vinte e uma horas, me situo também no vigésimo primeiro dia de -nada mais nada menos que- um NOVEMBRO! Na real, uma tentativa -tive esse &lt;i&gt;insight&lt;/i&gt; há pouquíssimos minutos, pode ser uma grande mentira- de tornar patentes as razões de um vórtice criativo -impassível de ser canalizado simplesmente em um texto de blogue. Este (vórtice)!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E vou começar a contar do avesso, e não farei um texto necessariamente artístico ou necessariamente jornalístico, ou necessariamente necessário a algum gênero (algum gênero!) de, de, DE, de algo generalizável (no sentido de &lt;i&gt;compositor&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do avesso, ai céus, explico, primeiro pela tarde/noite fantástica de hoje (meu nariz tem sangrado), depois passando para uma análise da minha experiência do Show do Gongo e do festival de cinema de "diversidade sexual" Mix Brasil (droga! não estou achando o meu tilibra -bom e barato LITERALMENTE &lt;i&gt;moleskine&lt;/i&gt;), tratando de uma descobertinha-UNIFESP (marota!), e culminando (ai caralho, tenho uma prova sobre &lt;i&gt;O Capital&lt;/i&gt; inteiro quinta, não me fará mal continuar falando, &lt;i&gt;hein&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;hum&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;han&lt;/i&gt;), como uma forma de, de, de, tornar excitante, NÃO, como uma forma de tornar interessante isto aqui (&lt;i&gt;isto aqui&lt;/i&gt;?), desculpa!, como uma forma de tornar MAIS interessante o ensaio (&lt;i&gt;ensaio&lt;/i&gt;?), no enredar, no contar a grã-história, de responsabilidade de tudo ISTO AQUI, o que fui eu e o resto naquilo de nome ENUDS, o evento que mudou tudo, tudo... Ah! talvez vocês entendam, talvez eu esteja blefando CRUZES! nunca escrevi assim antes. mentira Mentira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;A&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;ny&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;way&lt;/i&gt;,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;posso começar assim falando algo, uma citação, aproximada, de uma das falas, algo como eu falando algo que foi falado (dito)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[não sei se: '&lt;i&gt;okay, então temos de rejeitar -certa forma- a identidade&lt;/i&gt;', mas]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;aqui muita gente fala SOU ANARQUISTA, bate no peito, e não interessa que corrente, mas -assumindo preceitos básicos- são anarquistas mesmo,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;muita gente é &lt;/i&gt;punk&lt;i&gt;, faz parte da cena &lt;/i&gt;punk&lt;i&gt;, a gente assume até uma ESTÉTICA &lt;/i&gt;punk [pra mim essa parte é a melhor],&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;muita gente aqui também é vegetariana, ou vegana, e assume essa identidade,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;agora, quando chega na sexualidade, a gente não pode simplesmente adotar uma identidade&lt;/i&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sensacional a observação do rapaz no Espaço Impróprio, calor pós-pulos, na discussão sobre (In)Visibilidade Bissexual, um primor, um primor! Experimentei, finalmente, depois de uma certa curiosidade, o que é aquilo que está mais próximo do outro extremo do &lt;i&gt;leque de tipos ativistas&lt;/i&gt; (o outro extremo em relação à academia, que tem sido a minha casa), e foi gostoso, e foi ótimo, 'inda que eu não tivesse como me entrosar muito bem no ambiente (mas é isso aí, quer dar uma de cientista social, antropologiza na marra!), porque eu vi o &lt;i&gt;queerpunk&lt;/i&gt;, vi os bissexuais envolvidos com causas sociais, partindo de uma perspectiva que DETESTA a macroestrutura e se deparando também com problemas comuns à macroestrutura. Eu vi a galera dos zines, as superfeministas -já, as que eu vi lá, remediadas (teoria &lt;i&gt;queer&lt;/i&gt; na veia) em relação ao rótulo "xiitas"-, vi os vegans, &lt;i&gt;bikers&lt;/i&gt;, pansexuais, [se eu fosse chutar, eu diria que tinham também] poliamantes, todos unidos em um espaço, lutando entre a ciência &lt;i&gt;rudimentar&lt;/i&gt; e a prática cotidiana para simplesmente se encontrarem, e PARA SE ENCONTRAR, porque não se sentem amparados -estes INDIVÍDUOS, se é que o termo pode ser empregado sem conotação pejorativa- pelas identidades comuns e coercitivas -afinal, no limite, ninguém pertence a nenhuma dessas identidades-, simplesmente para continuarem vivos moral, física e psicologicamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E vi o show do &lt;b&gt;Teu Pai Já Sabe?&lt;/b&gt;, e cantei, e vibrei, a suei, e me realizei, no sentido em que venho inaugurando esse novo &lt;i&gt;realizar&lt;/i&gt;, essa nova &lt;i&gt;sensação&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Puta, viado, travesti é engraçado&lt;/i&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Não consigo entender que tanto se importar com a minha sexualidade, se vai ou não aceitar. Minha vida só pertence a mim, eu não devo nada dela a você, faço o que eu estiver afim e não me importo com o que você vê&lt;/i&gt;! E gritos e braços e vidas saltando rumo ao limite dos músculos (e também aos limites dos fluidos músico-espaciais -bateria e guitarra e baixo e voz e vidas de verdade!) em um uníssono: &lt;b&gt;GAY! GAY! GAY!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas obviamente são/éramos todos &lt;b&gt;QUEER&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Definitivamente, fodeu o meu re-seio pré-rolê. Trombei uma conhecida tagarela, e isso ajudou. Mas, não tem como falar se não for assim como estou, emotivamente, porque o rolê foi alg'assim, tipo, precisamente emocional. Quando eu falar do festival de cinema Mix Brasil o tom será outro. Enfim, &lt;i&gt;uh&lt;/i&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desejo desejos e beijo a vida no -acho!- morno domingo. E vamos à luta proletária, que o professor Musse (que não é necessariamente um doce) me espera -na porta das manhãs ou- quinta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidi agora contar a minha aparição na revista Época, e, portanto, sobre o grupo DS e &lt;i&gt;what the fuck&lt;/i&gt;, e isto será depois da análise do rolê Mix Brasil, porque aconteceu antes. É, acho bom fechar este texto em cinco partes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ai, melhor! Vou falar da bicicletada também. Vocês verão, vocês-verão, &lt;i&gt;whatever&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para o resto, para a vida, para os dias, as manhãs,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tragam sua bandana rosa e entrem no mote frenético.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;talvez 22h40&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;21112010dc&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;2. Impressões sobre o 18º Festival de Cinema Mix Brasil&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, em mais um morno (abafadíssimo) domingo, me sinto inspirado para escrever mais sobre as minhas últimas incursões, talvez conclua o serviço, talvez não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, não posso falar  sobre o Mix Brasil sem declarar opinião a respeito de dois marcantes e recentes acontecimentos, mais precisamente ligados à disposição social desta cidade sem estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem mais delongas, nas três ou quatro últimas semanas a mídia tornou públicos três, quatro ou cinco casos de crime de ódio na cidade (estabelecendo ainda um diálogo com a população -massa- de cunho -chuto!- inédito). O julgamento dos envolvidos em um desses casos teve direito a remake, dada a pressão civil. Dada a pressão civil, quem diria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje rolou um "beijaço" (um evento estranhíssimo, confesso, mas &lt;i&gt;tudo vale a pena se a alma não é pequena&lt;/i&gt;) em oposição a uma ação homofóbica da parte da Ofner &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; dois &lt;i&gt;boys&lt;/i&gt; que apenas se beijavam no estabelecimento e foram expulsos, há poucos dias. O rolê partiu da Ofner, na Alameda Campinas, um point familiar, chique e grã-fino situado no meio do Jardim Paulista, subiu até a Paulista e culminou no 777, endereço onde um &lt;i&gt;boy&lt;/i&gt; foi agredido por cinco &lt;i&gt;playboys&lt;/i&gt; há três ou quatro semanas, o que gerou repercussão absurda -e, quem sabe, positiva- no espaço do debate.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais interessante hoje, foi o fato de (impossível não usar categorias de classe para tornar mais claro) o beijaço ter partido de uma iniciativa da classe alta. A luta política por direitos de exercer a sexualidade na classe alta, com direito a cartolina e palavras de ordem -algo a que, visivelmente, as pessoas ali presentes não estavam muito acostumadas. Acho que isso representa alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segundo -fantástico!- evento que gostaria de relatar, foi o ato realizado na frente da Universidade Mackenzie, em virtude do manifesto que o chanceler (algo parecido com o reitor, não está muito claro comigo) Augustus Nicodemus (será que é assim que escreve?), um representante da Presbiteriana (mais dela do que do Mackenzie, pelo que se viu), emitiu -como sendo da Universidade-, se pronunciando contra a aprovação do Projeto de Lei Constitucional que legaliza a união civil entre homossexuais e criminaliza a nível federal a discriminação por orientação sexual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A comunidade não recebeu o manifesto de bom grado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há como explicar como uma mobilização planejada por quatro estudantes inter-universitários se transformou naquele monstruoso ato de quatrocentas pessoa na frente do Mackenzie que, numa expontaneidade enudiana (mais tarde vocês entenderão o termo), transmutou-se, o ato, em uma passeata que mudava de objetivo conforme a disposição da multidão aumentava. Do Mack para o Maria Antônia, para a Augusta e depois para a Paulista e, por fim, para o 777. Repercutiu na mídia (a não ser a televisiva, tenho a impressão).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu me senti mais contemplado nesse dia (talvez mais precisamente pelo caráter não-institucional do evento) do que na Parada &lt;i&gt;Gay&lt;/i&gt;, aquele grande carnaval fora de época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Fundamentalistas, as bichas invadiram a Paulista&lt;/i&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se deve esperar de um festival que promove no próprio slogan a bandeira da diversidade? Oras, a diversidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O projeto democrático do Festival de Cinema Mix Brasil, pareceu-me, em uma análise rudimentar, uma tentativa de reproduzir -ou de adequar-se- a classes de indivíduos socialmente representativos de contextos sociais categorizados segundo um status econômico e cultural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, a classe alta foi contemplada com o Museu da Imagem e do Som (situado no meio das mansões do Jardim Europa), onde foram exibidas as mostras competitivas de curtas (já me detenho a estes) com direito a caipirinha de maracujá, tomate, cachaça de primeira linha e o escambau.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A classe média alta foi agraciada com o alto preço do tíquete do CineSESC e do Espaço Unibanco de cinema, e com a sessão do Show do Gongo (mas neste não me deterei, é uma experiência muito estranha, não sei se estou apto a explicar este fenômeno).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A classe média média e média baixa interessada foi até a Galeria Olido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a classe dos subrepresentados e marginais amantes irreversíveis ganharam da mostra um filme pornô de zumbis &lt;i&gt;gays&lt;/i&gt; no Cine Dom José.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sessões em dois SESCs também aconteceram, contemplando, enfim, o que viria a ser uma quase-periferia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O público do Mix Brasil foi majoritariamente branco, masculino e, suponho, homossexual -ou quase isso. Então de diversidade não tinha muita coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A expectativa do público talvez reflita a escolha dos curtas da mostra competitiva (e eu nem procurei ainda quais foram os ganhadores). Cinco dos dez curtas contemplavam o universo dos jovens de classe média no colégio -mais precisamente na adolescência, lugar em que a socialização secundária dá os grandes pontapés, no Ocidente, nos valores familiares "cristalizados"-, período em que descobrem determinados anseios e desejos: uma expectativa do público do MIS, onde os curtas foram exibidos. Um curta contemplou o ABC Bailão e as histórias dos 'cinemões' do centro; algo que compõe efetivamente a história da homossexualidade em São Paulo, a importante perspectiva da marginalização. Alguns dos curtas da mostra traziam a sexualidade como acessórios, e não como eixo central da narrativa. O que é uma pena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, pelo vista, a diversidade nos curtas, que &lt;i&gt;anyway&lt;/i&gt; eram bons, não foi muito contemplada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas tive oportunidade de ver boas sessões, como a &lt;i&gt;Modern Family&lt;/i&gt;, de curtas sobre famílias compostas por membros de natureza sexual &lt;i&gt;diversa&lt;/i&gt;. E também um filme ótimo chamado &lt;b&gt;Revolução no Rock&lt;/b&gt;, sobre -muitas- bandas americanas formadas por transexuais e afins (leia-se travestis, &lt;i&gt;gays&lt;/i&gt;, lésbicas etc) e, pasmem!, algumas muito boas. E de muitos estilos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, &lt;i&gt;toda maneira de amor vale a pena&lt;/i&gt;, e as manifestações supracitadas, assim como o projeto comercial do Mix Brasil, aparecem como maneiras de performatizar politicamente o nosso lugar na cidadania; seja nas ruas ou no comércio (embora a luta seja bem mais frutífera e menos problemática no primeiro local).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;En-fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;talvez 23h56&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;12122010dc&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;3.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;GENSEX, primeira semana de gênero e sexualidade da Universidade Federal de São Paulo, um evento pós-ENUDS (com pequeníssima margem de tempo entre um e outro) na tal universidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rolou uma falta de organização dos meninos da UNIFESP. Nada que não pudesse ser esperado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficou patente pra mim diversas falhas organizacionais. Desde falhas básicas de etiqueta (desde quando moderador de mesa sai pra interagir com colegas?) até falhas grotescas do tipo '&lt;i&gt;pedir a um professor de especialidade X para falar sobre algo Y, de forma a preencher um calendário temático ideal utópico&lt;/i&gt;' -algo que foi, contudo, pelo visto, superado pelos professores, que tiveram relativa autonomia para o desenvolvimento das mesas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, um evento programado por menos de dez estudantes, sem nenhuma verba cedida pela instituição, na semana em que a universidade entra em greve, e com convidados do naipe da Helô Buarque, Pedro Paulo, Larissa Pelúcio e Berenice Bento merece, no mínimo, respeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui em quatro dos cinco dias de evento (o dia em que não fui gerou certa polêmica, fiquei sabendo -meu namorado incendiário). Apenas duas pessoas da minha faculdade (a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo) compareceram ao evento -sendo que eu fui em quatro dias e o Aryel em um, e, além disso, cerca de três pessoas -que pelo menos eu conheço- não estudantes ou ex-estudantes também compareceram. A UNIFESP campus Guarulhos fica muito longe, em um bairro de péssima urbanização, pobre, com nenhuma referência interessante. A comunicação deve ter sido precariamente realizada. Enfim, tinham poucos não-UNIFESP lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prestei bastante atenção nas palestras do evento (em especial nas dos supracitados professores), mais do que talvez no ENUDS (onde a ressaca bloqueou parte das informações irradiadas nas mesas). A Heloísa Buarque da USP deu uma belíssima palestra sobre a história da teoria de gênero, o Pedro Paulo (acho que foi da UNIFESP) deu uma palestra fabulosa sobre pornografia -excelente!-, a Larissa Pelúcio mostrou seu trabalho sobre as travestis e a Berenice Bento sobre transexualidade (sua especialidade).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ia ter uma festa pós-GENSEX, mas... mas... enfim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;talvez 1h27&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;27122010dc&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;4. Minha Namorada é um Homem!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou &lt;i&gt;De como eu virei um viado&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ônibus expectativas ingênuas. No campus matéria esperando para ser tingida das maravilhosas cores. Da paleta da diversidade as faculdades ali ovais -ou quase isso- eram. Em um ginásio uns quinhentos corpos estavam instalados, em barracas e sacos de dormir abertos como a disposição coletiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afinal, aquela era a igualdade, algo muito próximo do sonho &lt;i&gt;queer&lt;/i&gt;, estávamos todas lá, e o que nos unia era o cu! Vivíamos, e bastava isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em São Paulo me cantaram uma prévia-prévia sobre o que seria Teoria &lt;i&gt;Queer&lt;/i&gt;, um assunto que instantaneamente me cativou: pré-intuições preenchidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sexta me instalei no ginásio com a caravana mais ou menos desinteressada da USP, fui a uma mesa inaugural do rolê e bandejei -tendo contato com a condimentação florida unicampense. Talvez tenha tomado um banho. Talvez não. Mas muito provavelmente eu tomei banho todos os dias. O vestiário era um lugar para se fazer amizades. Como em qualquer outro dos prédios enudianos, já que a faculdade estava relativamente calma: feriado prolongado. Era tudo nosso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, no sábado consegui acordar cedo suficiente para tomar o &lt;i&gt;breakfast&lt;/i&gt; e fui ver um Grupo de Apresentação de Trabalhos na área de educação, bom, por sinal, com uma das minhas maravilhosas roupas a dedo escolhidas em São Paulo para em Campinas arrasar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Almoço. E fui conhecendo melhor as pessoas da minha universidade, que eram -nossa!- peculiar e particularmente interessantes -ou, no limite, legais! E oficina de Teoria Queer com o Leandro Colling da UFBA.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uau! Incrível! Incrível!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então janta, então festa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peregrinação até a república tal, com maracatu, um maracatu! A coisa mais linda do mundo, um maracatu LGBTT-Queer com jovens e quase-jovens e ex-jovens estudantes ou ex-estudantes brancas, pretos, rosa &amp;amp; etc. purpurinado, da UFAC até a UFRGS, altas e baixas, vaginais e penianas ou nem isso, marchando-andando-ando!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ressaca dominical.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No GAT marquei presença. Depois voltei para o saco de dormir, devo ter dito algo para os meus vizinhos de colchão, um carioca, um paranaense, um pernambucano etc. e voltei a dormir até a hora do almoço. A palestra do Richard Misckolci da UFSCAR deveria estar ótima de fato mas a ressaca ainda doía, então voltei ao saco. À noite, após uma mesa (e as mesas em geral foram ótimas, a melhor foi a sobre feminismo na segunda-feira -polemíssima), rolou a TransENUDS, a tradicional festa do ENUDS, que rolou numa balada fechada lá em Campinas, devido a restrições de festas nas faculdades da UNI -ou alg'assim. Comecei praguejando mas terminei pulando de excitação. 'Té beijei o paranaense bonito, chamado Heverton. Na fila do banheiro. Aliás, fiz vários BFF's em filas de banheiro, muitos. Não me lembro de um só. Lembro da Renata Facchini no banheiro &lt;i&gt;unisex&lt;/i&gt;, da performance da mina seminua chupando uma manga, dos cus sendo mostrados no palco, das performances e do Rauni, o &lt;i&gt;chubby bear&lt;/i&gt; direito-Mackenzie que eu conheci no busão de volta pro ginásio. Fomos para o quarto em que estava hospedado, numa república próxima da UNICAMP e tive u'a experiência ótima. Era como um tapete felpudo e gelatinoso, sei lá, peculiaríssimamente gostoso. Perdi um rolê cultural na cidade por causa &lt;b&gt;a)&lt;/b&gt; da ressaca e &lt;b&gt;b)&lt;/b&gt; por causa do sexo; e também quase perdi o almoço, pois saí da república 13:45, e o RU fechava às duas. Fui a todas as -ótimas!- mesas daquele dia e à noite aconteceu a última festa no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Ótimas músicas, bebi até não cair -o que é bom!- e curti lindamente, com mais amigos e quase-amigos, ex-conhecidos virtuais, beijos instantâneos, esnobadas -o Rauni me &lt;i&gt;trolou&lt;/i&gt;! me &lt;i&gt;trolou&lt;/i&gt;!-, e o Anderson, com quem casei. Um moço bonito, muito bonito, homem, muito homem, muito homem, muito homem, inesquecivelmente homem, demais homem, homem, homem, homem, homem, homem, homem, homem, homem, homem, homem, homem, como era homem... A Tawne ia lá chamá-lo, e de sua barraca saí, semi-ressacado, direto para o meu saco de dormir (que só foi desconfortável e duro no primeiro dia, que foi aquele em que não bebi nada).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim de tarde, terça-feira, a assembleia, engraçadíssima, ônibus, São Paulo, táxi, casa do Poli e DR com o &lt;i&gt;boy&lt;/i&gt;. Mas eu &lt;i&gt;whatever&lt;/i&gt; sabia que jamais seria o mesmo. Tinha voltado uma viada. Sem dúvida estou outra. Só 'tando lá pra entender com precisão. Tentem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Kisses&lt;/i&gt; mil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;talvez zero horas e 46 min.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;31122010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Sabe o outro?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, imagina que ele aparece na forma de substrato virtual no seu portátil em um dia de chuva enquanto você e o seu namorado estão presos em um brechó no meio do Ipiranga (ou melhor, Cambuci) porque as gotas são muitas e muito -muito mesmo!- violentas, onde as paredes vermelhas e uma senhora, ao estímulo das gotículas rebeldes, fazem de tudo, como um trem de penas em queda livre, para te chamar toda a atenção do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora imagina que a única coisa mentirosa disso tudo é que as paredes não eram propriamente vermelhas, mas meus olhos de alguma forma projetam esse tom sobre a cena de ontem à tarde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então depois de mais de um ano sem dar as caras, depois de três quartos de ano sem responder um e-mail, depois de toda a dúvida, toda a angústia da dúvida e todo o inconveniente da angústia, inconvenientemente ele me acha (no número que talvez nem mesmo fosse o mesmo, mas o da história que nunca tivemos), com o sucesso que -talvez- esperasse: eu respondo-ondo-ondo! na fissura-ura-ura da curiosidade-ade-ade-ade-ade...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E até agora cada cheiro de fumaça na chuvosa cidade sem estrelas é reflexo-odor da nuvem que a caixa -esqueleto- de chocolate que me dera exalou na combustão do fogão do meu desespero cinco meses atrás. E, irônico, com meu novo quase-homem comemos no restaurante das nossas (minhas e do outro) madrugadas marginais &amp;amp; gente fina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele digitou nas letrinhas da comunicação impessoal os tipos do nada-sei, papo que estava comigo mesmo quedando ausente, o que é convicente para o meu umbigo, que quer enredar um &lt;i&gt;tricot&lt;/i&gt;, que é engendrar um novo tricô, ou que, não, não, não, Eros, não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a viagem para o litoral sul, como na viagem que fiz na metade de certo passado ano, será expectativa, ou expectorante? Sei não, inda esperava história de passeio, pode ser mera balela, mas, mas, não imaginava isso do moço, coisa de saudade, não, não podia esperar, filhadaputagem isso sim, não, é, não, Eros, não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você está feliz, moço. Com o seu excêntrico dançarino goiano de balé na gordura do chão gelo-banha paulistano-ano, não precisa desse, desse lapso-relapso. Que, que, como era? um, dois, quatro meses, você está aqui direitinho aos seis, por que de revivals, nostalgia do que tanto te fez só-sozinho-solitário-otário-ário-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas era um sedutor, me seduzia -eu certamente o rechaço-boicoto, provo para mim mesmo-, apartamento &amp;amp; batatas &amp;amp; madrugadas -não deve ser tão bom quanto hoje, né? será?- &amp;amp; línguas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe o outro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro é o meu passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;23h06&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;14122010dc&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Um prólogo da invisibilidade&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já me sinto um traidor. Me sinto um traidor pelos olhares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo que as retinas não se fundam já me considero um traidor. Agora sim. Sei lá. Estou traindo a confiança não só do meu, mas a minha com o respeito alheio, do hétero -que, olha ele, olha o olho dele! será que é hétero mesmo?- (confiança/responsabilidade), traindo seu sigilo atmosférico-invisível, seus silogismos, meus silogismos, a lógica toda das coisas estabelecidas na galera-era-era-era. Não me olha mais, não me olha não. Me olha sim. Me olha mais! Vamos fugir juntos para o Canadá, e teremos uma vida feliz, eu, você, eu, você, e nossos olhinhos casados.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4537012833627840260?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4537012833627840260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4537012833627840260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4537012833627840260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4537012833627840260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/12/minha-namorada-e-um-homem-devaneios-de.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-8796236701311902498</id><published>2010-09-29T18:37:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T18:57:13.575-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suruba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Teoria Geral das Coisas I: Notas de rodapé&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Anexo A: Do Sexo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A revolução estética será iminente quando da supressão da &lt;i&gt;dualidade&lt;/i&gt; (e &lt;i&gt;bipolaridade&lt;/i&gt;) sexual. Durkheim, Mauss, Hertz e todos esses antropólogos nos tentaram provar a a recíproca entre sociabilidade e religiosidade, polaridade "estrutural" e funções sociais. A mulher sexual é socialmente construída enquanto função para ser submissa na relação de poder entre os gêneros sexuais. Não é tanto uma relação natural e necessária com fins de reprodução como Aristóteles o concebeu: é antes um efeito do movimento social, algo cujo pioneirismo de Mead acusou, tornando patente a condição de maleabilidade das funções sociais sexuais. A polaridade religiosa portanto não responde totalmente às intenções da dimensão sexual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Eu nunca li Clarice Lispector. Isto é, não a li por enquanto. Entretanto, certa vez um amigo disse em uma discussão -que por sua causa tornou-se &lt;i&gt;caótica&lt;/i&gt; (seja lá o que possa ser interpretado como caótico)- que a celebrada ucraniana escrevia &lt;i&gt;como uma mulher&lt;/i&gt;. O comentário pode ser considerado incendiário, polêmico, radical e perigoso como uma porta -que, para machucar alguém necessita que tal alguém seja talentoso. Entretanto, existe algo que escapa do alcance da interpretação de que se tratou de puro machismo. Não sei se é verdade, porque a minha ignorância acerca do assunto -como já colocado- não me permite conjecturar nada consistente (apenas hipotético, mas vocês entenderão o porquê de tudo isto logo), mas eu creio que, no fundo, o que o meu amigo queria dizer, era que a condição de mulher inevitavelmente trazia uma carga de feminilidade patente na obra da autora (o que soa como óbvio), o que para o meu amigo -e aí haveria um pouco de machismo, de fato- seria a dificuldade das mulheres, em relação às quais os homens seriam mais versáteis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quis dizer isso tudo porque hoje, ouvindo a &lt;i&gt;feminíssima&lt;/i&gt; Andreia Dias, que é um produto &lt;i&gt;pop&lt;/i&gt;, entendi com precisão que, pressupondo que a sociedade é sujeita a mudanças de seus membros sexuais e sociais, a &lt;i&gt;supressão da polaridade tradicional&lt;/i&gt; nesse aspecto, que me soa como uma &lt;i&gt;tendência&lt;/i&gt; da metrópole. Acho que posso citar Regina Spektor como um símbolo dessa geração de mulheres que impõe seu respeito na concepção de um estilo pretensamente inovador, mas inequivocamente &lt;i&gt;feminino&lt;/i&gt;, não apenas &lt;i&gt;vaginal&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;No fundo, o sonho universal pós-tropicalista (e talvez neo-tropicalista), o sonho da &lt;i&gt;brasilidade paulistana&lt;/i&gt;, me aparece intuitivamente -e agora eu posso explicá-lo racionalmente- simpático à androgenia e à teoria &lt;i&gt;queer&lt;/i&gt;; ontem os Dzi Croquettes (talvez Secos &amp;amp; Molhados também), e hoje Solange, Tô Aberta! e Teu Pai Já Sabe?, contribuintes &lt;i&gt;underground&lt;/i&gt; (o último, contudo, em menor medida, simplesmente pelo pedante caráter doutrinário da cultura &lt;i&gt;punk&lt;/i&gt;) da &lt;i&gt;subversão&lt;/i&gt; das funções sociais (inclusive das extra-heterossexuais) são personagens de biologia masculina (e aqui eu de fato corro o risco de parecer controverso com meu próprio argumento). Entendo agora o projeto político d'Os Mutantes e da banda americana The United States Of America; Arnaldo, Sérgio e Rita, Moskowitz e Byrd: pioneiros do som &lt;i&gt;universal&lt;/i&gt; que efetivamente suprimiram as divisões sexuais em suas carreiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Dentre as mulheres cito Hilda Hilst (que conheço pouquíssimo, a única referência que tenho de sua versatilidade é de duas páginas de um texto ótimo -cujo nome não faço ideia qual seja- que foi recitado para mim há um ou dois anos) e Marli. Aquilo que portanto não foi realizado nas duas bandas supracitadas -no fim do último parágrafo- foi, para além da &lt;i&gt;inclusão&lt;/i&gt;, a subversão dos papéis sexuais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A crescente &lt;i&gt;liberalidade sexual&lt;/i&gt;, em relação à qual os pais da geração do ego-herói citadina fazem parte por seu legado, é um dos termos da &lt;i&gt;brasilidade paulistana&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Tentei, neste anexo, esclarecer as mudanças da dimensão sexual e social que são patentes na &lt;i&gt;brasilidade paulistana&lt;/i&gt;. Tentei fazê-lo explorando os padrões de gosto, o movimento contemporâneo da arte &lt;i&gt;pop&lt;/i&gt; e, especificamente e predominantemente, dentro disto tudo, o gênero musical de massa. A Arte de uma sociedade é reflexo da produção efetiva dos homens dessa sociedade (codificada ou não em &lt;i&gt;pluralidade&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;ideologia&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;espetáculo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;indústria cultural&lt;/i&gt; e todos esses termos). Espero que tenham entendido por que este texto é um anexo da Teoria Geral das Coisas I: a subversão dos papéis, a revolução estética, o sonho do domínio da &lt;i&gt;brasilidade paulistana&lt;/i&gt; devidamente historiografado &lt;i&gt;etcætera&lt;/i&gt;, são algumas de suas facetas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Discordarão de mim do &lt;i&gt;caos&lt;/i&gt; da &lt;i&gt;universalização&lt;/i&gt;? Discordarão do quão bom será? Discordarão do &lt;i&gt;processo&lt;/i&gt;? Discordarão de conceber juntas esteticamente a sub-humanização do Projeto B, a política de Marli, a agressividade de Solange, Tô Aberta! e a feminilidade elétrica da Andreia Dias?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O &lt;i&gt;surf&lt;/i&gt; acontece aqui efetivamente. Espero ter contribuído para a cognoscibilidade dessa teoria geral.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Funcionalismo Sexual&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais ou menos bonito, o que é em medida controverso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Opa, você sabe onde é o puteiro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-O puteiro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-É, onde tem um puteirinho aqui. Não tem um puteiro aqui na região?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Olha amigo, tem um mas, hum, eu acho que 'tá fechado. Lá na Bonsucesso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ah é? Mas como eu chego lá, é...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Segue aqui e vira a direita e é lá na esquina, você vai ver, é uma casa amarela, mas eu não sei se 'tá aberto, não 'tá com jeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ah, beleza, eu vou lá. Obrigado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Por nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu fui para casa, e ele foi tentar dar uminha na noite sem estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Amor Irreversível VI&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não apenas difícil, mas impossível amar outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso nas possíveis noites regadas a beijos, madrugadas beijadas até o suspirar do dia, no êxtase da vida na mais potente das atemporalidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Impotente, na verdade, na mentira o luxo do hedonismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hedonismo na cidade tem nome, e se chama impotência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ciência não descobriu ainda o milagre do prazer pleno. Simplesmente porque o prazer pleno não deve existir mesmo; se existisse fórmula que efetivasse essa quimera onírica, certamente ela seria o tiro no pé da humanidade. Pois olha só o que nós fizemos com essa fração minúscula do que podemos chamar de amor pleno: desvastamos cidades, engravidamos crianças (com moralismo e amor-alismo), passamos em décadas a seres vegetantes e carentes de anti-depressivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dá, não dá, e não é nem fruto da crítica social moderna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dá pra amar se não for você. Não dá pra gozar se não contigo. Eu não quero ter que lamentar simbiose, porque a real graça de viver é justamente acompanhar os altos e baixos dos diversos vínculos nos quais estamos acorrentados. E aquele que não tem vínculos certamente, se nunca os teve, é o mais feliz, e se os já teve no passado, é o mais infeliz dos homens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dá pra ser feliz se não for com você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me importo se daqui a dez anos eu direi esta mesma frase para outro. Me importa agora, a saber você, que eu não posso me imaginar sem que você consista em parte, que a minha vida seria outra, intuitivamente uma menor, sem você, que te estimo, e esta estima só tem uma inimiga, ou amiga incondicional, que é o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dá pra ser feliz se não for com você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu te amo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-8796236701311902498?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/8796236701311902498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=8796236701311902498&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8796236701311902498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8796236701311902498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/09/teoria-geral-das-coisas-i-notas-de.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-6602988322359651146</id><published>2010-09-23T20:04:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T20:16:12.248-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suruba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'>Peça: Domingos na vida (Não faz a'loca!)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Deve acontecer na cidade sem estrelas, e absolutamente ao acaso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A cena é composta por um vagão de trem razoavelmente vazio, em um metrô de um bairro médio de emergentes, também um polo social da região. Acontece no limiar entre as quinze e as dezesseis horas, em um domingo mais ou menos frio em medida nublado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Personagens:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;u&gt;o homofóbico militante &lt;/u&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;gay&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;: roupas escuras, calça, blusa de manga comprida deixando à mostra algumas tatuagens (uma delas lembra uma cruz), boné, provavelmente tênis, cabelo curto &lt;i&gt;ma non troppo&lt;/i&gt;, alargador, óculos sem contorno de armação em volta das lentes, magro, cara de louco;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;u&gt;o bissexual discreto&lt;/u&gt;: barba por fazer, inchado, óculos de armação &lt;i&gt;unissex&lt;/i&gt;, cabelo curto ma non troppo, camiseta preta de manga comprida, calça jeans, tênis, segurando uma folha do jornal da Igreja Universal do Reino de Deus, que tinha cruzadinhas (o miolo do jornal havia sido recém-jogado fora, por motivos evidentes);&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;u&gt;o homossexual havaiano&lt;/u&gt;: camisa florida, bermuda xadrez marrom com azul claro, chinelo, mais inchado que o homofóbico &lt;i&gt;gay&lt;/i&gt; mas menos inchado que o bissexual discreto, ponta do cabelo com gel descolorida e &lt;i&gt;mezzo&lt;/i&gt; desbotada &lt;i&gt;mezzo&lt;/i&gt; violeta &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; rosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Prólogo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O bissexual discreto senta em um banco duplo paralelo ao do metrô, enquanto o homossexual havaiano no banco duplo perpendicular. O homofóbico gay militante senta no banco duplo perpendicular que forma uma linha contínua com o banco perpendicular em que está sentado o homossexual havaiano. As portas fecham. O metrô começa a andar, deixando à mostra a pequena ponte estaiada prestes a ser inaugurada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O homofóbico &lt;i&gt;gay&lt;/i&gt; militante começa a encarar o bissexual discreto. Olha fixamente para ele, em uma expressão crescente que aparentemente misturava medo, perplexidade, ódio e vários outros sentimentos mistos. Ainda não estava evidente que de fato ele olhava para o bissexual discreto, que apenas achava graça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Tem início o diálogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;O Diálogo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HH:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;I guess, he's with a fork, and he's going to start killing us&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Risos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;O homofóbico &lt;/i&gt;gay&lt;i&gt; militante se levanta põe o dedo em riste, acusando o bissexual discreto. Quando fala, fala gravemente, com muito sentimento, misturando alerta com ameaça, e com assustador fôlego. O primeiro &lt;/i&gt;clímax&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HGM:&lt;/b&gt; Não faz &lt;i&gt;a'loca&lt;/i&gt;! Não faz &lt;i&gt;a'loca&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Acusa o bissexual discreto mais um tempo, fazendo ameaças e também com sentido de ofensa. Vai se afastando de repente em passos largos e desajeitados, e também hesitantes e chega até próximo do fim do vagão em pouco tempo. Entretanto, o homossexual havaiano não parava de provocá-lo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HH:&lt;/b&gt; Ei, cara, vamos conversar, vamos conversar! Vamos bater um papo! [&lt;i&gt;E quando ele se afasta,&lt;/i&gt;] Olha só, mas que homem nós temos aqui!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Enfurecido com a última provocação, o homofóbico &lt;/i&gt;gay&lt;i&gt; militante volta rapidamente, enquanto o homossexual havaiano levanta, e posteriormente o bissexual discreto. Enquanto o primeiro, peitando reciprocamente o segundo (de forma que este notou o doce hálito daquele) continua a praguejar, e o terceiro se esforça em previnir qualquer contato físico apartando os dois primeiros, o segundo consegue engendrar uma conversa mais ou menos lógica no sentido narrativo, que consiste no segundo &lt;/i&gt;clímax&lt;i&gt; da peça.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HH:&lt;/b&gt; Cara, vamo bater um papinho. A gente desce na próxima estação e vai conversar com os policiais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HGM:&lt;/b&gt; Pra quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HH:&lt;/b&gt; Porque você está me discriminando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HGM&lt;/b&gt;&lt;i&gt;,&lt;/i&gt; &lt;i&gt;surpreendemente, em uma voz mais ou menos audível&lt;/i&gt;: Você acha que eu não sou veado igual a você?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Chegavam à seguida estação. Encaminhavam-se para a porta de saída, as &lt;/i&gt;vítimas &lt;i&gt;insistentes para que o &lt;/i&gt;louco&lt;i&gt; (como se as próprias &lt;/i&gt;vítimas&lt;i&gt; fossem sãs) com elas descesse para que a conversa chegasse de fato em termos mais sérios e efetivos -não necessariamente graves. A porta se abre, o homossexual havaiano desce, o homofóbico &lt;/i&gt;gay&lt;i&gt; militante fica do lado de dentro mas próximo do limite da porta para o lado de fora, e o bissexual discreto entre o chão da plataforma e o trem. E é este último que engendra o terceiro grande &lt;/i&gt;clímax&lt;i&gt; (logo, as três principais personagens da peça são suas três protagonistas).&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;BD&lt;/b&gt;&lt;i&gt;, acusando&lt;/i&gt;: Você está preso! Eu como cidadão estou te prendendo por discriminação!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;A porta apita. O bissexual discreto tenta trazê-lo para a plataforma, mas não conseguindo, empurra o homofóbico &lt;/i&gt;gay&lt;i&gt; militante, que neste ato arranca do primeiro o resto do jornal da Igreja Universal do Reino de Deus que continha as cruzadinhas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;A porta se fecha. O bissexual discreto mostra-lhe o dedo do meio, o homossexual havaiano manda-lhe um beijo, o homofóbico &lt;/i&gt;gay&lt;i&gt; militante continua olhando odiosamente através do vidro da porta do metrô.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Epílogo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;HH:&lt;/b&gt; Gente, que cara loucão, velho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;BD:&lt;/b&gt; Eu prendi ele!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Risos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-6602988322359651146?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/6602988322359651146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=6602988322359651146&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6602988322359651146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6602988322359651146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/09/peca-domingos-na-vida-nao-faz-aloca.html' title='Peça: Domingos na vida (Não faz a&apos;loca!)'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-5517155769366793704</id><published>2010-09-08T23:33:00.000-07:00</published><updated>2010-09-08T23:59:05.534-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suicídio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Teoria Geral das Coisas I&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lendo um artigo de política (sobre a desconfiança como vetor de ação no mundo democrático), logo após assistir a um documentário de um dos acontecimentos históricos que mais me fascinam (este, em especial, desde a minha infância, o Terceiro Festival Nacional de Música Popular Brasileira produzido na Record no ano de 1967), tive um &lt;i&gt;insight&lt;/i&gt; mais ou menos fosco a respeito de mais um dos membros da &lt;i&gt;teoria geral das coisas&lt;/i&gt;, no sentido que esta se apresenta para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou numa curva que, segundo o meu palpite esperançoso, jamais acabará até que o próprio sistema social do &lt;i&gt;homo sapiens&lt;/i&gt; finde. Essa curva é esta sociedade para mim palpável, aquela que conhecemos por moderna ou pós-moderna, e que pode, com esforço, ainda ser reconhecida enquanto &lt;i&gt;era representada&lt;/i&gt; (ainda que, para os historiografadores, seja cada vez mais incomensurável e evolua sem qualquer tipo de estratégia narrativa definida para traçar marcos definitivos).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou parte deste monstro mutante cuja maior tensão é a expressão fabulosa do diálogo com o passado: a pessoalidade &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; a impessoalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viver em uma sociedade que se diz civilizada, embora arbitre estimas e estigmas aos seus estratos (e, aliás, suponha a existência de camadas e níveis), permitindo-os viver conforme uma vontade que os homens não conhecem (e aqui nós tentamos diversas teorias, desde a metafísica, a &lt;i&gt;fortuna&lt;/i&gt; divina, o liberalismo, o marxismo, o &lt;i&gt;ces't la vie&lt;/i&gt;, até o sonho positivista, a teoria da conspiração, a física quântica, o anarquismo ontológico), é sem dúvida a experiência mais prazerosa para aquele que acredita que a vida pode ser divertida -embora este, eu não duvido, esteja mais sujeito ao suicídio em uma queda da &lt;i&gt;fortuna&lt;/i&gt; do que o republicano que pode simplesmente escapar ileso e viver até o fim fingindo todas as noites que ainda é um conselheiro do magistrado-mor: as coisas na cidade são, sem pieguice, mais intensas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;i&gt;anarquismo ontológico&lt;/i&gt; funcionaria muito bem nesse sentido (ou não, nós nunca saberemos), se os homens fossem diretamente catequizados para serem ratos na brecha do &lt;i&gt;sistema&lt;/i&gt; em uma &lt;i&gt;socialização primária&lt;/i&gt; (mas também, nada que para uma &lt;i&gt;socialização secundária&lt;/i&gt; violenta não fosse também impossível, apenas menos viável). Fora disso parece que reina aquele &lt;i&gt;velho&lt;/i&gt; ciclo das coisas; existe uma idade em que os pequeno-burgueses têm de extravasar seus sentimentos impetuosos em relação às mazelas da sociedade. É um grande axioma dos grupos escolarizados: não ser &lt;i&gt;comunista&lt;/i&gt; antes dos trinta é falta de sensibilidade, ser comunista depois dos trinta é &lt;i&gt;burrice&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o discurso sempre se resume a isto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caso brasileiro é peculiar nesse sentido. Às vezes, em busca de uma identidade legítima brasileira, penso que os pós-tropicalistas (porque nós não tivemos neo-tropicalistas; a arte brasileira estacionou no Hélio Oiticica, e o documento de óbito foi assinado pelo Cildo Meireles), estes jovens e quase-jovens da classe média alta, cuja ilustração predileta para mim seria a Praça Benedito Calixto aos sábados, são heróis de si próprios que representam aquilo que tenho vontade de chamar de &lt;i&gt;brasilidade paulistana&lt;/i&gt; (não duvido que no Rio de Janeiro ou em Brasília seja muito diferente). Parece que não teremos mais heróis de fato, e a História se mostra uma empreitada tão absurdamente intransitável que não duvidaria que os historiografadores simplesmente passem a esquecer a pluralidade e a legitimar os costumes brasileiros no futuro como simples reflexos da Lady GaGa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto vindo no ar uma réplica neo-marxista, me acusando de fascismo simplesmente pelo fato de que, nessa minha visão romântica do que é a juventude, possivelmente enviesei meu discurso em um foco classista, acadêmico, segregacionista e o escambau. A minha resposta é mais ou menos frustrante: as guerrilhas em São Paulo (e aqui me refiro às &lt;i&gt;tribos&lt;/i&gt; urbanas legítimas -e não às &lt;i&gt;tribos&lt;/i&gt; civilizadas ou às &lt;i&gt;tribos&lt;/i&gt; policiais), as feiras de &lt;i&gt;troca-troca&lt;/i&gt; nos bairros paupérrimos, o patriotismo do teatro político, os &lt;i&gt;shoppings&lt;/i&gt;, a novela, o futebol e as rádios brasileiras não podem, para mim, servir de critérios para delinear o que é o brasileiro e seu &lt;i&gt;estilo-de-vida&lt;/i&gt;, simplesmente porque &lt;b&gt;não há unidade&lt;/b&gt;. Os brasileiros nunca sempre foram apenas pretos, índios, pícaros, varguistas, corruptos, dançarinos de teatro de revista, cangaceiros, honestos, estudantes, caras-pintadas, baladeiros, teventes ou brasileiros; o meu esforço em eleger um tipo de estilo-de-vida como representante da nossa identidade, é um capricho subjetivo. Está claro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recapitulando. Parto do pressuposto de que minhas interpretações não fogem do contexto social em que eu, por exemplo, como homossexual, sou caçado, ao mesmo tempo que vários homossexuais vão atrás de se afirmar como seres sociais, seja como integrantes emergentes de um mercado em expansão que enxergam no horizonte a possibilidade de obter respeito com a estima econômica, seja como defensores dos seus direitos civis, políticos e sociais que -em virtude de um processo histórico que, obviamente, como histórico, teve origem no passado (neste caso, mais ou menos longínquo)- são sistematicamente negados a ponto de ainda serem caçados por isso. Ou seja, pessoalidade &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; impessoalidade; o controle exercido por uma ideologia local &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; o &lt;i&gt;dissipar&lt;/i&gt; dos conflitos dos indivíduos qualitativos através do reconhecimento das funções quantitativas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo esse pressuposto claro, quero fazer entender como se dá a vida e a criação de estratégias de exercício dos vínculos sociais nesta &lt;i&gt;sociedade de curva&lt;/i&gt;, em especial no caso brasileiro, e na expressão de uma juventude artificial, qual seja, a escolarizada, que vive: &lt;b&gt;a)&lt;/b&gt; copiando uma trajetória paterna (porque &lt;i&gt;ainda somos os mesmos e vivemos&lt;/i&gt; como eles); &lt;b&gt;b)&lt;/b&gt; segundo critérios normativos (que são uma mistura dos valores tradicionais brasileiros, da disciplina europeia e da estética americana), que acompanham a identidade que nomeio como &lt;i&gt;brasilidade paulistana&lt;/i&gt;; e &lt;b&gt;c)&lt;/b&gt; sem definir de forma concreta personagens muito bem delimitadas como heróis de seu tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Definitivamente, a sociedade pós-moderna e toda a sua confusão semântica simplesmente deu um nó na cuca da História. Não consigo definir de maneira clara a expressão da juventude, e nem unificar em uma só palavra e faceta &lt;i&gt;&lt;b&gt;o&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; &lt;i&gt;modo de viver&lt;/i&gt; desse grupo. Meu último argumento, entretanto, diz respeito justamente ao &lt;i&gt;tentar&lt;/i&gt;. Já que simplesmente não posso convencer ninguém a &lt;i&gt;conseguir&lt;/i&gt;. Imagino as coisas e os fatos como no &lt;i&gt;surf&lt;/i&gt; bem surfado; algo &lt;i&gt;previsível&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;perigoso&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;cansativo&lt;/i&gt;, mas também &lt;i&gt;emocionante&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;ativo&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;prazeroso&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Arte como forma de segregação III&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez o mais sensato seja mostrar de uma vez por todas quais são os pressupostos da minha análise a respeito do fenômeno Arte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podemos vê-la segundo, por exemplo, uma &lt;i&gt;dimensão histórica&lt;/i&gt;. Essa dimensão consiste na divisão entre a Arte legitimada pela História e tudo aquilo que está fora dessa legitimação. Aquilo que está dentro funciona como forma de segregação; o que está fora fica guardado ou não em registros ou documentos históricos, tutelados pela biblioteconomia, arqueologia, etnografia, e demais &lt;i&gt;artes do empacotamento&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem querer parecer polar ou maniqueísta demais, reconheço ainda aquelas clivagens artificiais que a nossa sociedade adora: a Arte &lt;i&gt;popular&lt;/i&gt;, a Arte &lt;i&gt;folclórica&lt;/i&gt; e a Arte &lt;i&gt;erudita&lt;/i&gt; (como se, em níveis práticos, toda a produção artística possa ser mensurada nesses termos).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A nossa sociedade democrática então consideraria essas três modalidades de Arte e as estudaria segundo um viés próprio. Embora, portanto, nos livros de História da Arte já se veja um esforço em tratar dos três tipos (ainda que, por enquanto, em medidas obscenamente díspares), admite-se tal estudo segundo um viés específico: o &lt;i&gt;erudito&lt;/i&gt; é reconhecidamente o carro-chefe (mesmo porque a tarefa implícita do &lt;i&gt;erudito&lt;/i&gt; sempre foi destruir sistematicamente aquilo que não &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; represente; na atual sociedade em que as relações de poder se dão de forma microscópica essa análise se torna mais complexa). Nietzsche já nos mostrou, na sua Genealogia da Moral, que aquilo que nasce com uma estima &lt;i&gt;negativa&lt;/i&gt;, só pode ser a &lt;i&gt;negação&lt;/i&gt; (e ele o prova por meio da filologia) de uma estima &lt;i&gt;positiva&lt;/i&gt; precedente. A Arte que não seja &lt;i&gt;boa&lt;/i&gt; jamais terá uma estima que não seja pejorativa. Acho que toda a teoria marxista corrobora esta tese.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Arte, segundo uma outra dimensão, a &lt;i&gt;conceitual&lt;/i&gt;, pode ser vista em termos, não de uma disputa histórica, mas de uma conceitualização que justamente só foi possível com a margem dada pela &lt;i&gt;democratização&lt;/i&gt; dos meios de acesso à produção e contemplação artística no século XX. Por &lt;i&gt;democratização da contemplação artística&lt;/i&gt; estou me referindo ao fato da Arte adquirir um lugar definitivo no debate cultural (um dos legados da &lt;i&gt;indústria cultural&lt;/i&gt;, talvez), seja por meio da abertura pública dos museus ou através da veiculação artística pelo rádio, televisão ou &lt;i&gt;internet&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso dizer que tem relação com o quadro geral a descoberta de que a Arte Contemporânea é pluri-significativa e multi-interpretativa; isto é, ela supõe a superação do conceito de &lt;i&gt;observação&lt;/i&gt; como imprescindível para a contemplação artística, abrindo espaço para interpretações muito variadas. Muito variadas, porque observações distintas geram obrigatoriamente &lt;i&gt;interpretações&lt;/i&gt; distintas, e mesmo observações equivalentes geram em grande medida também interpretações díspares entre si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto de definir, portanto, &lt;i&gt;a experiência artística como aquela em que sua contemplação&lt;/i&gt; (tal como se contempla uma obra de Arte, uma experiência subjetiva) &lt;i&gt;se dá por um ou mais espectadores em um tempo e espaço quaisquer&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fundo, essa máxima é uma tentativa de &lt;b&gt;a)&lt;/b&gt; tornar palpável o que viria a ser o sonho situacionista da &lt;i&gt;supressão do artista&lt;/i&gt;, pois na concepção supracitada qualquer um tem &lt;i&gt;potência&lt;/i&gt; de ser ao mesmo tempo um produtor e um crítico de Arte, e &lt;b&gt;b)&lt;/b&gt; persuadir quem quer que seja que a paradoxal relativização da Arte tem que ter um limite, que é o &lt;i&gt;critério subjetivo&lt;/i&gt;, compartilhado ou não, em parte ou inteiramente, com outros indivíduos (sendo este indivíduo uma personagem específica da nossa sociedade, aquela em que há a &lt;i&gt;democratização da contemplação artística&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tentei levar o alcance do significado artístico às últimas consequências. Mas quero fazer entender também que &lt;i&gt;é essa mesma aparentemente vazia filosofia, dialogando com os limites da sociedade, que determina dentro desta aquilo que pode ser considerado Arte&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temos um mundo incomensurável. Nossa Ciência, nossa Filosofia e nossa História serão sempre falhas nesse sentido. A Sociologia também. Mas eu simplesmente prefiro esta última porque é a que me permite tornar analiticamente articuláveis movimentos sócio-culturais (algo que a História não conhece com tanta profundidade), sem necessariamente me debruçar sobre a teoria geral das coisas para continuar fluindo (algo em que a Ciência em geral e a Filosofia vivem esbarrando sempre).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivemos &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-5517155769366793704?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/5517155769366793704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=5517155769366793704&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5517155769366793704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5517155769366793704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/09/teoria-geral-das-coisas-i-lendo-um.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-6354113398720304180</id><published>2010-08-29T10:01:00.000-07:00</published><updated>2010-08-30T20:50:17.953-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suicídio'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Arte como forma de segregação II&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando falamos em termos como &lt;i&gt;academia&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;indústria cultural&lt;/i&gt; e alguns outros conceitos, devemos ter a cautela de situá-los em seus devidos contextos, de encaixá-los em seu lugar reservado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando falo em Arte como agente de &lt;i&gt;segregação&lt;/i&gt;, estou me referindo a uma dimensão específica das sociedades ocidentais humanas. Simplesmente sabemos precisamente tudo quanto foi descoberto acerca das manifestações artísticas desde Lascaux até Damien Hirst. Entretanto, essa História se refere quase que exclusivamente à História Ocidental (tudo aquilo quanto não for considerado de importância para a consolidação do oriente apenas surge como relevante quando tangencia o enredo dos vencedores coadjuvantemente).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo, a historiografia se preocupou durante muito tempo em apagar todas as manifestações artísticas que fugissem a um determinado padrão cultural de determinada época, ou simplesmente que não fossem reconhecidas socialmente pelas camadas mais influentes e poderosas das sociedades históricas. A simples preocupação que nós dos séculos XX e XXI temos em criticar e classificar as "baixas" manifestações é apenas um sintoma de que nos foi &lt;i&gt;permitido &lt;/i&gt;descer do dogmático altar da arrogância do conhecimento esclarecido e absoluto (mesmo porque cada vez mais se dá conta da importância da dialética).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, nosso olhar moderno treinado reconhece facilmente as categorias de Arte segundo as clivagens artificiais que a crítica (popular ou não) cria para classificar. Temos então os conceitos de &lt;i&gt;erudito&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;popular&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;folclórico&lt;/i&gt;, e cada um deles representa uma determinada estima social e, por conseguinte, valores morais. O sonho situacionista da supressão do artista talvez tenha a ver com essas clivagens que a sociedade moderna deixou mais nítidas e, &lt;i&gt;ipso facto&lt;/i&gt;, as tornou mais deliberativas e arbitrárias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hakim Bey provavelmente se refere à morte da Arte justamente como aquela que a academia vem legitimando ultimamente. Mas justamente o fato de que elite intelectual perdeu os parâmetros artísticos é ao mesmo tempo reflexo e causador de um colapso total, pois a orientação artística da elite é justamente o que legitima ou deslegitima as manifestações culturais dentro da História. Considerar Damien Hirst, que nada mais é uma mercadoria sobre a qual os milionários do &lt;i&gt;cassino global&lt;/i&gt; (termo de Cristóvam Buarque) especulam, como sendo o grande expoente da contemporaneidade é simplesmente explicitar que o &lt;i&gt;espetáculo&lt;/i&gt; (aqui falo em Debord) se apropriou de todas as possibilidades de exercício do intelecto (e destruiu qualquer capacidade de estímulo à criatividade, fator que para Vaneigem é &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt; para, mais do que a existência da Arte &lt;i&gt;per se&lt;/i&gt;, um &lt;i&gt;sentido&lt;/i&gt; para a existência da Arte que remeta à &lt;i&gt;realização pessoal&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final das contas, temos uma contemplação alienada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Da Teimosia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acho a teimosia a grande virtude do homem, e a sua contribuição para o processo histórico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desrespeito é uma coisa tão bela. Ele é uma roldana sem a qual a máquina dialética simplesmente não faria sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me falam que é importante respeitar os mais velhos, afinal, um dia o serei também eu. Eu não quero respeitar nada, terei orgulho do desrespeito da minha geração posterior, pois dele e dela nascerá uma nova História.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me falam que o respeito entre gerações deve ser recíproco. Mas eu não quero ser respeitado pelos mais velhos. Ter que ser tolerado seria simplesmente a chatice maior do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afinal de contas, a maior das virtudes humanas é a teimosia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Canção do Ódio III (deprimido)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os meus amores são projetos natimortos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior parte deles não passou de dez minutos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre aqueles que passaram desse limite estão os puramente sexuais e também os exclusivamente sexuais. Além dos praticamente sexuais. Uma minoria era geralmente sexual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tinha você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de você qualquer tentativa de estabelecer um relacionamento nos mesmos moldes se torna artificial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É como se tudo que não dissesse respeito ao teu jeito estivesse fora de qualquer possibilidade de ser considerado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você jogou sobre mim a maldição da verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas você não existe mais, não existe, não existe, não existe!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Declaração Póstuma do Amor das Segundas-Feiras&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você [passa por mim e] me deixa louco&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não vem mais não -mas que inferno!, eu me esforço em te achar-, não vem, eu sou de outro -ou quero [não querer/querendo] ser d'outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;i&gt;É claro que eu te escuto! Consciência minha não falha.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas você -e/ou eu, nós- insiste(imos) em aparecer-fantasmagorizar-assombrar (belamente). mas é uma surpresa. porque cada vez que você está mais distante de mim [e eu de você] mais fascinado fico com os nossos cumprimentos aperiódicos -em termos, você era o meu amor de segunda-feira, de segunda mão, de segunda categoria. um amor, segundamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;então você parece melhor vestido, e o seu corpo mais convidativo, e o seu boné mais transado (embora eu o quisesse transando -será que você fica de boné na cama?), e a tua pele mais quente, e a tua barba mais amiga, e a tua boca mais saborosa (com aquele sorriso mais encantador). e é claro, os teus olhos, que são cada vez mais tudo aquilo que eram, só que em dobro. enigmáticos. enigmaticamente olhos de segunda. [olhos de menino, de ingênuo, de certeza, segurança, de amor ou de paixão, olhos multivisuais.]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;te gosto de longe. você me cumprimenta no seu estilo espartano. deve estar namorando. alguém menos legal do que eu. a vida a tua. não posso fazer nada: eu gosto de outros. [ou melhor, eu gostaria d'outros.]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;te gosto passando. acho que se nós tivéssemos ido para a cama eu não sentiria hoje esse amor de segunda com prólogo, introdução, meio, fim e epílogo, assim bem-acabado (feliz e não-felizmente bem acabado).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se me zombas por querer ou não, só saberia se pudesse retornar ao quebra-cabeça dos teus olhos. o fato é apenas um. segundamente, enigmaticamente, feliz ou não-felizmente. [ou não] que... ainda...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;você me deixa louco.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-6354113398720304180?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/6354113398720304180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=6354113398720304180&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6354113398720304180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6354113398720304180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/08/arte-como-forma-de-segregacao-ii-quando.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-5066316486226032854</id><published>2010-08-09T19:15:00.000-07:00</published><updated>2010-08-09T19:53:19.550-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inverno-anomalia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Nada Quase Audível&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pensando em termos do que viria a ser um &lt;i&gt;nada quase&lt;/i&gt;, ou, &lt;i&gt;nada-quase&lt;/i&gt;, em seu significado estrito, rejeita tudo que não for &lt;i&gt;absoluto&lt;/i&gt;. (veremos de que forma essa leitura confronta e dialoga com a outra.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;aquilo que é &lt;i&gt;nada quase&lt;/i&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;é&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;absolutamente&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;absolutamente audível&lt;/i&gt; remete àquilo que é &lt;i&gt;categoricamente passível de ser ouvido&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o é em sua forma &lt;i&gt;pura&lt;/i&gt; (tem &lt;i&gt;potência&lt;/i&gt;) ou &lt;i&gt;efetivada&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;escutável&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;sujeito ao silêncio&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;quase [passível de ser ouvido]&lt;/i&gt;; aquilo que &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; é &lt;i&gt;quase&lt;/i&gt;, não pode, em última análise, sê-lo. portanto, &lt;i&gt;quase audível&lt;/i&gt; diz respeito àquilo que é ou &lt;i&gt;absoluta e obrigatoriamente audível&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;absolutamente inaudível&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;quase-audível&lt;/i&gt; representa, portanto, a uma dessas condições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o &lt;i&gt;nada&lt;/i&gt; as nega categoricamente, o que remete simplesmente à impossibilidade de se usar aquelas classificações absolutas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;voltamos novamente, portanto, a considerar aquilo que está no limiar do &lt;i&gt;escutável&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;do inescutável&lt;/i&gt;. leia-se, sua &lt;i&gt;potência&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;III&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;estamos falando, afinal, de uma condição que implica a potência de uma vibração sonora de ser considerada pelos nossos sensores auriculares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;uma proposta de discussão de nome Nada Quase Audível, concluindo, deve sugerir, ao menos, que aquilo que for considerado, o seja com &lt;i&gt;investigação&lt;/i&gt;, sem se atribuir juízos absolutos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Da Arte e sua faceta segregacionista&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu namorado diz que eu concebo a Arte como forma de segregação. Sem ser desonesto, não posso conceber um tipo de Arte que, em níveis práticos, não o seja ela mesma uma dimensão cuja imprescindibilidade do fator segregador é absolutamente efetiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sonho da &lt;i&gt;supressão do artista&lt;/i&gt;, utopia dos situacionistas em que durante certo tempo cri -e ainda cegamente creio fazê-lo-, isto é, a ressignificação (ou dessignificação) do conceito de Arte por meio da emersão de toda individualidade à estima de produtor artístico -afinal, todos são artistas em potencial-, é, para Hakim Bey, uma hipótese tão absurda quanto a hipótese de simplesmente se encarar o fim da Arte assinando seu documento de óbito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O criador dos conceitos de Terrorismo Poético e Arte-Sabotagem pensa sobretudo em uma &lt;i&gt;realização pessoal&lt;/i&gt; (e aqui, corro o risco de diacronismo, me perdoem) onde a experiência da vida é o próprio &lt;i&gt;happening&lt;/i&gt;, ou então uma que está relacionada com a convivência em Zonas Autônomas Temporárias (labirintos de ratos nas brechas da máquina social capitalista).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A proposta defendida por Bey, entretanto, também não passa de mais uma daquelas teorias (embora também convicente) &lt;i&gt;faca-e-queijo-na-mão&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Supondo que a Arte ainda exista -contrariando Bey, para quem ela teve fim na rouca gargalhada de desabafo dos dadaístas-, não vejo de que outra maneira eu possa encará-la senão como essencialmente segregacionista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se até antes da Idade Moderna não haviam os especialistas que a legitimavam -isto é, os críticos da classe dominante-, antes de tal a Arte ao menos exercia uma &lt;i&gt;função social&lt;/i&gt; -do artesão antigo, do cidadão com direitos, do religioso que possui um dom, até assumir o formato de um artesão moderno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez a questão da Arte tenha se tornado uma grande neurose -daqueles que se esforçaram e ainda se esforçam por delimitá-la- a partir do momento em que ela se tornou democrática, ou simplesmente a partir do momento em que ficaram nítidas as divisões sociais para se pensar em &lt;i&gt;arte-modelo&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;arte-excêntrica&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Arte é sim uma forma de segregação. Mas também a mais bonita delas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-5066316486226032854?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/5066316486226032854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=5066316486226032854&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5066316486226032854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5066316486226032854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/08/nada-quase-audivel-i-pensando-em-termos.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-2126077528920609416</id><published>2010-08-05T21:48:00.000-07:00</published><updated>2010-08-05T21:54:05.063-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orgulho-dezessete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;turquesa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um surto de bela&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de bela beleza&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;me esmago por ela&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-por ela que é bela-&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a linha turquesa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as câmeras se desmontaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;falaram assim, que a maneira revolucionária de filmar está em não filmar. em outras palavras, elas reivindicaram por uma revolução cinematográfica de forma que elas deixassem de ser ferramenta para serem espectadoras de suas próprias vontades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;elas queriam apreender suas rotinas. então, se desmontaram, e o cinema deixou de ser desonesto, porque não podia ser mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e os homens cortaram seus pulsos, porque não suportaram ver a própria paisagem subverter os papéis, e se tornar cenário, uma parte da vida do cinematografador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;foram em busca de um mundo espetacular, na forma mais fácil de escapar do veneno da pessoalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e a falta de solidão é&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;i n s u p o r t á v e l .&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;talvez a &lt;i&gt;vibe&lt;/i&gt; não seja tanto mostrar o mal-estar, mas sim a realidade com o mal-estar intrínseco ao (seu) imaginário (&lt;i&gt;real&lt;/i&gt;); explicitadas as fraquezas, o mal-estar, cuja iminência será objetivada na experiência do espectador, refletirá a realidade utópica produzida pela ferramenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esse "tornar-se objetivo" será o &lt;i&gt;instigar&lt;/i&gt; o público automaticamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;I - um desafio seria o da fidedignidade com o real&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;II - outro seria a parcimonialidade (aparente, afinal, a parcimonialidade -esse parâmetro baseado em valores- é relativa; a única coisa -além dos fatores extrínsecos a esta análise, como a desonestidade implícita na câmera-, portanto, que é inevitável neste viés das coisas objetivas, é a parcialidade, ao menos, social)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;III - o terceiro desafio é instigar o público. tentativas serão feitas com &lt;i&gt;a)&lt;/i&gt; o interesse da reflexão e &lt;i&gt;b)&lt;/i&gt; o interesse da percepção&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;IV - talvez o maior desafio seja o de mostrar o mal-estar sem este estigma; simplesmente o de escancarar questões em uma realidade utópica (ao menos social, parcialmente)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;estes serão os fundamentos-ideais desta técnica de audiovisualização que busca tornar cognoscíveis, inteligíveis e apreciáveis os cotidianos das vidas modernas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;capivaras&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;nós odiamos as capivaras porque elas são totalmente passivas e inanimadas em relação às nossas tentativas de estimulá-las.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;para Eu que faço Ciências Sociais a realidade nua e crua é belíssima. ela me instiga. para quem não está acostumado a objetivá-la em uma experiência sócio-contemplativa, recomendo esfregá-la na cara. essa realidade pode causar mal-estar, embora eu a admire, e se isto acontece, regozijo. nada mais arrebatadoramente excitante do que o mal-estar dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-2126077528920609416?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/2126077528920609416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=2126077528920609416&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2126077528920609416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2126077528920609416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/08/turquesa-um-surto-de-bela-de-bela.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3246706422452549594</id><published>2010-08-01T03:40:00.000-07:00</published><updated>2010-08-04T20:56:42.951-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suruba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Balada Afônica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estas foram minhas férias mais irreversíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No sentido e direção mais doentios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evoluíram em um vetor exponencial e atingiram níveis supra-perplexos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha literatura foi um manual de que alguma pulsão de morte demoníaca se apossou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas férias foram um triste. Foram um feliz. Foram um qualquer coisa de sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preocupantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou com medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algo me quer derrotar quando abraço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando faz frio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algo que me chora. Internamente. Como uma hemorragia insistente, porque não se pode ser paulistano e querer ser amante ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida está excluída da sociedade do tédio paulistana. Resta uma balada sem som, uma polifonia afônica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho a impressão de ter sido vítima de um trote do meu inconsciente, este responsável por testar todas as teorias por mim admitidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resta a metáfora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Insistentes, as senhoras sentadas em estrelas riem, pilheriam, com tanto, mas com tanto sarcasmo e tanto afinco que fazem (até) faltar o sono a São Pedro, que tem uma overdose de pó-de-guaraná -ou melhor, em termos paulistanos, de &lt;i&gt;Red Bull&lt;/i&gt;- para manter o serviço otimizado. É exatamente neste instante que as estrelas decidem deixar a cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;i&gt;O&lt;/i&gt; Amor Irreversível V&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor da porta das manhãs é clandestino. É definitivo seu batom de mentira com que se pinta, a sombra que passa delineia sua própria sombra na rua, contra a luz dos postes, contra a luz da Lua. O amor da porta das manhãs não quer ser verdadeiro, não se importa com nada que possa dizer respeito a fidelidade particular, compromissos extra-instantâneos e outras pieguices da pré-modernidade: ele espera que simplesmente o efeito da função que proponho no meu &lt;i&gt;marketing&lt;/i&gt; pessoal alcance o limite esperado. Nunca é, e é por isso que as empresas de Serviço de Atendimento ao Consumidor já estão mais ricas do que as de produtos básicos (como as indústrias do sexo, da felicidade e do poder).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o eu-líquido escorregou pelos degraus imundos do tão límpido &lt;i&gt;shopping center&lt;/i&gt;, não pensei em casamento, ou nenhum outro tipo de contrato satânico. O requinte diabólico estava, pelo contrário, na desonra do casamento, que se tornou uma casamentira. Sei que na cabine do banheiro, não o prazer da aventura, mas o do novo, óbvio, nos tomou imediatamente, pois ao ponto de ônibus contíguo à galeria nos direcionamos: o meio que encontramos para tornar mais confortável esse amor irreversível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Complacente me ofereceu suco, carambola, conversas fenomenalmente acríticas a respeito de espiritualidade -ou melhor, espiritualismo, porque o sufixo me remete a doença-, mas isso tudo era apenas acessório: estávamos ali -eu estava ali, em sua casa- apenas pelo sexo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Transamos como eu jamais faria com outra pessoa, o que é bom. É sinal de que eu pelo menos consigo identificar e distinguir atividades e condutas pontuais no sexo dentro do universo de relações que eu já tive. Esta, aliás, está na lista das irreversíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ônibus disse qualquer coisa de engraçado ao cobrador. Não sei se propositalmente ou não, o fato é que ele riu e respondeu algo até que simpático, ainda que ininteligível. Pensei baixo a respeito dos discursos dos amigos -que são meus psicólogos, embora não sejam formados nem por uma faculdade federal- que comigo tentaram tornar cognoscíveis as minhas noções a respeito das questões que envolvem a preocupação que a noite irreversível tentara solver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite sem estrelas da cidade por um instante pareceu perigosa. Mas obviamente não passa de ilusão. Afinal, o amor verdadeiro me espera na porta das manhãs.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;st (incrivelmente)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até sexo como um paulistano ele faz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;História das Brincadeiras&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre o móvel de imbuia, no qual se encontravam um cofre noventista do Garfield (dentro do qual os indivíduos se amoedavam), um pote cilíndrico com desenho de abelha (dentro do qual funcionava uma dimensão composta de cereais, bactérias, déficit de oxigênio e um breu quase entediante), uma flanela azul, esquecida e manchada (sobre a qual multidões de bactérias e protozoários -talvez fungos- lutavam para a sobrevivência e para o domínio sobre os restos -de qualquer coisa que reste- do móvel, da mesa e da pia, compilados), e também três outros potes metálicos encostados no canto (dentro de um dos quais havia um saco de pipoca -que poderia ser descoberto segundo uma conta matemática fabulosa) acumulando poeira do lado de fora e tétano dentro de si mesmos, duas formigas apostavam corrida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na prática, porque na teoria elas estavam fazendo algo que apenas diz respeito à bio-sociologia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Eu duvido que você chegue antes de mim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Que pena, porque eu que vou chegar!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estavam em um embate desgraçado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cozinha estava vazia, mas a luz havia sido esquecida acesa. Os objetos sobre o móvel de imbuia não se preocupavam em criar vida, entretanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Olha só, a malhada vai ganhar! -diria o Garfield banqueiro se pudesse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Vai nada, eu aposto é na retinta! -diria a abelha-silo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas as formigas estavam apenas correndo rumo a alguma coisa que lhes dissesse respeito segundo o diagnóstico do zoólogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu insisto que estavam apostando corrida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Você está comendo poeira!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Você vai ver só! Vou falar que você é uma formiga preguiçosa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Isso só se você conseguir chegar até lá! -e esta soltaria uma gargalhada que até os ímãs de geladeira estremeceriam -e olha que ímã de geladeira nunca sente calafrio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a geladeira continuava no ritmo monótono -e assustador ao mesmo tempo- de sempre. Enfim as duas chegavam ao limite imposto pelo móvel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Não falei que era a retinta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Tudo bem, o dono do dinheiro sou eu mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas as formigas desafiam a gravidade, e elas subiram rumo ao céu, que é o teto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Eu ainda vou te alcançar!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Estou só vendo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algum barulho de porta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi apenas impressão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As coisas continuavam intactas. Na teoria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque na prática, eu insisto, elas acompanhavam a acirrada competição entre a formiga malhada e a retinta, preocupadas apenas em serem tudo, menos um inseto.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3246706422452549594?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3246706422452549594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3246706422452549594&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3246706422452549594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3246706422452549594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/08/balada-afonica-estas-foram-minhas.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4828548191813078165</id><published>2010-07-28T09:19:00.000-07:00</published><updated>2010-07-28T09:25:43.413-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inverno-anomalia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><title type='text'>A Digressão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dá um medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De não saber o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um instante eu pensei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vontade de abraçar. E o abraço é engraçado, ele é só praticamente um dos gestos que mais dão margem para se acusar de insegurança. Parece que abraçar significa ingenuidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez seja isso mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não creio que os paulistanos gostem de abraçar. Nem acho também que estejam aptos para começar a fazê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que, pobrezinho, o abraço será esquecido. Parece algo elementar em todos os lugares. Mas o que esperar de uma sociedade que abole o amor senão o esquecimento das práticas românticas. O abraço tende a durar enquanto continuarmos nos reificando. Quando esse processo terminar, nós, máquinas humanas, poremos em início o processo de hiperfuncionalização. Serão abolidas a estética e beleza, pois, a princípio, elas não têm utilidade para a manutenção daquilo que é vital. O beijo não fará, pois, mais sentido e, tampouco, o abraço. O sexo continuará a ser mecânico, mais ou menos como é hoje em dia, só que institucionalizado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas será exatamente aí que a máquina ruirá. A beleza é apenas aparentemente improdutiva. Ela, entretanto, no mínimo, alimenta o espírito, e aí a máquina perderá no que diz respeito à sua alimentação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espera-se contudo que os homens perfeitos que a criarem se preocupem em manter a pluralidade, mesmo que artificial. Uma máquina social que prescindisse da alteridade, que minasse todas as particularidades estaria minando a si própria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Engraçado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um instante esta digressão monstruosa me fez esquecer do medo. Daquele medo de não saber o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De não saber o que fazer quando não se tem o que ou quem abraçar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4828548191813078165?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4828548191813078165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4828548191813078165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4828548191813078165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4828548191813078165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/07/digressao.html' title='A Digressão'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-9019991318854607850</id><published>2010-07-26T20:02:00.001-07:00</published><updated>2010-07-26T20:02:49.553-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primavera abacate francesismos posar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'>Proseccage</title><content type='html'>&lt;div&gt;Noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na Paulista amores em potencial. Paulistanos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-9019991318854607850?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/9019991318854607850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=9019991318854607850&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/9019991318854607850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/9019991318854607850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/07/proseccage.html' title='Proseccage'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-2296848127022295378</id><published>2010-07-16T10:48:00.000-07:00</published><updated>2010-07-16T10:54:25.585-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inverno-anomalia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'>Canção do Asfalto ou Canção do Assalto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma subida, não muito íngreme, e na rua recém-reasfaltada, Heloísa, que é o nome da minha &lt;i&gt;bike&lt;/i&gt;, e eu passeávamos. Não me interessava chegar mais cedo ou mais tarde em casa, desde que as minhas preocupações pudessem ser dissolvidas por inteiro na brisa da paulistana noite sem estrelas. Como eu ia explicar que o meu terceiro aparelho celular quebrara, como os outros dois, para os meus &lt;i&gt;responsáveis&lt;/i&gt;? Mas o problema logo se resolveria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para converter-se em outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram duas horas da manhã. A postura que eu assumo em relação ao mundo, eu não quero mudá-la. Digo exatamento o mesmo para todas as pessoas quando elas me dão sermão quando pinto o cabelo de verde, quando saio de mãos dadas com o meu namorado, quando atravesso a cidade com Heloísa, quando saio para andar de bike às duas da manhã: eu estou disposto a assumir o risco para poder me sentir mais livre. E, também por enquanto, sou inexorável quanto a esta ideologia. Foi o que restou de mim depois de ler Raoul Vaneigem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o risco tornou-se efetivo quando, naquela subida, um sujeito, na direção oposta, ou seja, na descida, parou a moto, desceu e me encarou com uma cara odiosa. Entendi absolutamente tudo na hora. Fui em sua direção e pretendi acelerar Heloísa, mas na pré-dispersão em que me encontrava, e também pelo fato de eu estar em uma subida, o meu plano engasgou, de forma que o meu grito de "filho da puta" logo cessou quando o novo amigo me derrubou da bicicleta, com uma força que só a abstinência pode produzir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu bem poderia ter dado meia volta. Mas o único pensamento que o meu reflexo considerou foi o de possivelmente destruir meu oponente, o que não aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[A bem da verdade pode-se pensar no oposto.]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era como se o meu inconsciente ordenasse&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;CORRA! SEJA ASSALTADO!!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na queda quebrei um dente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Irreversivelmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Heloísa também zuou a clavícula, pobrezinha, não tinha nada a ver com isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre mim, na calçada da vida, me asfixiando com uma chave de braço, ordenou-me que &lt;i&gt;sacasse o celular&lt;/i&gt;. Obviamente eu não o fiz (i) &lt;i&gt;porque estava imobilizado&lt;/i&gt; e também porque (ii) &lt;i&gt;estava asfixiado&lt;/i&gt;. Felizmente (sim, porque tudo aconteceu felizmente) ele pegou o celular, que estava com o visor quebrado a quinze minutos (o que é uma pena, porque o dispêndio de sua empreitada acabara sendo infrutífero) e se foi em seu alazão em busca da cocaína sonhada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um babaca! Achou que ia conseguir assaltar alguém às duas horas da manhã de um domingo. Conseguiu só porque tem muita sorte (ou felizmente não, afinal furtou um aparelho que não valia naquele instante um terço do que quando fora me dado).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recompus-me na velocidade que consegui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantei-me mais ou menos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lesado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde está o meu dente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A liberdade levou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantei Heloísa e rumei em direção a um pouco mais de satisfação pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-2296848127022295378?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/2296848127022295378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=2296848127022295378&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2296848127022295378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2296848127022295378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/07/cancao-do-asfalto-ou-cancao-do-assalto.html' title='Canção do Asfalto ou Canção do Assalto'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-1362105414677012208</id><published>2010-07-12T19:43:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T18:28:31.429-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inverno-anomalia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'>Do cabelo verde</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O preço que eu pago por pintar o cabelo de verde é, minimamente, a paranoia. Ousaria dizer que o pacote inclui um aumento absurdo da falta de respeito dos outros em relação a mim: meus direitos de cidadão moderno são suspensos e, conforme a animosidade dos meus concidadãos, o poder de análise destes se torna audível, seja o diagnóstico positivo ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crítica mais ferrenha a respeito dessa atitude diz respeito àquilo que no senso comum se dá o nome de &lt;i&gt;chamar atenção&lt;/i&gt;. Uma explicação ingênua para essa repulsa seria dizer que os demais têm inveja da minha coragem de efetivar aquilo que na verdade seria um desejo latente. Não posso crer que seja assim fácil de explicar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crítica se volta a uma atitude que &lt;i&gt;chama atenção&lt;/i&gt;. Por ser diferente, talvez. Não sei também se a explicação está ao meu alcance, diria que não. O fato é que a cor excêntrica instiga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O verde em especial -e aqui eu me dou o direito de fazer tal comentário com argumento de autoridade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A lógica é simples: alguém pinta o cabelo de verde para chamar atenção, afinal, é inconcebível que alguém o faça pensando no efeito estético que isso pode produzir. Logo, os indivíduos se esforçam para catalogar a anomalia conforme determinado motivo ou ideologia nos quais ela se encaixa taxonomicamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É fácil: eu sou palmeirense! A outra comum é o Hulk. Ambas explicações são automáticas e obviamente superficiais. Um ou dois me perguntaram se se tratava de vegetarianismo ou veganismo. Um perguntou se eu era &lt;i&gt;punk&lt;/i&gt;. Alguns poucos fizeram gestos de aprovação, alguns outros grunhiram de reprovação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é óbvio, para quem me conhece, que a última coisa na qual eu estou pensando é na Mancha Verde, imitar uma personagem ou em parecer um &lt;i&gt;straigh edge&lt;/i&gt; consciente. Trata-se do efeito estético que a cor verde, minha predileta, apresenta enquanto cor do meu cabelo. Acho realmente bonito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra observação diz respeito ao pensamento das pessoas acerca dos instantes em que eu estou de cabelo colorido e um parceiro. A associação do afeminado com aquele homossexual que chama atenção é o lugar comum do qual se depreende a máxima &lt;i&gt;não basta ser gay, tem que chamar a atenção&lt;/i&gt;. Pintar o cabelo de verde então é a extensão de um projeto cuja essência se encontra na homossexualidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, como enunciado no início, além da situação humilhante de objeto de estudo no qual me transponho ao pintar o cabelo, o outro preço que eu pago é a paranoia. É sair de casa e, a cada pessoa que passa, pensar no que ela está achando, mesmo involuntariamente (salvo certos momentos em que eu realmente esqueço disso ou estou com amigos, algo assim), ou pensar no impacto que eu estou causando (e essa é a parte divertida; fico entusiasmado de pensar no risco que eu assumo para me sentir mais livre, pois às vezes, eu realmente acho, perturbo um ambiente apenas com a minha singela e colorida presença). É medir cada um dos meus passos, cada uma das minhas ações, cronometrar gestos, planejar a entonação da voz...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso apenas para que eu possa provar para mim mesmo e para o resto do mundo que uma pessoa de cabelo verde pode apresentar uma conduta não necessariamente agressiva diante dos demais, excetuando, claro, a própria agressividade e, portanto, também o sentido político, intrínsecos ao efeito do cabelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-1362105414677012208?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/1362105414677012208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=1362105414677012208&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1362105414677012208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1362105414677012208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/07/do-cabelo-verde.html' title='Do cabelo verde'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3223923960679343439</id><published>2010-07-07T20:58:00.001-07:00</published><updated>2010-07-07T21:02:28.161-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;O homem que eu era voltou.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Eu disse ao garçom que quero que ele morra.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em sua &lt;i&gt;garçonnière&lt;/i&gt; ri com as notas de dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me trocou por uma de cem! Por uma! Só uma!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Mais um gim tônica.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Relato do Rolê Miado&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Convidado feito um estranho senti certo receio. Mas os vários de mim convenceram a não duvidar, e lá fui, livro na cueca, cueca na calça, previnido de tédio-dos-outros-que-também-me-quer. Mas diacho que o cobrador do bús pra quem pedi informação não deu palavra durante a viagem, e dei por conta do infortúnio apenas no fim do passeio. Quis ligar, avisar que eu 'tava miado, mas não encontrei dois celulares no bolso. Embriagado de medo naquele terminal que eu não conhecia -que, eu temia, terminasse comigo antes que eu terminasse co'aquilo-, 'inda criei coragem e colei no orelhão. Avisar-lhes-ia a respeito das minhas condições em relação ao rolê, mas aqui o futuro do pretérito indica pro senhor que o efeito foi abortado: certa figura me pausou e puxou conversa. Disse-lhe que 'tava meio zuado pra discursar, mas o piá não me deixou em paz com história de família, de Jesus, de dinheiro, e eu gritei pro pivete que saísse do meu pé. Pois o trote foi duplo, o pai do pestinha me colou no ouvido antes mesmo que eu tirasse o gancho do fone. Veio sim, e veio com história de respeito, educação e o escambau, então eu simplesmente gritei que aquele cachorro fosse pro inferno. Pra quê?, o tio enlouqueceu, e também nunca vi pessoa mudar de cor de emputecida. Pois eu garanto, o mano lá do terminal ficou azul de raiva. Literalmente. Eu disse "Calma, campeão, eu só não dou o dinheiro porque 'cabaram de me roubar", mas o azulão parecia não estar mais interessado em nada senão me destruir. E, puta que pariu, eu não tinha grana nenhuma. Então um tio de bombeta e óculos mui bregas, feito o Roberto Carlos (com barriga feito gigante cisto), de longe me disse que não temesse, se tratava de televisiva anedota. Cristo! Bradei que pro inferno fossem com aquela maldita pilhéria, que eu não estava em condições &lt;i&gt;et cætera&lt;/i&gt;. Uma semana depois apareci na televisão. Não assinei nada, não precisei, eles forjaram uma rubrica. Ignorei a ideia de processá-los. Comecei a comer uma mina que me conheceu por meio do programa de pegadinhas. Tanto melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3223923960679343439?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3223923960679343439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3223923960679343439&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3223923960679343439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3223923960679343439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/07/notas-o-homem-que-eu-era-voltou.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-325987720694960342</id><published>2010-07-05T13:21:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T13:29:36.071-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suruba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Tentativas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Sei que vai ser muito bom.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Pois eu tenho a imaginação fértil&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Gosto de agradar.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#1&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ele entrar por aquela porta, eu vou simular estar durmindo, então ele se inclinará sobre mim e dirá&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Acorda, amor, eu vou te levar pra cama.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então agarrarei em seu pescoço e darei um beijo que vai deixá-lo sem língua pelo menos até o início da manhã seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#2&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ele abrir a porta, a casa estará inteira à meia luz, estará tocando James Taylor, e eu estarei na cozinha esperando ele se sentar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando isso acontecer, servirei um vinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#3&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando eu ouvir o carro chegando, correrei para a frente da casa apenas de cueca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#4&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ele entrar no quarto receberá uma flor, que terá de morder enquanto eu amarro suas mãos e vendo seus olhos. Tirarei toda a sua roupa apenas com os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#5&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ele adentrar a sala de estar me ouvirá clamando do banheiro para que vá me fazer companhia no banho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#6&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando, depois de trancar a porta, ele olhar para trás e me ver com uma cara tristonha, perguntará&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;O que aconteceu, amor?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu direi&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Acho que estou muito vestido. Será que você não pode me ajudar?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#7&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ele entrar na cozinha, me verá devorando um pote de sorvete.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Quer me ajudar?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;#8&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ele se deitar ao meu lado esta noite, como em todos os outros dias, perceberá, como em todos os outros dias, que há um preço para se dormir em paz.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;s/t&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Sentimento mentiroso&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Premente no peito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero o amor das manhãs&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Irritado ou manhoso&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De qualquer jeito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seja qual for o afã&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;s/t&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Namorado. Namorado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eduardo. Eduardo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;s/d&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-325987720694960342?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/325987720694960342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=325987720694960342&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/325987720694960342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/325987720694960342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/07/tentativas-sei-que-vai-ser-muito-bom.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-6117753896649548965</id><published>2010-06-29T10:30:00.000-07:00</published><updated>2010-06-29T10:40:56.991-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primavera abacate francesismos posar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;b&gt;Declarações de amor com palavras ao vento I&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;#1&lt;/b&gt;&lt;/div&gt; Aproveitando o jogo do Brasil, vesti aquela camisa verde-abacate que eu não usava há muito tempo por vergonha, e fui andar de bicicleta. Quanto verde, quanto amarelo... Mas o mérito verdadeiramente paulistano, e verdadeiramente verdadeiro, é o cinza.&lt;br /&gt;Eu te amo, inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;#2&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;-Sim, gato, nós temos que resolver uma coisa sobre a tua cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;#3&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Acho que a sola do meu pé nunca mais será fina de novo. Não o temo, sinto-me protegido.&lt;br /&gt;Acho que os calos que o guidão da bicicleta produziram na minha mão jamais sumirão. Não os temo, sinto-me parte de alguma da coisa da qual jamais terei vergonha.&lt;br /&gt;Acho que o meu coração sofreu um acidente e jamais conseguirá respirar por conta própria. Não o temo, desde que você esteja lá para alimentá-lo, até que um dos dois primeiro se vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Cigarros Voadores!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um cigarro voador muito bem planejado não significa que em tal processo se constitua como agente da perfeição. Mesmo porque tal processo está fadado à imperfeição se esquecido pelos delegadores de critério: a ciência &lt;b&gt;é&lt;/b&gt; relativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pés-de-galinha fenestradas estão dançando paradas. Apenas o foco míope defenestra a si próprio, acompanhando a catapulta digital. O arco descrito é luminoso feixe, faísca laranja na rua planejada. Ou quase planejada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O importante é que assim começou o diálogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Cigarros voadores!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Opa! Foi mal aí!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Que é isso!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma gargalhada inapropriada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Escuta campeão, como chego na Flores Campos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Aonde?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Na Flores Campos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ah! Vish! Acho que você tá meio longe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da fenestra os míopes olhos notaram os cansados interlocutores, comportados em bolsões cor-de-terra. Entretanto não cessavam de brilhar. Logo completou!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ah! Espera aí que eu te dou uma carona.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ah! Não! Não! Não precisa, eu vou ligar pro táxi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Preciso comprar cigarros, o &lt;i&gt;Premium&lt;/i&gt; é o supermercado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Isso!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Que fica...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Então, é lá perto, me falaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Na Flores Campos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Perto de onde preciso ir, quer dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Então peraí um pouco, vou só pegar uma blusa e avisar a velha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caminho não trocaram palavra. Um súbito constrangimento apossou-se do carona. Contas eram feitas a título de passatempo. Unhas, contudo, não foram poupadas da mutilação do acompanhante avulso. "&lt;i&gt;Por enquanto foram dez minutos. Como é meia noite e meia e praticamente não há trânsito, a pé eu demoraria uma meia hora. Acho. Então, se disser à Lucinha quando chegar que...&lt;/i&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Desculpa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Disse antes da não-calculada parada. O carro fez doente ruído.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Preciso ver uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assustado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ah! &lt;i&gt;Okay&lt;/i&gt;! Digo, já está perto? Posso ir andando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nenhuma resposta. Suave ré. Olhos arregalados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Que que há campeão? Tá tudo bem contigo? Tá passando bem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhos estáticos. O novo amigo resolveu segui-los.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um beco insuspeito silhuetas brincavam. O campeão chora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Que foi? Acho que você está tendo alguma crise, né? Espera aí, eu já volto, vou buscar ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no final da história, nem o dono dos pés-de-galinha esperou seu companheiro instantâneo-ocasional, nem este último voltou com recursos para auxiliar o primeiro a voltar ao estado de normalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, eu garanto, como que como um milagre, o cigarro arremessado só se apagou com o primeiro raio de luz arrogante matinal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;fim de junho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;2010&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a melhor poesia que eu escrevo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tem as letras do meu amor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu luto pela poesia - do meu amor cogniscível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;subcuecante e supracardíaco, o amor difícil&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;das centenas de horas, agoras, aforas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que chora, que flora, que adoro, deploro, que adôrno, que chôro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a melhor poesia que eu canto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tem o cheiro do meu amor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu luto pelo aroma - do meu amor reconhecível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;lácteo-pigiante, naso-sudoríparo, o amor sensível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;meu amor escovado, lavado, chupado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;lambido, marido, na cama, sacana, deitado, jogado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esperando minha boca&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;5 4 2010&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-6117753896649548965?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/6117753896649548965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=6117753896649548965&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6117753896649548965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6117753896649548965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/06/declaracoes-de-amor-com-palavras-ao.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-2495443347151183260</id><published>2010-06-27T19:51:00.000-07:00</published><updated>2010-06-27T20:04:09.224-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Amor Irreversível III&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;Eu&lt;/b&gt; tenho o péssimo defeito de não saber de cor as letras das músicas da moda. Depois de ancorar no porto seguro (olhos, um par de botões) me resta apenas determinada simpatia e um fascínio de sociólogo sobre o que é este êxtase artificial e celular no qual esta galera moderna é viciada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;Te&lt;/b&gt; falar que não me exerce fascínio é te assumir alguma medida de hipocrisia. Meu rapaz, essas coisas são gostosas, eu sei. Sabes também. Não o negaremos. Mas até agora o que me resta é simplesmente a curiosidade sociológica. Descobri o amor na porta das manhãs, foi à tarde, e eu o estou vivendo nas barbas da eternidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;Amo&lt;/b&gt; irreversivelmente. As senhoras sentadas em estrelas despencaram terrivelmente. As cores que pediram a conta do analista voltaram; estão quase em alta. Tirei do &lt;i&gt;freezer&lt;/i&gt; algumas das estrelas. A cidade tem feito por merecê-las. Se minha felicidade tivesse um nome -e seria maldoso da minha parte batizar um sentimento imensurável, mas estamos falando de estética-, seria Eduardo. Nome de uma felicidade eduarda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;Eduardo&lt;/b&gt;, guardião das riquezas, virará o meu adjetivo predileto: qualidade daquilo que guarda as riquezas. O meu coração eduardo tem lugar para o que sente uma pessoa eduarda (aliás, que é a mesma pessoa que a minha: simbiose total). O meu amor eduardo comporta o meu amor Eduardo. Vamos eduardar os corações, torná-los possuidores e ricos. Não tenho palpites que possam ser seguidos, eu por ora tive sorte. Não sei se o caminho é a casa noturna. Esqueci de tudo, o único endereço que eu tenho é o número do celular do meu amor, que me leva até a eternidade. A eternidade eduarda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Amor Irreversível IV (Outono em mim)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(I)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor que me espera na porta das manhãs tem me dado fôlego. Há uma semana, jantar em casa, e as flores na imbuia 'inda respiram, se pá com o mesmo vigor com que faço o mesmo agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As fotocópias agora são só amigas, com quem pratico queda de braço -sempre me vencem, mas eu gosto-, com excessão de algumas com quem 'inda tento estabelecer conversa. Às vezes eu não entendo palavra do que dizem. Pobres antiquados &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; pobre &lt;i&gt;mim&lt;/i&gt;, que não sou um clássico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o amor que me espera na porta das manhãs é supra-pulmonar, meus mecanismos biológicos não são mais da ordem normativa das fisiologias; a fisiologia do amor está me convencendo a revolucionar o fator consuetudinário daquilo que agencio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenho escolha. Acho que o doutor Marinho da Silva, que roubou o meu coração sob pretexto de melhor estudá-lo (furá-lo, espetá-lo, maltratá-lo, testá-lo, aprová-lo, tomá-lo para si e então me chutar feito sarnento cão, sem coração, sem Eduardo, sem nada) faz um bom trabalho. Senão como médico, como feiticeiro, porque eu estou enfeitiçado (ele deve ser algo parecido com um quimbanda, ou um sacerdote do vodu, com seu cajado de palavras sensíveis e seu bisturi -que mais parece um sorriso- de operações espirituais). Portando ainda seu sorriso maligno -que corta feito um bisturi- temo que me hipnotize. Ou então é tarde demais, e não domino maneira de resgate. Mas nele confio, e no seu senso de &lt;i&gt;comme il faut&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Ipso facto&lt;/i&gt; &lt;i&gt;ipso jure&lt;/i&gt; me submeto: cruzo as pernas de lábios indecisos, cruzadas de amor, indecisos de ansiedade, &lt;i&gt;I never loved a man the way I love him&lt;/i&gt;, a Aretha Franklin desabafa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas meus pulmões não me enganam, meu sorriso está aí para tudo quanto sou eu, e de alguma forma Eduardo também está. Quanto mais passam as horas mais me sinto seu, e mais o sinto meu. Tudo tem constituído sentido singular. O Malinowski compartilha disto. De jeito símile as próprias cores, as minhas refeições e a rua. E as pessoas, que são vício tão feliz quanto o que tenho pelas minha unhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É esquisito, mas sinto algo de pleno. Desprezo o inverno, a poeira me enfastia. Senão de verão, de outono. Em pleno outono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em pleno. Outono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(II)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As flores da semana passada se esforçam para me entender. Conheço o potencial que têm. Mas vão morrer bem antes de mim. Depois que terminar o &lt;i&gt;player&lt;/i&gt;, o pai-dos-burros virtual, e fechar o bloco-de-notas da pós-modernidade, terei uma conversa &lt;i&gt;tête-à-tête&lt;/i&gt; com elas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Expio os crimes de mim -cada vez mais de porre- até lá, com o riso safado do hipócrita: ai que falta de vergonha eu tenho, de ser tão feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(III)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto algo em nós que é maior do que todo o resto, algo que compartilho, que compartilha, que compartilhamos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorrisos se desfazem na poeira das manhãs: é meu amor que vem me buscar mais uma vez para o dia que se anuncia, ninado, ninando, me ninando, meninando...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu nunca tive tanto poder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;5:15&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;20 6 2010&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-2495443347151183260?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/2495443347151183260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=2495443347151183260&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2495443347151183260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2495443347151183260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/06/amor-irreversivel-iii-eu-tenho-o.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7536913030417619832</id><published>2010-06-23T21:54:00.000-07:00</published><updated>2010-06-23T22:10:15.216-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Desabafo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descobri em alguém mais um vez, e ao contrário das expectativas -tão murchas após um período de inferno astral secular-, alguma coisa que eu pudesse julgar mais próxima do que considero "ânimo". Depois de muito, muito tempo espe(rma)culando a respeito do que seria uma ideia de vida a dois (e as várias possibilidades e possibilidades de legitimação de tais etc) eu tive uma comprovação de que na verdade eu quero morrer ao lado de um anti-príncipe. O mais assustador é notar como esta figura familiar retornou à cena não apenas de cara, nome e roupa trocados, mas surpreendentemente de forma muito mais sedutora do que todos os outros episódios, o que eu por um instante -confesso- julgara impossível -em virtude, é claro, de muitas horas solitárias, sendo essa última estima "impossível" o estágio final de uma linha temporal que começara no "fácil", passara pelo "complicado" e precedera o "dificílimo".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mescla de características de importantes camaradas que &lt;i&gt;&lt;b&gt;o&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; precederam foi algo que me chamou a atenção. Não sei se tem a ver com alguma nostalgia latente -sou tentado a acreditar que tem, mesmo eu não querendo-, ou se é simplesmente o caráter antiintelectualista do meu novo amigo que me seduzia, a ponto de confundir a minha libido sem eu nem mesmo tê-lo possuído ainda -característica pessoal manifesta apenas em momentos específicos posteriores a encantamentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A corrente de metal que eu usava como colar pode ou não ter relação com isso. Mas o sujeito que eu conheci simplesmente representava uma grande medida percentual daquilo que eu aspirava (com alguma confiança não absoluta) como sendo a possibilidade de efetiva interação supra-superficial -e realização da aparência e dos papéis por mim imaginados no que toca o social, o que é podre, assumo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ser legal -e aqui eu me refiro a "legal" no sentido individual e próprio da concepção- não é coisa muito fácil. Ser parceiro e ser legal é praticamente meta de uma epopeia cotidiana, mesmo se tratando de uma cidade megalomaníaca como São Paulo (onde não se pode sequer ver mais as estrelas, porque elas se enfurnaram em quitinetes no COPAN).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim não posso ser merecedor dos gritos de &lt;i&gt;vítor&lt;/i&gt;, não porque eu esteja interessado em provar que não existe realização estrita e sim relativa, mas porque, se eu estiver falando de uma dimensão prática, porque Ele não me procurou mais, fazendo com que eu entrasse mais uma vez em um estado paranóico e talvez até de enlutamento. A analogia com as cinco fases do reconhecimento da própria morte é tentadora, mesmo que eu careça de base empírica para provar cientificamente uma relação com o caso da minha nova e velha perda. Vale a metáfora então: Choque -&gt; I.Negação -&gt; II.Cólera -&gt; III.Barganha -&gt; IV.Depressão -&gt; V.Aceitação. José Luiz de Souza Martins, de quem eu tirei esta construção, assinala dizendo que o moribundo ainda pode morrer estagnado em uma das fases.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lendo um livro muito pesado (para mim) chamado &lt;i&gt;O que é Corpo(latria)&lt;/i&gt;, de Wanderley Codo e Wilson Alvez Senne, deparei-me com a seguinte frase:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;O prazer maior está exatamente na perda, no descobrimento do outro em mim, único caminho da construção da individualidade.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No contexto, os autores se referiam ao orgasmo e à sexualidade humana (o argumento era de que o exercício da sexualidade -pra ser mais específico, do orgasmo- é, paradoxalmente à concepção corpólatra do prazer individualizado, impossível sem o outro e que, como o trecho supracitado propõe, o prazer do orgasmo está na alienação do indivíduo de um êxtase que é simbiótico). Podemos considerar este axioma além da esfera sexual, ampliando o campo conceitual proposto para um que seja pertinente a qualquer tipo de interação social (em um sentido estrito, mais ou menos weberiano).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso então exprimir meu descontentamento neste desabafo, e mais especificamente, em uma pergunta (passível de entedimento dados os argumentos elencados até agora, porém de resposta aparentemente incognoscível).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como, após mais uma desilusão como a problematizada, e lendo um texto igual a esse, posso então erguer o nariz e com uma convicção que não seja falsa dizer que posso acreditar ou que acredito no amor, mesmo que no sentido prático?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;2:16&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;4 6 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Bipolaridade Mentirosa&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Um sentimento. Não sei se frio, ou uma angústia intensa. Intensa de saudade. Saudade de alguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Parei de sofisticar as dores: as coisas são fáceis efetivamente, elas de fato dão certo. Pode ser um otimismo cego. Se for, quando eu acordar desse sonho maravilhoso (caso isso aconteça, o que é possível, mas atualmente inverossímil) não terei entraves para assumi-lo. Pago então o preço do ridículo, caso se trate disto a situação; o risco que eu assumo é maior do que o mundo, vai me sufocar de vontade, temo estar possuído: as coisas são fáceis efetivamente, elas de fato dão certo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Anti-príncipe? De onde eu tirei essa bobagem de mensurar nessa dimensão o amor, sendo que ele jamais será racional, e portanto mensurável? Não posso confundir simples "quedas" estritamente com aquilo que eu posso esperar de um deus estático.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Não condeno minhas crises. Elas sempre estiveram aí para serem superadas. Entendo agora que &lt;u&gt;uma crise demorada merece também uma revanche demorada&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Eu não vou mais me culpar a respeito de nada, ou culpar o mundo, as coisas, a sociedade, São Paulo -que não tem estrelas-, ou a Sociologia; estou num estado de transe, um êxtase egoísta que não quer saber de mais nada senão retroalimentar-se, embriagado por um sorriso, encantado pelo acaso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;As coisas são fáceis efetivamente, elas de fato dão certo. Ficam as dicas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Minha paranoia me rendeu linhas e mais linhas, mas eu não as deslegitimo: olho para elas agora com curiosa atenção e penso em como as coisas mais terríveis no mundo já conseguiram inspirar os homens tão brilhantemente. Posso julgá-las (as linhas) ingênuas, mas sei que a princípio não são, nunca serão, são parte de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O barulho da semana passada não me diz respeito no exato momento. Um dia, quando eu voltar a mim mesmo e puder fazer um balanço, eu vos informarei das coisas direito (se bem que vós já deveis estar entediados com a minha bipolaridade mentirosa). Por enquanto eu quero continuar de mãos dadas com a vida, absorto em um sorvete sem fim e amando em completo silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E este silêncio é tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;0:13&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;7 6 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Texto do Domingo Gelado&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quando acordei, às três horas da tarde, ainda estava um pouco tonto, ressaca da pinga. Deve ser por isso que aceitei comer o macarrão requentado -surpreendemente palatável- da noite passada, com molho de pimentão, abacaxi e café, pela minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A noite e a seguida madrugada passadas foram muito especiais. Uma noite divertida. E romântica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;-Você quer namorar comigo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;-Sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Antes de sair de casa pus as músicas da Ella Fitzgerald no celular. Foi isto que ouvi no resto da tarde e na noite tão gelada. Mas a mania das bermudas não me abandona.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;-Eu estou disposto a viver este amor irreversível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Nunca pensei que fosse dizer aquilo. O capítulo d'&lt;i&gt;O Suicídio&lt;/i&gt;, do Durkheim, era fantástico. Foi o que eu li indo de metrô até o Centro Cultural São Paulo. A Catherine Deneuve, novíssima, em uma atuação fantástica no filme do Polanski chamado &lt;i&gt;Repulsion&lt;/i&gt; (título traduzido para &lt;i&gt;Repulsão ao Sexo&lt;/i&gt; no português brasileiro) era tão surpreendente quanto as metáforas do filme, o enredo, o movimento do filme e as câmeras competentíssimas. A trilha sonora foi feita por um tal Chico Hamilton. Era boa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Saindo da sessão, um pouco mais de Durkheim. Os arranjos do Nelson Riddle para as músicas da dupla Gershwin -competentissimamente interpretadas por Fitzgerald- ainda me acompanhavam. Não me dei por satisfeito, a noite geladíssima merecia um café.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;-Eu estou apaixonado por você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quero viver um amor irreversível declarado, com data de nascimento, registro geral, e formalizações de cacau. Quando que eu ia pensar uma coisa dessas há três anos atrás?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Na padaria Lisboa, recém-reformada, aqui neste meu bairro chamado Tatuapé, pretensamente tradicional (o bairro e a padaria), pedi um café grande e um &lt;i&gt;croissant&lt;/i&gt;, só para poder cruzar as pernas no balcão e terminar o fantástico capítulo d'&lt;i&gt;O Suicídio&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;O Suicídio Egoísta&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Não é com demonstrações dialéticas que se desenraíza a fé&lt;/i&gt;, simplesmente brilhante. Não entendo como a Sociologia é privilégio apenas de meia dúzia de graduandos de carreiras de humanas, e foi rejeitada da grade da educação básica durante tanto tempo. Esconder Durkheim das crianças é uma maldade tão grande, tão egoísta, não sei o que pode ser pior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quando terminei, descruzei as pernas, e ainda sob efeito de Ella fui à &lt;i&gt;lan house&lt;/i&gt; tratar da minha faceta virtual -na verdade, socializar um pouco, no fim de mais um paulistano, gelado e solitário domingo sem estrelas, porém suficiente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Voltando para casa, avistei uma embalagem violada de &lt;i&gt;Kissy&lt;/i&gt; graviola. Mais pessoas de bom gosto na Cidade Mãe do Céu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Estou enjoado de tanto verde e amarelo. A Cathy Deneuve realmente estava boa no filme. Achei as pessoas meio irritadas no cinema e na padaria. Será o frio? Será a copa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;-Nenhum homem jamais disse algo tão lindo para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Enjoo de patriotismo-mercadoria, &lt;i&gt;...mas ele não se mata por se instruir&lt;/i&gt;, o &lt;i&gt;man I love&lt;/i&gt;, Billie Holliday foi violentada, a Maria Callas é bonita, &lt;i&gt;é tudo tão sórdido&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;-Barreira, olha a minha nova aquisição. Comprei na Benedito Calixto, uma pechincha!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;-Olha como você trata os seus homens, Eros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;(Mais) um domingo (paulistano, sem estrelas, e) gelado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A gente namora, namorado.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7536913030417619832?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7536913030417619832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7536913030417619832&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7536913030417619832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7536913030417619832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/06/desabafo-descobri-em-alguem-mais-um-vez.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-6836609445047306415</id><published>2010-06-01T09:34:00.000-07:00</published><updated>2010-06-01T09:41:22.770-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><title type='text'>Manual do Amor em Segredo</title><content type='html'>(para homens Homossexuais normais)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;&lt;b&gt;Gostaria de esclarecer que este manual é uma brincadeira -talvez de mau gosto, visto que as linhas de raciocínio aqui esboçadas são estritamente opostas àquilo que de fato acredito. O mais triste é pensar que praticamente tudo o que nele está escrito foi baseado em experiências reais.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;Esqueça tudo aquilo que os teus companheiros fizeram para que você pudesse conquistar os direitos que você tem hoje. Pode fazer mal pensar a respeito. Mas interprete da seguinte maneira: se todos eles se esforçaram e, minha nossa!, alguns até morreram, que pena! Foi tudo em vão, porque "a sociedade é preconceituosa" (uma novidade, uma lei, um princípio estático). Ela é preconceituosa e extremamente intolerante, o que é uma pena!, já que você tem que alcançar os seus objetivos, suas metas, e a sua "vida pessoal" (aqui "pessoal" tem praticamente o mesmo sentido do termo "individual") não pode conferir obstáculo ao seu alcance pessoal de um &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; social desejável e decente.&lt;br /&gt;Este é o pressuposto central deste manual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Jamais estabeleça vínculos fortes com seu parceiro.&lt;br /&gt;(a) O sentimento de reconhecimento em relação ao parceiro é um ponto delicado. Não se pode estabelecer um vínculo tal com um parceiro de forma que se queira honrar uma possível união (isso pode significar: utilizar aliança, morar junto declaradamente, assumir o parceiro publicamente -o que de alguma forma significaria assumir a própria sexualidade publicamente também).&lt;br /&gt;É necessário, para conservar-se a condição de autonomia em relação ao parceiro, uma certa medida de autocontrole. Em termos práticos, significa tomar uma série de medidas para evitar relacionamentos fixos ou perigosamente passíveis de se tornarem simbióticos: estabelecer um relacionamento aberto (mesmo que não se sinta necessário) pode ser uma boa saída; uma outra possível saída é simplesmente negar sistematicamente relacionamentos que não sejam imediatamente afetivos ou puramente sexuais. Adotar uma postura de autonomia em relação a parceiros é uma maneira eficaz de evitar vínculos afetivos fortes o suficiente para que se perca a cabeça.&lt;br /&gt;(b) A &lt;i&gt;regra da discrição&lt;/i&gt; é o princípio sobre o qual se estrutura um conjunto de condutas e procedimentos normativos, inspirada pelo senso comum e criada como método de sobrevivência e blindagem de possíveis hostilidades sociais. Essa regra torna desnecessária a luta política por substituir a conduta homossexual pública por atitudes de fachada, criando assim um &lt;i&gt;momento de ação permitido&lt;/i&gt;.&lt;div&gt;Para as interações que ocorrem neste &lt;i&gt;momento&lt;/i&gt;, existe um &lt;i&gt;papel artificial correspondente&lt;/i&gt;. Como este papel artificial contém aspectos sentimentais genuínos, podemos dizer que um papel que representasse uma faceta &lt;i&gt;genuína&lt;/i&gt; deixaria de existir, do que depreendemos que: passam a existir dois papéis artificiais, um para a vida pública e outro para momentos de ação permitidos, na medida que os papéis que tais situações demandam são dissimulados.&lt;br /&gt;Portanto, o amor secreto diz respeito não apenas à criação de uma máscara, mas no caráter instrínseco de autocontrole e rigidez na distinção.&lt;br /&gt;(c) Como você não quer relacionamentos de vínculos estreitos, você nunca saberá com quem realmente está se relacionando. Deve-se tomar cuidado com parceiros dependentes sentimentais, assumidos publicamente, ou que podem de alguma maneira pôr em risco o seu &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; perante a sociedade, de heterossexual.&lt;br /&gt;Dos problemas elencados em (a), proponho então a aceitação da regra da discrição (parte b), o que significaria adquirir um autocontrole necessário para que se permita expressar os verdadeiros sentimentos em limites estritos (como será tratado em VI), imunes a vínculos muito intensos e malignos. Em (c) e, como será imediatamente tratado, em III, vimos que deve-se previnir de relacionamentos perigosos e desfavoráveis.&lt;br /&gt;Logo, jamais ame plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Felizmente as DSTs não são exclusivas e dependentes de orientação sexual, mas você bem sabe que o homossexualismo (e aqui o sufixo &lt;i&gt;-ismo&lt;/i&gt; é usado propositadamente) é a característica determinante do grupo de risco "homossexuais". Evite mostrar-se doente e, por extensão, previna-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;A sua orientação sexual (como já citado no item I) é sua, e ninguém além de você precisa saber disso. Logo, você não precisa agir de forma a estimular uma posição alheia em relação a sua sexualidade, afinal ela é só sua.&lt;br /&gt;Na verdade a regra da discrição (IIb) é importante neste ponto, já que reserva determinadas condutas a determinados momentos. Para manter a decência da faceta pública de um homem, este deve adotar um modelo de conduta não-agressivo para os outros, deve afastar daqueles que o cercam sua sexualidade. Forjar uma naturalidade, que na verdade significa forjar uma sexualidade por meio de papéis e esteriótipos heteronormativos*.&lt;br /&gt;O amor secreto então pressupõe a existência de uma conduta uniforme, que nega sistematicamente as verdadeiras vontades do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Por &lt;b&gt;heteronormatividade&lt;/b&gt; entenda-se o conjunto de práticas de conduta e procedimentos impostos segundo um parâmetro normativo heterossexual de distinção sexual. O conceito de heteronormatividade em alguma medida relaciona-se também ao sexismo, já que pressupõe papéis distintos para os gêneros; no que tange ao nosso ponto, espera-se de um homem afeminado, por exemplo, que adote uma posição -inferior- feminina (seja passivo e sensível, por exemplo).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;Odeie os afeminados.&lt;br /&gt;Como visto em IV, você deve adotar um modelo de conduta para se afastar de uma possível associação alheia da sua imagem com um &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; prejudicial de homossexual.&lt;br /&gt;(a) Faz parte desse modelo não apenas a negação da própria sexualidade, mas também a necessidade de desqualificar* a própria modalidade de sexualidade. É de bom tom.&lt;br /&gt;(b) Você não precisa adotar uma conduta afeminada, afinal você já adquiriu uma capacidade de negação das condutas externas ao padrão (ou acha que adquiriu) durante o processo de aquisição de um papel uniforme.&lt;br /&gt;Logo, você não tem por que respeitar aqueles que não conseguiram rejeitar seus sentimentos em prol de um &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; social razoável; eles estão abaixo de você na pirâmide social.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Aqui falo de humilhação pública.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;Apresente conduta homossexual apenas em ambientes especializados. Como mais ou menos foi tratado em IIb, a existência de um momento de ação permitido (um desdobramento da distinção intrínseca na regra da distinção), isto é, um instante, um aqui e agora, nos faz pensar em um modelo celular.&lt;br /&gt;Aqui, células são os lugares onde se permite viver a sexualidade com segurança*. Elas podem assumir vários formatos (desde bairros nobres e globais, passando por ruas e encontros, &lt;i&gt;shoppings&lt;/i&gt; e galerias, baladas e bares, cinemas e casas noturnas, até parques e banheiros públicos), podem constituir um tecido (que quase nunca é coeso, compõe sobre a cidade um punhado de retalhos espalhados -ou tristemente centralizados) e, se adotada em larga escala por amantes secretos, tende a se retroalimentar de forma a legitimar temporalmente a lógica da apartação entre orientações sexuais.&lt;br /&gt;Você não deve ter orgulho apenas de ser discreto, e sim também de ter hora e lugar para amar e fomentar a perpetuação dos fatores que te obrigam a praticar o amor secreto indiretamente.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Tal segurança é relativa: existem lugares mais ou menos seguros; indivíduos diferentes classificam lugares diferentes quanto à segurança conforme a percepção individual e a situação psicológica.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;Seja uma pessoa normal.&lt;br /&gt;Se possível tenha uma esposa, uma religião (por mais desconforto que isso possa causar, você certamente encontrará, segundo uma leitura pessoal da sua religião, a legitimação da prática do amor secreto e a absolvição da hipocrisia, da traição, do preconceito &lt;i&gt;etc&lt;/i&gt;, enfim, dos males por você praticados), tenha filhos (e ensine-os a ser heterossexuais) e viva uma vida em que você possa ser estimulado a odiar a própria sexualidade maligna de forma a legitimar seu amor secreto.&lt;br /&gt;Ria dos afeminados da televisão -e fora dela!-, goste de coisas masculinas (como futebol e carros), enfim, aja como a pessoa que você quer ser publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;Este manual buscou em linhas gerais traçar métodos de conduta baseados na regra da distinção (IIb) e situados em um elemento impessoal e desenredado de implicações históricas precedentes (isto é, alienado dos processos de busca por emancipação social dos homossexuais; I). Espero ter ajudado dando este pequeno suporte para que você se adapte a este mundo (que, como é muito injusto, não se adaptará a você jamais).&lt;br /&gt;No caso de desmascaramento, regras alternativas podem -e devem- ser utilizadas, mas elas estariam fora do alcance deste manual. Penso, entretanto, que seguindo estritamente a filosofia desta cartilha, adotando uma conduta normal (IV, V, VI e VII) e previnindo-se dos riscos (IIc e III), dificilmente a lógica do amor secreto será ferida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-6836609445047306415?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/6836609445047306415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=6836609445047306415&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6836609445047306415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6836609445047306415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/06/manual-do-amor-em-segredo.html' title='Manual do Amor em Segredo'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-1545419262015239795</id><published>2010-05-26T06:50:00.001-07:00</published><updated>2010-05-26T07:04:37.510-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Ficção#2 (Canção do Ódio)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não consigo imaginar para quem você se arruma (senão para mim). Não consigo-sigo imaginar para que você se arruma, senão para me esperar. Porque eu tomo muitos-vários banhos e para onde vou? Ou quando vou, se vou, para quem o faço, senão para você, que está ali na esquina parado, no corrimão de um metrô valente, sentado na mesa perto do bilhar, esperando criar coragem para me dar sua cerveja, ou então na balada (que me abalas) dando seu número para uma discagem inexistente-tente. Você está no impulso-pulso de sabonetar competentemente cada dia potente a minha genitália-mente, no meu impulso de apertar (de estar perto) contra minhas axilas (agora frias) o desodorante (meu calmante ou excitante), nas roupas que escolho-colho, você está impregnado nelas, naquelas do cabide, numas deitadas-empoeiradas no chão... É para você que me visto todo dia e cerco qualquer figura, é a sua que procuro em cada abordagem muda, ou em qualquer mudo diálogo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu não consigo pensar em ninguém mais, como pode você (ou supor eu que) aparentar assim ter enterrado tudo. Seu mal-sucedido, enterrou-me vivo! Maldito, maldito, maldito, maldito, maldito...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Canção do Ódio II&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flamejou, flamejou, flamejou... Dança das cinzas sobre o fogão imundo-mundo. Fagulhas cintilantes, diletantes, cantantes e a fumaça cinza que dançava em direção ao teto. Você ardeu como aquele papelão sem graça, pintado de lilás-sem-paz, recheado de ar do nada, na boca do fogão. Você não arde mais na boca de sujeito nenhum. Fulgurou-se na cozinha solitária, apenas um sorriso de expectação, reflexo das flamas nos meus dentes vermelhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De ódio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas gengivas brancas -de luz- viviam o chamejar daquele resto de passado com intensa sensação, fulgiam -estou certo- mais do que a vela acesa ali na minha frente indicando a tua partida, tua iluminada morte. Teu espírito clamando resplandecia chamejante, e assim o esteve até a última faísca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até o fim do ato abrasado, quando o quitado incêndio daquilo tudo que hoje são felizmente e apenas cinzas (e nada me causa mais pânico do que pensar na possível Fênix desse mal queimado), sorri inflamado de calor. Ateei fogo em ti até tostar carbonizado, pela imagem da ex-caixa de chocolate febril que em letras douradas era &lt;i&gt;Jubileu&lt;/i&gt;. Mas quem estava em júbilo agora era eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Calmo, pus os restos de ti em um saco plástico, desci a rua da minha vida na bicicleta do meu ser, e com a música do meu tempo, te despejei na brisa noturna deste outono paulistano sem estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você foi voando, voando...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-1545419262015239795?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/1545419262015239795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=1545419262015239795&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1545419262015239795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1545419262015239795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/05/ficcao2-cancao-do-odio-nao-consigo.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3823146770653340915</id><published>2010-05-19T09:37:00.000-07:00</published><updated>2010-05-19T09:39:50.140-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suruba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><title type='text'>Estudo#1 (fluxo)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela mulher parece um homem (ou um homem que parece uma mulher). Bah! Que besteira. Às vezes me pego pensando nos porquês. Não tem porquês, Eros, acabou e acabou. Será que já chegou a minha salada? Que susto! Gostei da mochila. Que bundinha, hein? Será que o cara do CRUSP vai me ligar? Nossa! Esqueci o nome dele. É Ales...sandro. Alessandro? Não! Ele falou em luz, é Luciano! É Valdison Luciano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Mas Valdison significa o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Sei lá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Bom... Valdir significa alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-É, deve ser o nome original. Mas eu não pesquisei ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossa, como estou atordoado. Quero dormir mais no Espaço Verde. A blusa da Gabriela é bonita. Eu não lembro o nome daquele cara da Letras...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Oi! Tudo bem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Oi!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-O seu nome eu não lembro mas o significado dele é muito legal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Qual é o significado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Eu não lembro, mas é muito legal!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ontem, o cara do cachorro. &lt;i&gt;Hum&lt;/i&gt;, engraçado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Tem vinte e...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Haha, trinta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Trinta e...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Trinta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Qual é o nome dele?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-É a Drica. É menina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-E o dono tem nome?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-É Alessandro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah! Ele era o Alessandro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Que faz o que da vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Engenheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Cê gosta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Gosto. Então, tá vendo aqui esta rua? Vira aqui, atravessa a Praça Roosevelt inteira, atravessa a Consolação e anda umas duas quadras. Mas toma cuidado que é meio perigoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Tá. Peraí, deixa eu ver se eu entendi. Eu viro aqui...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Vira aqui, atravessa a Praça Roosevelt...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vista do COPAN não sai da minha cabeça. Que coisa absurda essa cidade. Mandei uma mensagem pro Diogo, mas ele não respondeu. "Foi um prazer, apesar de tudo. Beijos, bom dia!" Será que ele se ofenderia com o "apesar de tudo?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Quer que eu te chupe?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Quê? &lt;i&gt;Ketchup&lt;/i&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Risos. Mas ele é muito frio. Droga, por que ele não conseguiu até o final? Será que era por causa de mim? Não. Foda-se! O Daniel gostava. Ele era muito &lt;i&gt;blasé&lt;/i&gt;. Será que o amor no COPAN existe? Eu posso ir ao Glória de novo. Mas quem disse que você vai encontrar alguém pra conversar assim lá, Eros? Aquela mulher que parece um homem de novo! Vou atrás da minha salada!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3823146770653340915?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3823146770653340915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3823146770653340915&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3823146770653340915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3823146770653340915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/05/estudo1-fluxo.html' title='Estudo#1 (fluxo)'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4418812011340388284</id><published>2010-05-12T08:20:00.000-07:00</published><updated>2010-05-19T08:48:24.724-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono em mim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'>Pretérito Imperfeito ou Cantiga de Ninar#1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A avenida cheirou a peito de peru e gasolina. Durante um punhado de horas. Insistentemente. Adverbialmente. Abandonei o ar quase respirável dos paulistanos, passos pulados na escada, grã-grande-grandiosa-gravidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No piscar em que a guichê do Bilhete Único perguntou se era de papelão a carteira (a minha) pensei tê-lo visto passar -de cabelo comprido, para eu não reconhecê-lo. Claro. Como eu o reconheceria de pelo crescido?, justo o da extremidade pensante, o único que ele aparava em seu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ótima estratégia. Mas ele encatracou-se de pressa que estava, o que é um saco. Na verdade eu não posso ter certeza. Nem vi direito, não devia ser ele. Se fosse, talvez viesse me cumprimentar. Não era ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4418812011340388284?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4418812011340388284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4418812011340388284&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4418812011340388284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4418812011340388284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/05/preterito-imperfeito-ou-cantiga-de.html' title='Pretérito Imperfeito ou Cantiga de Ninar#1'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7564758170284786265</id><published>2010-05-09T15:30:00.001-07:00</published><updated>2010-05-23T11:34:21.873-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orgulho-dezessete'/><title type='text'>Ficção#1</title><content type='html'>-Eu menti pra você.&lt;br /&gt;-Mentiu?&lt;br /&gt;-Não, não que eu menti. É que eu faço dezessete depois de amanhã.&lt;br /&gt;-E você fala em amor ainda?&lt;br /&gt;-Amor? E o que você sabe? Você que não sabe o que é amor!&lt;br /&gt;-Olha aqui! Se isto não é amor é o quê?&lt;br /&gt;-Eu falei, não vai rolar nada contigo.&lt;br /&gt;-Por que eu sou velho?&lt;br /&gt;-Por que você não me dá tesão.&lt;br /&gt;-Mas não foi você que me falou em amor?&lt;br /&gt;-Eu só amo pessoas pelas quais eu posso sentir tesão.&lt;br /&gt;-Isso aí não é amor!&lt;br /&gt;-É o quê?&lt;br /&gt;-É... Sei lá! Não é amor! É perversão.&lt;br /&gt;-Ah! Cala a boca e vai pra igreja!&lt;br /&gt;-Ah! Me dá uma chance.&lt;br /&gt;-Pára!&lt;br /&gt;-É sério!&lt;br /&gt;-Boa noite, amigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando-ando-ando-ando-ando-ando... As horas -dezessete- passam, passam, passam, mas ele não as sente. Só. Depois.&lt;br /&gt;Em um corrimão debruça, vê os carros passando-ando-ando, sonha acordado-dado-dado com o amor-irreversível da porta das manhãs-nada-sãs. Olha um nada de boné, né? e segue dado o flerte, este. Maldito este. Pensa-densamente.&lt;br /&gt;-Quem sabe?&lt;br /&gt;Mas então a cena se repete tête-à-tête.&lt;br /&gt;-Curte o quê?&lt;br /&gt;Chove a garoa arrogante. Por que não resta nada de inútil na cidade?&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;As pessoas tão felizes com pipoca e televisão,&lt;br /&gt;e eu? Ai de mim! Você não quer meu coração?&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;-Como assim, curte o quê?&lt;br /&gt;-Passivo, ativo, relativo?&lt;br /&gt;-Camarada, acho que você 'tá falando com a pessoa errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa noite, boa noite, boa noite, boa noite... Cansado de tão boas.&lt;br /&gt;Será que o amor existe na cidade?&lt;br /&gt;A garoa arrogante não cansa de molhar os meus pés.&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Uma garoa cansada, maníaca e incoveniente.&lt;br /&gt;Como eu.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;-Amor? Como você tem coragem de chamar isto de amor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7564758170284786265?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7564758170284786265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7564758170284786265&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7564758170284786265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7564758170284786265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/05/ficcao1.html' title='Ficção#1'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-8587577881528254841</id><published>2010-05-02T16:47:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T10:15:28.361-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right; FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Não sei se alguém lembrará do primeiro.&lt;br /&gt;Finalmente, uma resposta digna, alguns (vários) meses depois. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;quando eu subo&lt;br /&gt;apartamento as dores&lt;br /&gt;e a porta abre&lt;br /&gt;e eu vejo as tuas cores&lt;br /&gt;a noite passa&lt;br /&gt;e eu me deploro submisso&lt;br /&gt;à tua massa&lt;br /&gt;e eu te exploro e eu te dispo&lt;br /&gt;as tuas mordidas no meu pescoço&lt;br /&gt;me enchem de tesão até o osso&lt;br /&gt;e as tuas mãos seguras&lt;br /&gt;me protegem no teu ombro&lt;br /&gt;da noite obscura&lt;br /&gt;que é linda e um assombro&lt;br /&gt;quando eu acendo e te toco feito bicho&lt;br /&gt;a gente ama, e não importa o luxo ou o lixo&lt;br /&gt;(as tuas mordidas no meu pescoço...&lt;br /&gt;quando deita e me beija o meu moço)&lt;br /&gt;e eu durmo sem pensar qualquer verdade&lt;br /&gt;porque sei que estou vivendo a eternidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 9 2009 &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu assumo&lt;br /&gt;apartamento as dores vis&lt;br /&gt;'inda subo&lt;br /&gt;até o andar número xis&lt;br /&gt;calo a boca&lt;br /&gt;abro a porta, 'cê me diz&lt;br /&gt;"tira a roupa"&lt;br /&gt;eu fiz isso mas não quis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olho a Lua&lt;br /&gt;da varanda do meu ser&lt;br /&gt;pego a sua&lt;br /&gt;mão sem sequer responder&lt;br /&gt;mais teus beijos&lt;br /&gt;teus gemidos de prazer&lt;br /&gt;(o teu queixo&lt;br /&gt;me roçando pra valer)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meia noite&lt;br /&gt;tic tac eu-&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;blasé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"grande sorte"&lt;br /&gt;e o culpado é você&lt;br /&gt;ah! eu deixo&lt;br /&gt;um suspiro sem querer&lt;br /&gt;cai o eixo&lt;br /&gt;que sustenta o meu viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 4 2010&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-8587577881528254841?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/8587577881528254841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=8587577881528254841&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8587577881528254841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8587577881528254841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/05/nao-sei-se-alguem-lembrara-do-primeiro.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3597078259472363962</id><published>2010-04-27T06:34:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T06:55:55.159-07:00</updated><title type='text'>Texto das Manhãs</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Como eu não posso lhe dar um emprego, dou-lhe um Bom Dia!" foi o que pensei, mas apenas efetuei mecânico uma porta as duas últimas.&lt;br /&gt;Axiomas à parte, sento, eu não sento, não estou certo se imediatamente. A espera não importa, sento, afinal. Um texto do antropólogo das dádivas passeia indeciso entre minha atenção, que trafega intermitentemente pelo cenário da cidade, e entre a falta dela também. A caneta, que podia ser vermelha, verde, cinza, preta ou marrom, afinal essas são as cores das minhas canetas -muito embora eu bem saiba que as dos textos de Antropologia são a cinza, a vermelha e a verde-, grifava na proporção de tempo 1:3, onde 3 é igual aos momentos de pausa e reflexão do nada.&lt;br /&gt;Chove, pinga, esquenta, o ônibus é uma verdadeira sauna, e alguém atrás de mim ainda tem coragem de roncar -um ronco doente, o ronco da cidade, que não tem coragem de dormir, somatiza, somatiza, somatiza...&lt;br /&gt;Penso no amor irreversível, no amor marginal, no amor suicida, esses amores da cidade, olho para baixo, e a caneta -lembrei, era a vermelha!- mancha de sangue toda a obra do etnógrafo, só resta no rodapé uma esperança intacta, &lt;em&gt;mas a tradução literal é provavelmente a seguinte: Tanto Maru dá, quanto Maru toma, e isso é certo, certo. (Maru é o deus da guerra e da justiça.) &lt;strong&gt;15.&lt;/strong&gt; Bucher 1893: 73, percebeu esses fenômenos econômicos, mas subestimou sua importância ao reduzi-los à hospitalidade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Alguém com o perfume dos dias repugna a tinta assassina, na metropolitana porta das manhãs. Mas o meu amor irreversível derramou-se sobre a ciência dos homens. O Cemitério da Consolação dança sobre os olhos cansados e muito vivos dos paulistanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cardume de estrelas se afasta, quer a liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3597078259472363962?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3597078259472363962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3597078259472363962&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3597078259472363962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3597078259472363962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/04/texto-das-manhas.html' title='Texto das Manhãs'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-2894488092650776958</id><published>2010-04-04T12:08:00.000-07:00</published><updated>2010-04-04T12:10:26.931-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veneno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diversão gástrica'/><title type='text'>Eu quis escrever este texto #1</title><content type='html'>Na segunda vez em que fui na Cinemateca Brasileira ela estava vazia como na primeira. Só alguns cinéfilos superficialmente neuróticos e uma velhas burguesas -muito bem vestidas, diga-se de passagem. Porque ninguém é de ferro (e porque a minha faculdade laica deu aos seus súditos uma semana livre para... estudar -e talvez ir ao cinema) fui à Cinemateca Brasileira neste domingo -armado com um texto do Claude Lévi-Strauss numa mão e uma caneta na outra.&lt;br /&gt;Mais uma vez um filme realista contemporâneo brasileiro -nada tem me deixado mais eufórico do que notar como esses novos diretores conseguem dissecar tão bem a mente do brasileiro com tanta realidade-, embora todos nós saibamos que o realismo, no que tange à arte, é um modelo ideal. Chamava "Hotel Atlântico". Assisti em uma sala chamada BNDES, patrocinada por várias empresas muito ricas e preocupadas em abater o imposto de renda.&lt;br /&gt;O último filme brasileiro que eu havia visto antes desse -que por sinal era também um filme realista e contemporâneo- chamava "Os Inquilinos", em cartaz no HSBC Belas Artes. Indico os filmes, mas este texto não tem a pretensão de ser uma resenha -pelo menos uma pretensão consciente.&lt;br /&gt;Georg Simmel faz distinção, em seu texto "As grandes cidades e a vida do espírito", entre a conduta dos indivíduos em cidades pequenas e cidades grandes. Na primeira imperam as relações pessoais entre os indivíduos, na segunda o indivíduo adquire relativa repulsa às relações pessoais, limitando seu convívio social a círculos restritos. Logo, o morador da cidade pequena possuiria, segundo os termos do autor, ânimo, e o da cidade, pelo excesso de estímulos e adaptações necessárias, seria indiferente (o que Simmel chama de caráter &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;Nesse sentido eu acredito que "Hotel Atlântico" e "Os Inquilinos" sejam duas películas onde esses temas são muito bem explorados -temas clássicos, tendo em vista que Simmel em seu texto se refere a um contexto específico: senão a Alemanha, simplesmente os países europeus recém-industrializados, no fim do século XIX, início do XX.&lt;br /&gt;No primeiro, uma personagem completamente indiferente a tudo que lhe acontece -Ele só toma decisões para que o enredo do filme possa se desenvolver-, sem nome, representando um ator -o que também é bastante significativo- viaja por cidades cada vez mais ao interior. O resultado é um conflito entre o marcante caráter &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt; da personagem e a necessidade de se impor que o convívio na cidade pequena obriga. O estudo feito a respeito do comportamento das pessoas e das relações de poder dentro dessa sociedade interiorana brasileira semi-feudal é fantástico.&lt;br /&gt;O segundo filme também traz uma análise bem significativa a respeito do cidadão oprimido na cidade grande. Uma família de classe média baixa (nem rica nem pobre) em um bairro periférico de São Paulo se vê oprimida em sua própria comunidade. Todos os meios de comunicação, e mesmo a própria opinião pública influenciam seriamente a conduta da família, que se sente ameaçada quando inquilinos muito suspeitos se hospedam no vizinho ao lado. O resultado é um enclausuramento progressivo dentro da própria casa, onde os integrantes da família passam a nutrir um certo sentimento de ódio pelos novos vizinhos. A lógica do medo na cabeça do cidadão de classe média paulistano é muito bem trabalhada, e nos remete a um debate que não necessariamente está de total acordo com Simmel, mas que de alguma forma tem alguma relação: por que o morador da cidade grande se protege das relações pessoais? tem a ver com o caráter blasé ou é simplesmente um dispositivo de auto-proteção?&lt;br /&gt;Ando cada vez mais preocupado com a minha própria maneira de ver as coisas. Será que o preço que nós pagamos por vivermos em grandes cidades, ou mesmo o preço que eu pago por ter optado por um curso onde o neutro tem um papel tão relevante, seja a completa indiferença em relação às coisas que nos cercam? Antes eu considerava a frieza não apenas como algo necessário, mas como um aspecto positivo. Será que eu estava certo? Será que o futuro do indivíduo moderno da cidade é estar indiferente a todos os sentimentos e fatos tão caros aos interioranos, tais como a morte, o medo, o amor, a doença, o sexo e o inesperado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-2894488092650776958?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/2894488092650776958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=2894488092650776958&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2894488092650776958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2894488092650776958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/04/eu-quis-escrever-este-texto-1.html' title='Eu quis escrever este texto #1'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-1914142424200471967</id><published>2010-03-28T12:44:00.000-07:00</published><updated>2010-03-28T12:48:20.320-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primavera abacate francesismos posar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Mote:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Mais uma vez, tudo isto não visa negar a realidade de um progresso da humanidade, mas convida-nos a concebê-lo com mais prudência. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Claude Lévi-Strauss&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A ideia de progresso, engessada como o quê, já conhece o &lt;em&gt;detóurnment&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Mas a gente sabe da sequência de mudanças -&lt;em&gt;metamorphosis&lt;/em&gt;-, sabe não.&lt;br /&gt;Na festa alguém sem nome me disse que era filólogo.&lt;br /&gt;Mas a minha &lt;em&gt;mind&lt;/em&gt; estava um pouco &lt;em&gt;outside&lt;/em&gt;, ou melhor, destilado aqui.&lt;br /&gt;Piadas com dezessete anos não são mais toleradas.&lt;br /&gt;Eu sustento o meu orgulho-dezessete na porta das manhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é incrível como um dia destrói o outro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-1914142424200471967?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/1914142424200471967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=1914142424200471967&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1914142424200471967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1914142424200471967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/03/mote-mais-uma-vez-tudo-isto-nao-visa.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-2840741535831449314</id><published>2010-03-03T05:37:00.000-08:00</published><updated>2010-03-03T05:41:03.470-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><title type='text'>Carta aos amores II</title><content type='html'>Diga aos amores etiquetados que eu decidi ser &lt;i&gt;freegan&lt;/i&gt;, e que o único jeito de se comunicar comigo agora é por meio de sinais de fumaça.&lt;br /&gt;Fala pro amor-capital que eu tripliquei de preço, e diz pro amor da esquina que eu cortei a rua.&lt;br /&gt;Ao amor do metrô a mensagem é simples: fiz a baldiação e perdi meu coração em Calmon Viana, como a perdida bala que o perfurou fulminante.&lt;br /&gt;Diga aos amores-da-escada-de-saída-de-emergência que tudo vai bem por aqui, na minha bolha de látex, e que eu deixei há muito tempo de percorrer os degraus da minha vida porque cheguei ao piso do cinema.&lt;br /&gt;Também diga ao meu amor amendoado, que eu o esqueci completamente, e que não existem motivos para que nós nos vejamos nunca mais -talvez apenas mais uma vez, que é para ter certeza.&lt;br /&gt;Pr'aquele amor do &lt;i&gt;show&lt;/i&gt; de &lt;i&gt;rock&lt;/i&gt;, diz que eu sou hare-krishna, e pro da sinuca diz que eu não sou viciado em cocaína nem em &lt;i&gt;crack&lt;/i&gt;, pro vegetariano fala que eu sou canibal, pro cristão eu sou comunista...&lt;div&gt;(Pros amores fantasmas eu tenho uma simpatia tiro e queda!)&lt;br /&gt;Ao amor da minha vida, diga-lhe que o espero na porta das manhãs porque o grito dos seus olhos é mais e mais e mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;[&lt;i&gt;E bateu-me forte no peito agora uma vontade tão, mas tão louca, de dormir, dormir, dormir...&lt;br /&gt;Até acordar.&lt;/i&gt;]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-2840741535831449314?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/2840741535831449314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=2840741535831449314&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2840741535831449314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/2840741535831449314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/03/carta-aos-amores-ii.html' title='Carta aos amores II'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-1935296142019265330</id><published>2010-02-12T06:59:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T07:01:06.296-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cena I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a sopa rançosa da melancolia desceu melodiosa e sedutora pelas paredes de concreto. os mosquitos nunca se dão conta porque não têm sentimentos, e atacam as placas ensebadas com uma paixão furiosa. isso enquanto o céu esbraveja a sua cantiga da noite, e o horizonte cor-de-nada suspira um flutuar vertical. mariposas gordas e outros abraços voadores, feito lepidópteros amassados pelas cortinas-de-ar cor-de-fogo, completam a cena.&lt;br /&gt;-Na noite do meu ser, peças e mais peças, tantas peças juntas que formam uma lista noelesca. Um suspiro com aroma de toca-de-rato é o primeiro item desta lista, e cada um dos novecentos e oito itens listados aqui supera o anterior em dificuldade.&lt;br /&gt;deita em uma rede de cabelos vindos de cometas e luas confortáveis em plasma de frutas vermelhas. prossegue a cena.&lt;br /&gt;-Com este isqueiro, cataliso as dores e os amores, catapultando esta lista ao cemitério de cinzas preocupadas e doutrinantes. O combustível é o meu sangue.&lt;br /&gt;a lista pega fogo, mas se apaga depressa, pois a ordem requer que tudo volte ao planejado. torres exóticas feitas de tijolos, duas ao todo, sorriem panópticas jorrando toneladas de esperma fresco a cada segundo. e o mar é branco por este motivo.&lt;br /&gt;o poeta deitado na rede se vitrifica.&lt;br /&gt;e cena está acabada, e o quadro será guardado em um porão de poeira indecisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 1 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Carta aos amores&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as manhãs regurgitam.&lt;br /&gt;e sob a minha cueca azul berrante o meu pinto suado cheira a pinto suado.&lt;br /&gt;na praia eu quero sempre assim: de dia rede, inóspito, e leitura marxista, à noite cerveja &amp;amp; coração fraterno. sabe? nun. ca. consegui.&lt;br /&gt;controlável saudade de um peniano beijo. nastalgia invisível.&lt;br /&gt;diga ao amor da semana passada que tudo acabou -não sei se ele se importa-, que não se preocupe, por. que. aqui. tá. tudo. bem.&lt;br /&gt;centenas de mosquitos, zumbido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;stereo&lt;/span&gt; -insetos à esquerda, o roncar-arroto insone insone praia à direit, ao centro a coluna &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sans culotte&lt;/span&gt;, mudinha, olha para os meus pés fálicos, presa ao gancho que sustenta a rede, de longe é um sorriso-, algumas corujas, céu preto, sem estrelas -mas que bosta! se as estrelas não estão aqui, onde estão afinal? Miami?&lt;br /&gt;diga aos amores atrasados que São Paulo infelizmente voltará esfumaçada para os meus braços de pernilongo, perto do fim-de-semana, então não há motivo para pânico. afinal, alegria só existe porque existe também a tristeza.&lt;br /&gt;e aos amores escoteiros, a minha glândula pineal dá um salve -em nítido francês, bon voyage!&lt;br /&gt;a carta tem fim: dedico agora atenção ao meu pinto suado, isto é, ao seu cheiro lácteo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 1 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Declaração de Amor Sem Nexo Selvagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu apoiar minha cabeça no teu travesseiro de nuvens, não haverá mais filosofia, porque darei aos lexicógrafos e políticos o comando para que esqueçam o termo "guerra". Significa que deixarei de pagar os impostos da realidade, pois meus pés não estarão mais no chão. Significa que a gravidade, se acionada caso eu me jogue no teu poço cardíaco tornando cada segundo o mais irreversível, será a entidade responsável pelo meu arbítrio. Significa que o último livro será fechado e a última rubrica será assinada, porque o mundo finito terminará para que se reconheça a infinitude de uma vida plenamente ilimitada, cujo início será incomensuravelmente enigmático e o destino obscuramente inexistente -até que a morte assuma o comando. Significa a perda dos meus bigodes, desgraçadamente hipotecados na mais desgraçada das horas, o que causaria a minha falta de equilíbrio -compensada nos teus braços no pós-queda. Significa que as coisas todas pegarão fogo.&lt;br /&gt;Amigo, se eu apoiar a minha cabeça no teu travesseiro de nuvens, e tu dormires na minha cama de sonhos, é porque vencemos, e da janela da nossa vida apontaremos pros babacas sortidos e riremos intermitentemente (jabuticaba-beijo-sarro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 1 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;noite venenosa -sem lua, sem estrela, sem nada-, eu quero morrer sob a sufocante fragrância do teu olor venenoso, que se confundirá ao meu sangue venoso e trará dialética (feito) um punhal a vermelha e hemorrágico-vertical mancha no meu róseo-manchado punho sangrento e furioso, içando o meu ser-sem-ser ao infinito e radical céu (brilhante feito o simétrico-radial Sol -ali em cima, sorrindo no consuetudinário império das seis horas) redimensionando o ciclo consueto e me trazendo (levando-ando desconcreta &amp;amp; cretinamente) algodoado ao invisível mundo dos séculos.&lt;br /&gt;a mensura é muito perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 1 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-1935296142019265330?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/1935296142019265330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=1935296142019265330&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1935296142019265330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1935296142019265330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/02/cena-i-sopa-rancosa-da-melancolia.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-418006653229644320</id><published>2010-02-01T09:06:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T09:24:19.169-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é nas horas. todas elas.&lt;br /&gt;tem florescido Ele, dentes.&lt;br /&gt;barba, olhinhos, carinho, cadeira. um alargador.&lt;br /&gt;eu chacoalho a cabeça e dá sujeira.&lt;br /&gt;é hora de limpar: vamos arrumar o passeio. vamos arrumar o passado.&lt;br /&gt;o futuro está na esquina, ele vem me visitar.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FECHO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;vontade de atacar esta poltrona, que insiste em me levar para o futuro.&lt;br /&gt;fecho os olhos e desfunciona. temo sufocar de amor da morte.&lt;br /&gt;a poltrona não para. a paisagem nunca foi tão torturada.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FECHO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;você me assombra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de muito tempo, 15 1 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em uma corrente de esperma&lt;br /&gt;minha cara brancacenta se perde&lt;br /&gt;navego quase um palerma&lt;br /&gt;e a alvura ao devaneio cede&lt;br /&gt;a cama, a mesa, a cadeira, o céu&lt;br /&gt;tudo está alvamente branco&lt;br /&gt;e eu respondo sob cândido véu&lt;br /&gt;te amo, te amo, te amo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 1 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Razão do Gozo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha naquela casa um sujeito semi-acafetado, ligeiramente afetado -ou afetamente ligeiro-, de nome Edmilson Estevão (mas quando lhe perguntavam o nome, dizia "Ed, Ed Esteves, seu criado"), que ninguém sabia o que fazia nas horas livres, o que era bom, afinal, Edmilson não sofria com fofoca, e o fato de ninguém saber sua ocupação ociosa sinaliza que a vizinhança cuidava de seu próprio nariz. E que bom, pois se os moradores da Rua Juventude em incursões pelo olfato alheio descubrissem a que tipo de perversões a juventude de Pedolândia, cidade ao interior de algum lugar bem interior, era submetida no quarto dos fundos do salão de beleza de Ed Esteves, certamente sua cabeça seria separada do corpo no clímax de um processo de tortura -institucionalizado na região- inciado por um linchamento.&lt;br /&gt;Regionalismo é arte.&lt;br /&gt;E o Ed Esteves não precisava de muito para conseguir os garotos que o satisfazia: ele os conseguia de graça. Muitos eram frequentadores assíduos de seu salão, o que tornava tudo mais fácil. Edmilson, afeminadíssimo na frente das clientes, uma verdadeira flor, de meiguice insuperável, unhas sempre feitas, cabelo impecável e dono de um sedutor rebolado natural, despretensiosamente erótico para os hormônios púberes dos seus mais de trinta avulsos enteados, tornava-se uma fera quando ia para o quartinho com um -ou mais de um- de seus príncipes vespertinos. Agarrava-os com uma paixão sobrenatural descarregando toda a sua energia acumulada em um dia inteiro de trabalho exaustivo e humilhantemente dissimulado em movimentos intensos, transbordados de suor, saliva e jatos brancacentos de prazer instantâneo. Fazia tudo do alto de seus vinte e sete anos, onde nada mais importava senão a garantia de que todo dia depois do trampo pelo menos um rapaz sedento estaria disposto a relaxá-lo. E então eram aqueles arranhões, mordidas, puxões de cabelo, no mínimo durante uma hora até a coisa dar a ignição total.&lt;br /&gt;(As cicatrizes, para as namoradas e os pais, sempre tinham explicações ingênuas -foi durante o jogo de futebol. As marcas no pescoço se tornavam alergias -vindas de alegrias-, as marcas dos dentes eram meras competições entre amigos.)&lt;br /&gt;-Mas me conta aí, Ed, por que que tu tá sempre de bom humor?&lt;br /&gt;-Ai, amiga, eu sou um rojão de felicidade, não sabe? Eu sou é feliz por poder ter vocês todas como amigas.&lt;br /&gt;Risadas gerais.&lt;br /&gt;-Ai, Ed, você é um amor. Olha, aí vem um cliente.&lt;br /&gt;E era um menino do alto da arrogância em seus quinze anos, falando como alguém com o dobro de sua idade.&lt;br /&gt;-Você é o Ed?&lt;br /&gt;-Ed, Ed Esteves, seu criado.&lt;br /&gt;-Me arranja um corte de homem, aí.&lt;br /&gt;As dondocas do salão riram. Só tinha uma coisa que deixava o cabeleireiro Ed contrariado -e daí o criado Ed Esteves se tornava malcriado-, e essa coisa era piá grosso e querendo se aparecer. "Ah, esse aí eu curo na cama com uma boa surra de pinto mole", pensava. Já eram sete horas da noite quando o moleque apareceu. Todas as clientes já íam saindo e Ed, no seu silêncio de aranha foi tecendo o plano de como faria para enredar aquela figurinha. Quanto mais fios de cabelo caíam ao chão, mais subia-lhe o desejo de abusar daquela criancinha metida a adulto, de mostrar-lhe o quão criança ainda era, para ensinar-lhe a ser adulto sobre o colchão improvisado ali no fundo. O menino pareceu ignorar todas as medidas tomadas pelo cabeleireiro durante o corte, como se soubesse o que viria mais tarde -e sabia. Edmilson propôs o fechamento da vitrine argumentando que nenhuma cliente apareceria ali novamente ainda naquele dia, apagou metade das luzes dizendo que queria economizar, tirou sua camiseta dizendo que ali fazia muito calor, e fazia mesmo, e propôs o mesmo ao garoto, que prontamente o acatou.&lt;br /&gt;Ed então agradeceu ao seu deus, pois já tinha entendido que as pretensões do baixinho transcendiam o simples corte de cabelo. Quando o som da tesoura cessou, Ed perguntou ao rapazote se ele não queria ir tomar um banho com ele para lavar o cabelo, ao invés de simplesmente usar o tanque de enxágue. O garoto aceitou, e o senhor Estevão teve mais uma noite longa, como todas as outras.&lt;br /&gt;No dia seguinte, logo cedo, enquanto o barbeiro ainda abria a porta de seu estabelecimento, um homem d'uns trinta anos brotou e lhe disse:&lt;br /&gt;-Você é o "seu" Ed?&lt;br /&gt;-Ed Esteves, seu criado.&lt;br /&gt;-Tu lembra daquele menino ali? -apontou para o mesmo moleque do dia anterior, que estampava um longo e amável sorriso.&lt;br /&gt;-Lembro sim, cortei o pelo dele ontem. Por quê? -desconfiado.&lt;br /&gt;-Tu lembra o nome dele?&lt;br /&gt;-Lembro. É Fábio... Fê, Fá... Fernando, né?&lt;br /&gt;-É! É Fernando. Eu sou o pai dele, "seu" Lúcio -apertou fortemente a mão do cada vez mais confuso e assutado cabeleireiro-, e vim aqui pra saber se tu não quer casar com o meu pequeno.&lt;br /&gt;-Desculpa "seu" Lúcio, não ouvi direito.&lt;br /&gt;-O pequeno quer casar contigo.&lt;br /&gt;-Como assim casar?&lt;br /&gt;-Ele me contou da relação entre vocês, e eu sei que tu é um sujeito trabalhador, honesto, independente -esta última palavra falou pausadamente dando batidas alegres no ombro cadenciado do amante eventual de seu filho-, e o pequeno é esforçado, gostou muito de ti, disse pra mim que queria era casar e eu vim aqui ver se tem um jeito, pelo menos dele morar contigo, eu ajudo no que for necessário. Como é? -e soltou uma sonora e simpática gargalhada.&lt;br /&gt;Ed Esteves estava petrificado. Congelara-se em determinado momento do discurso de "seu" Lúcio e permanecia em choque. O garoto estava impaciente, olhinhos vidrados na cena, cujo diálogo estava impossibilitado de ouvir pela distância.&lt;br /&gt;-Fa-faz o seguinte. De-deixa o seu ende-endereço aqui, que-que eu passo na-na tua casa e dô-dô-dou a resposta o mais cedo possível -e se esforçou terrivelmente para dissimular um sorriso.&lt;br /&gt;"Seu" Lúcio anotou os dados satisfeito em um papel marginal e voltou para sua residência com o esperançoso pivete. No mesmo instante em que os dois dobraram a esquina, Edmilson Estevão fechou as portas de seu estabelecimento, fez rapidamente uma mala improvisada com os cacarecos que tinha nos fundos da loja, abandonou a Rua da Juventude e foi pegar o primeiro ônibus rodoviário para a cidade mais distante de Pedolândia.&lt;br /&gt;Fernando superou bem a fuga do ex-parceiro. Fez administração em uma universidade federal e foi morar em São Francisco, onde casou com um bem-sucedido esteticista.&lt;br /&gt;Já o Ed, pobrezinho, ninguém nunca mais viu. As pessoas dizem que ele foi atrás de um namorado na cidade, que no interior as bichas não querem nada sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 1 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-418006653229644320?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/418006653229644320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=418006653229644320&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/418006653229644320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/418006653229644320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/02/e-nas-horas.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7173049232949681730</id><published>2010-01-26T13:30:00.000-08:00</published><updated>2010-01-26T13:34:41.646-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'>História das Cidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um parque azul-ametista, onde os anjos se vestem de pessoas e vão passear com seus cachorros de dois mil dólares, um rio com mais dobras que a voz da Amy Winehouse leva números para passear com suas crianças por entre o verde sintético. O tempo varia entre um domingo torturado e uma terça-feira amena, pássaros cantam a canção da cidade, torres de concreto indicam abstratamente que se trata de uma ilha de natureza artificial no meio da metrópole. O rio segue seu curso naturalmente mecanizado e os rostos enrubrescem -não de vergonha, mas por falta de uma política de difusão dos benéficos efeitos do protetor solar-, as crianças respiram mais alto que o ofegar furioso dos animais.&lt;br /&gt;Ao longe um casal improvisa uma tarde televisivamente bucólica (algo como um piquenique ou uma rede), no outro lado cultua-se a qualidade-de-vida vendida pelo comercial (acho que isso quer dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cooper&lt;/span&gt;), logo ali um grupo de senhoras -tem um senhor, mas depois de uma certa idade a gente não distingue mais o gênero- pratica ioga. Tudo corre como o planejado.&lt;br /&gt;Se você sai do parque e atravessa a rua dá com uma igreja. Que está vazia, já que é cedo e as pessoas só lavam a consciência à noite (os lençóis é no final da tarde). Se você observar o prédio vai perceber que ele não tem nada de original, nem de marcante. É porque a Igreja já saiu de moda (e é por isso é que existem os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shoppings&lt;/span&gt;). Entrando ali você dá de cara com um altar onde um cara de mentira -o que é uma pena- está crucificado, mas é só porque a igreja em questão é católica -os evangélicos não são tão sádicos. Este mundo do espetáculo necessita urgentemente de neo-iconoclastas. Essa igreja tem uma loja onde as pessoas compram pedaços de propriedades no Céu (o Céu é um mundo virtual ilimitado, como a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;internet&lt;/span&gt;) e uma sala onde se vê cristalizado o viés mais doentio do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homo sapiens&lt;/span&gt;: mesas com velas acesas para não iluminarem exatamente nada -é como abrir buracos para enchê-los novamente depois.&lt;br /&gt;E se você vira a esquina dá com uma padaria. A padaria é uma empresa -assim como a Igreja- e serve para alimentar as pessoas e a desigualdade social, porque contribui para a perpetuação do conceito "alimento" como mercadoria, ou seja, limitado pela mão invisível que rege o mercado -que é a mesma mão que esquarteja, guilhotina e aperta o gatilho. A hierarquia na padaria é desgraçada -também mais ou menos como a Igreja, onde uma estátua de um cara pregado corresponde a um dos altos executivos-, parecido com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fast-food&lt;/span&gt;. Não se ganha tão mal como no segundo, mas em contrapartida se trabalha como um cão -com a desvantagem de se gastar dinheiro com comida, coisa que os cães não precisam fazer. O baixo funcionário de uma padaria irá para o Céu, porque dos pobres será o reino dos céus, enquanto Jesus e outros caras muitos ricos -que não estão crucificados- fazem&lt;span style="font-style: italic;"&gt; cooper&lt;/span&gt; no parque.&lt;br /&gt;E, saindo da padaria, você dá com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shopping&lt;/span&gt; é a Igreja para as pessoas modernas, com a vantagem de que nele o reino dos céus é dos ricos. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping center&lt;/span&gt; é a versão atualizada dos jardins após a Segunda Guerra Mundial: uma fortaleza arquitetônica estruturada como um labirinto de maravilhas acessíveis por um simples pedaço de plástico retangular com uma tarja magnética, onde não se vê o tempo passar, o clima é agradável, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;design&lt;/span&gt; interior é amplo e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;clean&lt;/span&gt;, e as pessoas são selecionadas (nem sempre pelo segurança, mas simplesmente pelo senso comum que todos os cidadãos de bem em uma sociedade camufladamente estamental como a nossa possuem). Se você sobe a miraculosa escada rolante, você dá na praça de alimentação, um espaço panóptico onde o grande olho é a "fraternidade momentânea", e os encarcerados são os escravos trabalhando nos restaurantes de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fast-food&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fast-food&lt;/span&gt; é um tipo de comida que não faz nada bem para a saúde, mas que as pessoas comem porque faz parte um ritual cultural espetacular (assim como alguns outros hábitos maléficos, tais como assistir televisão, orar e jogar lixo no chão). Os funcionários na mais baixa hierarquia de uma rede de lanchonetes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fast-food&lt;/span&gt; (que são aqueles que servem a "comida") ganham muito mal, mas é porque a necessidade da estratificação o demanda (assim como o cortador-de-cana no primeiro setor, e o operário vítima da mecanização fordista no segundo, o funcionário do&lt;span style="font-style: italic;"&gt; fast-food&lt;/span&gt; é um exemplo de peão do terceiro setor, assim como os operadores de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;telemarketing&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;Então você sai do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; e anda até o metrô mais próximo. Metrô é o meio de transporte que as pessoas burras usam, porque as espertas compram carros, já que o bem particular é muito mais importante que o coletivo. E a esperteza de se lutar alguns anos para comprar um automóvel é obviamente relativa, porque os problemas de urbanização em uma grande cidade que possui metrô em um país "em desenvolvimento" como é o caso do meu são, sabe-se muito bem, terríveis. Ao invés de lutar pela expansão e otimização (e aqui eu uso esses termos pensando em projetos importantes para todas regiões da cidade) do transporte público, o morador da cidade está preocupado em reunir grana suficiente para se emancipar de necessidade do uso de um meio coletivo de mobilidade (que às vezes o preço torna até inviável) para, ao invés de reclamar como uma sardinha do horário de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rush &lt;/span&gt;do metrô, reclamar que não pode andar com o seu carro de última geração porque as ruas onde ele anda não conseguem comportar tantas pessoas espertas com carros de última geração ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;E quando você desce do metrô dá de cara com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;outdoor&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Outdoor&lt;/span&gt; é o meio de propaganda legalizado dentro do metrô (comércio avulso dentro dos vagões e pichações em muros são ilícitos, a propaganda em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;banners&lt;/span&gt; e nas televisões do metrô é legitimada pelo Estado-Capital). Na sociedade do espetáculo a propaganda funciona como as ideologias da Igreja funcionavam no Medievo (e aqui eu falo de propaganda tendo em vista as suas milhares facetas), e o templo do consumo, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;, como a Igreja.&lt;br /&gt;E quando você sai da catraca e vai pedir um copo de água da torneira ali no boteco, tem uma televisão que te acusa indiretamente de omissor da sua responsabilidade e, por conseguinte, agressor natural da paz pela passividade em relação à fúria da natureza em relação àqueles que -agora, na moda- são os eleitos como os massacrados sem direitos humanos da vez. Então você olha incrédulo para os vários moradores de rua na sua cidade, e pensa que a vida fora da cidade é muito pior. E conclui tristemente ao atestar a caridade dissimulada e enlatada, que se torna arrogante e prepotente vinda justamente de nós, teventes do terceiro mundo: por que eu devo ajudar o Haiti, se o Haiti é aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Radiohead e Digable Planets me ajudaram a escrever este texto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7173049232949681730?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7173049232949681730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7173049232949681730&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7173049232949681730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7173049232949681730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/01/historia-das-cidades.html' title='História das Cidades'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-7592138044526658209</id><published>2010-01-12T19:55:00.000-08:00</published><updated>2010-01-12T20:07:19.608-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inverno-anomalia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'>De mudança.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Atrasado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rua exalava um suor natalino, cheirando a mormaço e resquícios de um grupo de usuários de maconha, a um restinho de chuva e a uma alegria dissimulada, uma alegria envergonhante, uma alegria violenta e sem razão de ser. Enfim, a rua queria me provar que, como todos, e diferente de mim, estava cumprindo a sua obrigação, de ser rua normal, rua pacata, rua mandada. Es-cra-va! Rua escrava! É isso que é, escrava! Eu não me lamento, não me encho de porquês, estou sério comigo mesmo, e a minha seriedade só me permite fazer uma coisa, que é gozar. Minha seriedade nunca me permitiu fazer outra coisa, e se existe algum deus, deve ele ser essa minha séria vontade de que as coisas não sejam sérias, não sejam nada senão vontades.&lt;br /&gt;Gargalhando de séria paixão subi a rua incansável como eu, acompanhado do barulho dos meus chinelos, que muito parece com o barulho de tamancos -é o que todos me dizem, aqueles que deixaram a janela e agora assistem a um São Pedro enlatado, confortáveis em seus sofás, suas camas, suas cadeiras de balanço, suas caixas de papelão. Foi bom as luzes estarem apagadas. Elas só fariam sentido se houvesse além de mim outro alguém na rua, que me veria, se assustaria, me amaria ou me ignoraria. A Lua, cansada de tutelar-me em vão, pois afinal minha ingratidão é de proporções espaciais, estava fechada em nuvens sem cor. O que me iluminava era o reflexo da lareira do meu coração, que por sinal também estava com suspeita escassez de combustível, pois só enxergava a cinco palmos de mim (e quando ela está bem alimentada, enxergo inclusive através das pessoas).&lt;br /&gt;Mas eu entendia quase tudo. Lutando emergentemente contra uma certa solidão, decidi ir ao cinema. Só que as pessoas se esqueceram de sair de casa na véspera do ano novo, e o cinema esqueceu de ir chamá-las em casa. E foi triste, muito triste, porque eu fui ao cinema sozinho, no mesmo cinema onde um dia estivemos, juntos, unidos pelo suor de nossas mãos, e a sala estava vazia, e os cinco reais e cinquenta centavos berraram de horror para mim da bilheteria, porque queriam me avisar que a sala estaria vazia, e a minha solidão só ecoaria mais e mais e mais, porque o filme era ruim, mas não os ouvi, e eu não voltei.&lt;br /&gt;Parei de gargalhar, continuei andando. A rua ainda olhava com aqueles olhos sombrios de ofensa, úmida, preta, inflexível. Mas, como sempre, não me impediu de chegar em casa. As luzes funcionam em casa, em casa não tenho a quem desafiar. Mas minha casa só serve pra dormir. Mas quando eu tiver um piano, ela será a extensão da rua, que então será minha amiga, tolerante, acesa. Um dia a rua será a minha casa. No outro dia será o cinema. E então será depois o metrô. Bobagem. Minha casa é este mundo. Com ou sem estrelas, não tenho opção, mutilado e decomposto em um terreno baldio, minha casa será este lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso para dizer que as coisas não precisam de você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-7592138044526658209?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/7592138044526658209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=7592138044526658209&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7592138044526658209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/7592138044526658209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/01/de-mudanca.html' title='De mudança.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4698805590088861350</id><published>2010-01-11T18:37:00.000-08:00</published><updated>2010-01-12T09:47:51.416-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inverno-anomalia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><title type='text'>Caça.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou &lt;/span&gt;'&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uganda em mim&lt;/span&gt;'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Porque a minha principal ideologia é a vida -especialmente a minha- saí correndo, em uma atitude que costumo chamar de pânico, de outra atitude, a qual qualifico como terror, insolitamente personificada na figura de quatro sujeitos, ou mais, altos e musculosos, sem camisa e de calça preta, carecas, segurando facões. Alguns deles não eram exatamente brancos. Isso poderá -ou não- ser importante mais tarde. Porque a minha principal ideologia é a vida saí correndo, em uma atitude que os outros qualificariam como covarde, mas é porque não conhecem o significado real do termo "terrorismo".&lt;br /&gt;Esta cidade é demasiadamente grande. Olhei com o coração exausto de tantos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;slides&lt;/span&gt; para o fim dessa Radial Leste, que na verdade não existia. Não tem fim. São Paulo não tem fim. Pensei em todas essas pessoas consumidas completamente pelo medo, pensei no medo que eu sinto, no medo que eu nego.&lt;br /&gt;Quando cheguei perto do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; e vi que um pedaço da calçada estava vazio de novo pensei "puta que pariu esses seguranças... o pior é o rebanho que sai mesmo", porque os seguranças do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; inventaram uma história, que não pode ficar naquela calçada -reparem que a calçada é pública, mesmo a do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;, eles ainda não têm direito de isolá-las-, e os integrantes daquele grupo gigantesco, composto por principalmente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gays&lt;/span&gt;, lésbicas e simpatizantes, obedecem direitinho conforme o pedido, quer dizer, conforme o obrigado. É quase obrigado sim, porque se você resiste, acaba sozinho na calçada, visto como subvertor pelos funcionários do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; e isolado do grupo.&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; Tatuapé tomou várias providências em relação ao encontro que acontece toda segunda-feira há um bom tempo em uma de suas fachadas. A maioria delas é recente. Por causa da aglomeração de pessoas, os seguranças foram instruídos para dispersarem o grupo dentro do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;, de forma a não obstruírem a passagem dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;consumidores em potencial &lt;/span&gt;-como se os próprios homossexuais não fossem consumidores em potencial também. No pátio da fachada onde ocorre o encontro iniciou-se uma reforma. Uma reforma que nunca tem continuidade. Isso deslocou parte da massa do encontro para a calçada, pois a passagem entre a porta automática do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; e a calçada também passou a contar com um chato anti-obstrução. Só que esse chato anti-obstrução só foi necessário pois &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a)&lt;/span&gt; as pessoas não podem ficar estáticas dentro do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;b)&lt;/span&gt; o pátio foi cercado para uma reforma infinita, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;c)&lt;/span&gt; as pessoas não podem ficar estáticas dentro do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; e atrapalhar ou ofender a saída dos consumidores em potencial pedestres do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Uma quarta medida tomada foi a de fechar os portões daquela fachada meia hora mais cedo, talvez para evitar os problemas que os trombadinhas e batedores de carteira traziam para dentro do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; (uma multidão em pânico, às vezes tossindo por causa de ataques avulsos com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spray&lt;/span&gt; de pimenta, entrando ensandecida no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; e causando uma mixórdia). A quinta medida é a de cercar o bordo da calçada, para evitar que o trânsito se torne um caos, isto é, evitar que o grupo ocupe ou dificulte a passagem nas pistas da Rua Domingos Agostim. Mas é também uma atitude controversa (que ninguém questiona), já que o bordo é importante no trânsito, para carros que necessitam estacionar urgentemente, e para os motociclistas e ciclistas, já que a pista mais próxima ao bordo direito é preferencial a estes, e quem diz isso não sou eu, é o Código de Trânsito Brasileiro. Esta providência é controversa, mas a última é simplesmente ilegal. É o isolamento de uma seção da calçada.&lt;br /&gt;Lembrando que &lt;u&gt;todas essas medidas são tomadas apenas na fachada do encontro às segundas-feiras&lt;/u&gt;.&lt;br /&gt;A "política" do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; é uma coisa. Não sei se a CET autorizou o uso de cavaletes na calçada. Agora, que o Estado não permite essa atitude que eu qualifico como discriminatória (não pelo fato de o grupo ser de homossexuais, mas sim pelo fato de assustarem o público homófobo do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;) de impedir a permanência na calçada, é óbvio que é mentira. Mas o rebanho não está preocupado com isso, e nisso consiste o meu ressentimento. Pensam feito perus, só estão preocupados com imagem e beijar na boca, obviamente jamais boicotarão o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; porque são conformados, porque não associam uma coisa à outra, porque eles mesmos são consumidores, porque acham que os maiores culpados são os seguranças "chatos" do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;, e não os administradores da logística da salvaguarda.&lt;br /&gt;As ovelhas estúpidas, naquele gramado, onde a periferia da Zona Leste, da Zona Norte e de outros lados de São Paulo, porque São Paulo tem muitos lados, vêm abastecer seus cérebros televisivos agindo como devem agir, pensando feito perus, dispostas como ovelhas que são. Então hoje, contrariando as minhas expectativas, um grupo pequeno mas assustador de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rottweilers&lt;/span&gt; enfurecidos, xiitas adeptos de uma ideologia chamada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;skinhead&lt;/span&gt;, transformou o calmo rebanho em uma manada histérica. Contrariando minhas expectativas, porque depois da semana que antecedeu esta, quando um arrastão gigantesco escapou ileso de cinco viaturas de policiais (ah! os policiais, tão simpáticos, pedindo passagem com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spray&lt;/span&gt; de pimenta), eu jurava que alguma providência seria tomada. Doce sonhar. Nenhuma providência, da parte do rebanho, da parte do comércio, da parte do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; e da parte do Estado, isto é, da própria polícia, em relação à criminalidade e à violação dos direitos humanos. Hoje, isolados do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt;, sem proteção policial, um enorme grupo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;GLS&lt;/span&gt; foi intimidado por um minúsculo grupo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;skinheads&lt;/span&gt; aqui no meu bairro chamado Tatuapé.&lt;br /&gt;E o pior? Nenhuma providência será tomada.&lt;br /&gt;Nenhuma precaução.&lt;br /&gt;Nenhuma medida.&lt;br /&gt;Nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4698805590088861350?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4698805590088861350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4698805590088861350&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4698805590088861350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4698805590088861350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/01/caca.html' title='Caça.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4690073130972027024</id><published>2010-01-09T14:03:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T14:15:21.196-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'>Todas as contraculturas apontam para a defesa da hegemonia do self-made man.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Discute-se que o principal problema da esquerda atual é a hiperfragmentação dos movimentos sociais. Isso significa que cada vez mais existem grupos interessados em problemas específicos e pontuais em relação à suas constituições, e em consequência disso, menos grupos interessados em resistir simplesmente ao sistema vigente levantando uma bandeira. Ou seja, no final das contas temos como balanço o seguinte: um mosaico de grupos minoritários que visam combater &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o sistema&lt;/span&gt; defendendo ideologias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;egoístas&lt;/span&gt; (não é muito difícil falar aqui de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ego&lt;/span&gt;, já que os grupos acabam assumindo identidades), o que nada mais é reflexo da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;necessidade de se pôr em defesa individualmente&lt;/span&gt; que a ideologia do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;self-made man&lt;/span&gt; criou, isto é, a versão moderna e revisitada pela sociologia eugenista do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;senso de sobrevivência&lt;/span&gt; -que não passa de história. Ou seja, o capitalismo triunfa impregnando de medo todos os homens, impedindo que os insatisfeitos com a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ordem neoliberal&lt;/span&gt; dêem as mãos e assim façam verão.&lt;br /&gt;Mas o leitor questionará o porquê de tanto marxismo fora de época. Eu explico! É que ontem eu fui na Rua Augusta, pólo pluricultural daqui desta cidade sem estrelas chamada São Paulo, e nada mais vi lá do que um sem-número de grupos organizados feito bolhas, muitos com várias intersecções, claro, porém todos preocupados em &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;defender um estilo&lt;/span&gt; (aparentemente apolítico, mas como a apolítica é utópica... vamos simplesmente fingir que há um mínimo de consistência no meio daqueles adolescentes -todos adolescentes, apesar da idade- deficitários metidos a ingleses, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;junkies&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;punks&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rockers&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;skaters&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;emos&lt;/span&gt;, "alternativos", &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vida loka&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hippies&lt;/span&gt;, amantes livres, anarquistas etc), apenas um estilo. Apenas sim, e prejudicialmente apenas. Prejudicialmente apenas porque fadando um movimento, como uma tribo urbana, a apenas um conjunto de esteriótipos e imagens, seus integrantes estarão se rendendo à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sociedade do espetáculo&lt;/span&gt; do Guy Debord, onde as relações sociais se dão justamente por imagens, e nessa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;defesa absurda da aparência&lt;/span&gt;, diz também o Raoul Vaneigem, é que consiste o segredo da infelicidade tão bem cultivado pelo capitalismo no coração de cada um dos homens ocidentais.&lt;br /&gt;Vejo como mecanismo decidido de resistência à ordem o cultivo de um estilo de vida automutilador e proibido. Não estou aqui em defesa do cristianismo, por isso não qualifico tais condutas como desregradoras ou pervertidas. Mas há de se prestar muito bem atenção no que essas ações significam. Apelar para discursos ofensivos e escandalosos, o uso clandestino de drogas ilícitas, mudanças corporais estéticas e o amor livre podem ser sim maneiras de se resistir tanto à moral quanto resistir à lei. Só que, desculpem-me pela franqueza, acho que o suspeito conforto que todas essas ações "proporcionam" deixaram há muito de serem agentes subvertores e hoje só estão cumprindo essa ideologia hedonista que a Mídia tanto defende.&lt;br /&gt;O tratamento que se dá ao corpo, incluindo o uso de anabolizantes, e o consumo desenfreado de bebidas e cigarros por menores de idade, e de alucinógenos ilegais por todas as faixas etárias, são condutas condenadas pelo Estado nacional, mas legitimadas, institucionalizadas e incentivadas pelo Estado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hedonista&lt;/span&gt; do capital (mais lubrificante no processo de alienação na máquina social, e mais uma alavanca no capital financeiro, mais mercados rentáveis no sistema que gira em torno do dinheiro, e não da vida).&lt;br /&gt;O intuito do texto não era ser um manifesto comunista, e sim uma defesa da tese de que as contraculturas deixaram de ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;contra&lt;/span&gt; há muito tempo, e hoje apenas sustentam uma imagem de rebeldia que é inclusive defendida nos comerciais da televisão. Não quero generalizar, fiquei descontente com o que vi na Rua Augusta. Sei de uma galera que, embora não seja perfeita -a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;incompatibilidade com o Outro oprimido, que embora seja também oprimido como eu também é o Outro&lt;/span&gt;, é a principal dessas falhas-, dentro da minha visão realista e arrogante, é bastante engajada e atua notavelmente aqui em São Paulo (mesmo que algumas propostas sejam bobas, temos os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vegans&lt;/span&gt;, os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;freegans&lt;/span&gt;, os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;straight edges&lt;/span&gt; compromissados, os vários grupos de socialistas, os humanistas, os anarquistas ontológicos, a galera da Bicicletada etc).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4690073130972027024?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4690073130972027024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4690073130972027024&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4690073130972027024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4690073130972027024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/01/todas-as-contraculturas-apontam-para.html' title='Todas as contraculturas apontam para a defesa da hegemonia do self-made man.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3633449828255841856</id><published>2010-01-05T21:04:00.000-08:00</published><updated>2010-01-06T08:14:31.750-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primavera abacate francesismos posar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><title type='text'>Balanço de dois mil e nove.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Senti desde o início que ninguém leria este &lt;/span&gt;post&lt;span style="font-style: italic;"&gt; inteiro.&lt;br /&gt;Mas o mais importante pra mim foi simplesmente&lt;br /&gt;ter feito este balanço e publicado esta antologia)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;No final de 2008 e no início de 2009 eu tinha um bloquinho da Globo.com que a filha da mina que o meu pai pegava quando ia ao Rio de Janeiro desprezou, e por isso acabou em minhas mãos como um presente de natal. No primeiro bimestre de 2009 conheci o Ed e fiquei inspirado pelo tédio no curso técnico de Museu (aliás fiquei entediado no semestre inteiro). No Parque da Juventude e durante as aulas do curso escrevia bastante coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que tirem meus pingos dos is&lt;br /&gt;Só assim que serei ferrugem&lt;br /&gt;Quero que limpem, quero que sujem&lt;br /&gt;Assim como escrevo e as vacas mudas&lt;br /&gt;Quero que plantes, quero que acudas&lt;br /&gt;Mas não vou trair, feito certo Júri&lt;br /&gt;Quero que fume, quero que cure&lt;br /&gt;Preciso de nada mais que atum&lt;br /&gt;Quero que arranhem, quero beber rum&lt;br /&gt;Mas que tal tirar meus pingos dos is?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 1 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por que você lê Dom Casmurro?&lt;br /&gt;Por que você é burro?&lt;br /&gt;-Eu sou escravo da FUVEST&lt;br /&gt;E nem que isso não preste...&lt;br /&gt;-Apague aqui o seu cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 2 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, tudo bem, pode ir, eu sou sem sal&lt;br /&gt;pode crer que o teu melhor é ir pular o Carnaval&lt;br /&gt;não preciso mais procurar teu olhar no reflexo&lt;br /&gt;o espelho que eu comprei só me deixa ver teu sexo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não gosto do que gostas e não ligo pra tua vida&lt;br /&gt;não sou parte do bom tipo de gente com o qual lidas&lt;br /&gt;não, tudo bem, não vou ser um mala sem alça&lt;br /&gt;eu recolho minhas coisas, minha blusa, minha calça&lt;br /&gt;(não quero ter uma vida falsa)&lt;br /&gt;-mas eu te adoro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, em Março, veio o platonismo por um cara de Guararema (que sumiu) -falta minha de maturidade-, a uretrite e a superação desse cara, quando eu saí com um monte de gente -inclusive com o Ed de novo.&lt;br /&gt;Aí eu já tinha um bloquinho que comprei em Itatiaia com minha tia Ivete (acho que era início de Abril), e um que comprei (devia ser Maio) com a Letícia e a Ingrid no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shopping&lt;/span&gt; Anália Franco -na Saraiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje acordei com uma vontade louca&lt;br /&gt;de pular da cama, tirar a roupa&lt;br /&gt;de cantar até vomitar de alegria&lt;br /&gt;uma vontade de compor poesia sem nexo&lt;br /&gt;uma vontade louca de fazer sexo&lt;br /&gt;de acabar com toda a tua melancolia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;componho um aforismo&lt;br /&gt;escolho até um lema&lt;br /&gt;minha gente, eu cismo em ir a Guararema&lt;br /&gt;-mas que celeuma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu olhei pra ti no shopping e pensei: hum! esse deve dar um chá&lt;br /&gt;você olhou pra mim e disse: vamos pra casa, eu moro lá&lt;br /&gt;trocamos juras de amor e várias injúrias de dor&lt;br /&gt;e coisas do tipo "ah! você pode ser a minha sorte grande, eu lhe dou minha boca e você sua glande"&lt;br /&gt;e à tua casa eu ia umas três vezes por semana&lt;br /&gt;e eu nem te conhecia, só o teu lado sacana&lt;br /&gt;eu fantasiava que era um urso -você era minha colmeia&lt;br /&gt;mas eu jamais ia imaginar que você tinha gonorreia&lt;br /&gt;foi! foi! estou certo, foi! foi com você&lt;br /&gt;que eu peguei a minha primeira DST&lt;br /&gt;(e agora você me chuta --azar filho da puta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bandido!&lt;br /&gt;você roubou meus olhos.&lt;br /&gt;você roubou minha orelha, minha boca, meus sentidos.&lt;br /&gt;você roubou minha cabeça, violou meus pensamentos, roubou minha poesia.&lt;br /&gt;você roubou meu tempo.&lt;br /&gt;você roubou minha tarde, minha noite, meus sonhos.&lt;br /&gt;roubou meu dia inteiro. as minhas horas todas.&lt;br /&gt;roubou o meu domingo, roubou minha atenção.&lt;br /&gt;você... você roubou meu coração.&lt;br /&gt;você roubou o meu amor, o meu tesão, a minha respiração, a minha capacidade de acreditar no inacreditável. você roubou a minha normalidade, a minha calma, a minha raiva.&lt;br /&gt;você roubou meus olhos.&lt;br /&gt;você me roubou tudo e levou pra Guararema.&lt;br /&gt;o que eu faço agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;neste presente dia&lt;br /&gt;estou estou abstraindo&lt;br /&gt;fazendo mas quase traindo&lt;br /&gt;a minha melancolia&lt;br /&gt;dezesseis anos sem balas&lt;br /&gt;sem balas redondas de canela&lt;br /&gt;que guardas, minha boca sela&lt;br /&gt;tão viva de violar jaulas&lt;br /&gt;neste presente dia&lt;br /&gt;te beijo, simples, não falas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 3 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olha Geórgia! olha!&lt;br /&gt;a Lua 'tá cheia!&lt;br /&gt;e hoje é dia 10!&lt;br /&gt;que lindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oh! Lua linda&lt;br /&gt;não fique nua&lt;br /&gt;teu brilho finda&lt;br /&gt;no fim da rua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 4 2009, Resende, RJ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;trova&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! meu bloco amigo&lt;br /&gt;Eu te consigo&lt;br /&gt;Teu Oh! com sigo&lt;br /&gt;Compro um jegue&lt;br /&gt;Teu Oh! com segue&lt;br /&gt;Pagou meu sigo&lt;br /&gt;Oh! meu, teu jegue&lt;br /&gt;Já espirrou a porra&lt;br /&gt;Meu jegue, morra&lt;br /&gt;Teu Oh! com segue&lt;br /&gt;O sábado jorra&lt;br /&gt;Oh! meu bloco amigo&lt;br /&gt;Eu te consigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas o melhor devia mesmo ser a boca. enorme, eu quase não coube nela, mas foi pelo sorriso, por causa do seu sorriso gigante. tão longo era o seu sorriso, que eu sonhei que ele por um instante fosse a eternidade, de tão contente que parecia. e com um bigode, mas um ligeiro bigode; um bigode não daqueles ingênuos, mas experiente, bem criado, um bigode de família, esperando para me ferir e para me pentear com a sua alma com toda a sua rígida maciez de garoto sorridente. e a sua voz, tão macia quanto sua boca, simpática porque parecia ter nascido simpática (alguém com aquela voz conquista qualquer algo, com aquela voz domina sem nenhuma psicologia acadêmica, qualquer indivíduo, domina o espaço, hipnotiza a Lua). eu acho que se ele abrisse a boca para cantar, a sua voz grave de Karen Carpenter encheria todos os meus pulmões, o metrô, os túneis, as cavernas, as grutas da minha cabeça. mas uma boca daquelas não tem dono. aquilo é tombado pela e para a humanidade, cercar aquilo seria egoísmo com os meus colegas de mundo. mentira. sonho mesmo é em desvirginar o magno cargo, ser rei de uma fono-monarquia, déspota absoluto daquele paladar lúdico e cruel, príncipe, o príncipe que tem direito àquela macia coroa de lábios, de sabor tão impossivelmente tênue, tão sensível, e que eu só deduzo por causa do sabor que aquela voz tem, de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;easygoing&lt;/span&gt; simpatia. mas eu sou só um plebeu para ter esse direito. eu sonho com a ingenuidade que uma criança tem de se tornar modelo ou jogador de futebol, eu te beijo durante um concerto de música clássica antes de dormir, eu ando de bicicleta e vou a um museu de arte contemporânea domingo de manhã. então trocamos bobagens em uma cafeteria, eu submisso sempre à sua voz. à noite eu te beijo e me despeço, você entra em um trem e eu sou feliz. mas eu sou apenas um plebeu, para sonhar com tanta intensidade. troco as pessoas verbais de entorpecimento. será que eu não te vejo mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sufoco. e então não há mais filosofia. os vinte e um gramas da minha alma ouviram, cada um deles, soar a hora fatal. não haverá dodecafonismo, cafonismo ou Coca-Cola que me tornará livre para, despertado pela música do meu tempo, descobrir que ainda falta meia hora para a ponta do dia mostrar toda a sua fumaça, que eu espero. não há mais fumaça, a fumaça sou eu. eu sou o movimento no vácuo, que jamais me provaram na escola. declina o dia, acorda a metrópole, dorme o campo, e tudo que se saberá de mim será nada. nasço cimento, mas nos livros de história sou algodão. a História é uma mentira, por isso não passa de história. eu já pouco existo enquanto vivo, quando padeço não morro porque nunca estreei. mas tudo isso não passa de um blefe. fosse mais fácil administrar a minha neurose morto-vivo, e é. eu estou vivo-morto. eu me esquivo dos dardos extra-mentais e estamentais, hipotéticos e patéticos, mas de repente me flagro investindo todo o meu ouro, minhas posses, meus bens, em um iminente golpe, cavo o meu próprio túmulo. e aqui me desencontro, na presença mais mórbida e bucólica que o próprio parque. cada folha que cai é uma lágrima que eu não derramei: eu lido com o valor errado, eu mecanizo as minhas ações, mas elas são muito falsas se eu não as sinto. culpa do meu medievalismo, eu divago a planta de um feudo, que construo com tijolos de abstração, que desaba antes de existir, o projeto natimorto, pedaço de mim, terra conquistada. eu sou um imperador que vive a retração de sua herança, o gato que perde os bigodes ao hipotecá-los. maldito cassino do amor, dos santos que elegem qual das especulações de cortejo burocrático é mais proveitosa ou lucrativa, enquanto eu vivo-morro em um parque, esperando o momento onde serei o parque, onde choverei em sua janela. mas ele não se importa. frio, fecha a cortina e vai à cozinha preparar a janta. derramado, chovido, assisto à cena. sufoco. e então não há filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você é a razão da minha uretrite&lt;br /&gt;você é a razão do meu apetite&lt;br /&gt;você é a razão, mas eu caí, eu caí:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você é a minha irracionalidade&lt;br /&gt;apesar do pesar da minha tenra idade&lt;br /&gt;você é o pesar, mas eu fali, eu fali:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você é o meu lucro, minha mais-valia&lt;br /&gt;você é meu prejuízo, minha porcaria&lt;br /&gt;você é o lixão, eu pequei, eu pequei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você é a minha igreja, meu pastor, minha cruz&lt;br /&gt;o meu conhecimento, meu talento, luz&lt;br /&gt;você é a minha arma, eu matei, eu matei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sou teu homicida, teu pintor, freguês&lt;br /&gt;não creio no maldito o tanto quanto crês&lt;br /&gt;eu sou teu tudo... e... não! eu brisei, eu brisei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 5 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então no início de junho eu conheci o Daniel, que inaugurou a melhor fase do meu ano, entre o final do primeiro semestre e a primeira metade do segundo semestre. Minha segunda uretrite é dessa época, mas não lhe dei muita importância. Durante as férias de Julho, especialmente quando estive na Praia Grande com a minha amiga Ingrid, escrevi no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;DIÁRIO DE ESTUDOS FIGURATIVOS ou PARTE X da MINHA PRODUÇÃO DOENTIA E ENDEDIADA&lt;/span&gt; com fragmentos já publicados aqui. Inaugurei o meu melhor caderno do ano, chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a lógica do amor&lt;/span&gt;, comprado em Itatiaia com a minha tia, que começa no primeiro de agosto e termina no dez de setembro, com participação de muitos amigos. Foi nesse período também que eu conheci a Luciana, e que eu comecei o cursinho pré-vestibular -ainda no técnico e no colégio. Grande parte do que eu fazia era entusiasmado pelo ótimo relacionamento que eu estava tendo. A crise começou no início de outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você é foda&lt;br /&gt;o mundo é foda&lt;br /&gt;e gente é foda&lt;br /&gt;o amor é foda&lt;br /&gt;e eu te amo&lt;br /&gt;porque eu te amo&lt;br /&gt;e eu te amo. eu te amo, eu te amo&lt;br /&gt;e é com você que eu vou andar de mãos dadas&lt;br /&gt;e eu vou rir pra você, rir de você&lt;br /&gt;e eu te amo.&lt;br /&gt;(esqueça das ruínas&lt;br /&gt;e esqueça e esqueça)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 6 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;prólogo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto você se odeia&lt;br /&gt;eu me odeio&lt;br /&gt;e assim construímos um mundo unidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 8 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-com'está?&lt;br /&gt;-'stou 'stável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-qu'é 'stável?&lt;br /&gt;-mano do permanecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 8 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu acho que tenho bastante sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 8 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu fosse um buraco, provavelmente me preocuparia menos.&lt;br /&gt;então eu certamente tenho bastante sorte mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 8 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a lógica do amor me disse que eu não sou real. me disse que eu devo andar de pés no chão e de cabeça erguida. mas eu tropeço.&lt;br /&gt;a lógica do amor me contou que você me ama, mas me disse que eu devo ser racional como um número irracional. mas eu não mensuro.&lt;br /&gt;a lógica do amor arguiu que nós devemos temer o amor, porque de tão grande ele irá nos sufocar. mas eu já não respiro.&lt;br /&gt;a lógica do amor falou que o salário do amor é a saudade, que o lucro do amor é a distância. mas eu sou apenas um plebeu.&lt;br /&gt;a lógica do amor concluiu que eu te amo entre as vinte e duas horas do sábado e as catorze horas do domingo, mas eu te amo com todas as palavras feias de xingar que me fulminam quando eu dou as costas, quando eu fecho a porta, quando estou te amando.&lt;br /&gt;a lógica do amor ACHA que eu não sou real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 8 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o grã&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha vida é tão, mas tão legal que, se eu morrer, vai ser uma merda.&lt;br /&gt;tão legal que, se eu fosse bicho, Deus ia se ver comigo.&lt;br /&gt;tão legal que, se eu fosse você, me matava de tédio.&lt;br /&gt;-e a minha cidade é um grande sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 8 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a noite mais linda tem os mosquitos mais insuportáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 9 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de ontem, qualquer vento é um arrepio. suspiro. você me deixou que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 9 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o Daniel se despediu de mim e eu vivi vários meses vazios, e nenhuma das trocentas atividades que eu fazia parecia me completar. Minha situação melhorou mais pro final do ano. Veio o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu Primeiro Caderno de Sacanagem&lt;/span&gt;, que começou no final de outubro. Houve mais um momento de ruptura quando eu vi um filme sueco chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prinsessa&lt;/span&gt; durante as minhas excursões solitárias. Acho que tenho me divertido mais por agora, contudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na Vila Mariana lembrei de você. tropecei em alguma coisa humana. mas era desimportante, como qualquer coisa humana. lembrei de um papel, daqueles que envolvem canudinhos, de como flertei aquela tira branca que contrastava o negro piso da Avenida Paulista. ela era o moderador da nossa discussão. da nossa discussão humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 10 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando uso sapatos furados e meus pés estão encharcados parece a eternidade. um desespero presente.&lt;br /&gt;passo por uma pessoa com o mesmo perfume de alguém que eu amo.&lt;br /&gt;outro alguém me olha com olhos de desejo, mas quem está no comando sou eu, amizade!&lt;br /&gt;minha distância, meu naufrágio, minha distração me furtam mais um vulto.&lt;br /&gt;todos aqui me olham com pena. mas só eu tenho o direito de ter pena de mim.&lt;br /&gt;quanto eu dirigir a Terra -e por isso ser famoso- minhas roupas pobres serão as mais caras.&lt;br /&gt;e continuo a pensar, que quem aqui olho tem um sentimento instantâneo de pena.&lt;br /&gt;meus pés ainda estão encharcados numa meia-eternidade. do que preciso afinal?&lt;br /&gt;tenho uma fome intermitente. devem ser distúrbios de atenção -ou sequelas do péssimo filme que acabei de ver.&lt;br /&gt;acho que vou fechar este caderno de pornografia e voltar à chuva, que ainda não cansou de molhar meus pés.&lt;br /&gt;uma chuva cansada, maníaca e inconveniente. como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 10 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;internalizei suas dores&lt;br /&gt;simbiótico e leso&lt;br /&gt;que amei teus amores&lt;br /&gt;-como tanto os prezo...&lt;br /&gt;agora externo e louco,&lt;br /&gt;vivo rindo, lindo&lt;br /&gt;-e chato mesmo, um saco,&lt;br /&gt;como um domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 10 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ressequei meus lábios de desespero. com o pior desespero que tem, aquele desespero mudo.&lt;br /&gt;agora, um desespero mudo com lábios secos e sulcados, dores quentes sufocantes.&lt;br /&gt;você tem uma dor surda -se bem parece mesmo uma conveniência hipersensível.&lt;br /&gt;não sei se aquele foi o nosso último abraço. mas no dia seguinte meus lábios ressecaram.&lt;br /&gt;de desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 10 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;supus amante,&lt;br /&gt;não é todo mundo que escolhe a vizinhança.&lt;br /&gt;a cruz brilhante&lt;br /&gt;cega o olho da galera, da vovó, da criança.&lt;br /&gt;ah! não dá mais&lt;br /&gt;pra mim, eu vou beijar outro, vou beijar, eu vou&lt;br /&gt;tens uma paz&lt;br /&gt;super-cristã, ser cristão que és, mas eu não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 10 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu coração gritou tanto que fez coceguinha no meu cérebro surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minhas espinhas devem me odiar. mas a morte não tem que ter juízo, quanto mais de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você feriu de amor&lt;br /&gt;as minhas pernas peludas&lt;br /&gt;estão n'agora chorando&lt;br /&gt;contraídas ou irritadas&lt;br /&gt;irrigadas de pouco suor&lt;br /&gt;mas de cristalino castanho&lt;br /&gt;brancas, maciez rígida&lt;br /&gt;estão me contando as espinhas irritadas: você me feriu de amor&lt;br /&gt;de vermelho&lt;br /&gt;as minhas pernas peludas&lt;br /&gt;n'agora chorando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fingi que você 'tava indeciso,&lt;br /&gt;mas te vi colecionando paixões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;na banca de jornal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eram duas mulheres. explicitamente mulheres e explicitamente duas. estavam explicitamente quase-nuas. explicitamente empilhadas.&lt;br /&gt;explicitamente explícitas.&lt;br /&gt;dois oficiais de polícia da plebe (unidade de autoridade pré-potente) fingiam conversar, porque não sabiam conversar. era uma com cerva: conversa em conserva.&lt;br /&gt;-filho da puta! fi-lho da puta!&lt;br /&gt;-mas e a Luza?&lt;br /&gt;-ficô-se rindo. e a bicha cabrêra, cabrêra. se eu encontro aquele vêado ôtra vez eu mato, eu mato.&lt;br /&gt;e as duas moças empilhadas no pôster se esforçavam para continuar sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você precisa de um amor ou de um bom livro?&lt;br /&gt;-livro!&lt;br /&gt;alarme-falso.&lt;br /&gt;o que me morfina não quer receber ligação minha.&lt;br /&gt;que mar de arrogância e prepotência é isto que me tornei?&lt;br /&gt;o meu amor eu não quero precisar dele. mas o meu querer é um querer dos homens.&lt;br /&gt;invento um lado e o disputo, é a ordem. mas eu não visto as camisetas da lei. não me governo tanto quanto penso que o faço.&lt;br /&gt;a coragem que eu tenho das coisas é um medo maquiado. por que não resta mais nada de inútil na cidade? as estrelas já não brilham mais, e quem se importa?&lt;br /&gt;se eu vestisse uma camiseta preta estaria de luto. se eu tivesse músculos bem definidos venderia o meu corpo. se eu fosse preto as palmas das minhas mãos seriam mais claras que o resto do meu corpo. se eu tivesse sardas talvez ficasse bem de cabelos ruivos. se eu não tivesse cu morreria cedo.&lt;br /&gt;os anjos de mim motocicletam atrás das alcachofras dos meus ouvidos.&lt;br /&gt;esta cidade chamada São Paulo é um sonho esquisito. o meu mundo é cinza e tem formato de cruz.&lt;br /&gt;eu não sou da lei. não sei por que isso, mas eu não tenho chicote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 12 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gosto de olhos que brilhem. que sejam pulsantes como uma manhã. que me permitam uma felicidade instantânea e imprudente. olhos que me seguem são olhos eternos, de um segundo, eternos, são meus durante um segundo eterno. --e quando eles se fecham, eu deixo de respirar. mas se eles voltam a brilhar, eu volto a viver. por isso amo vibrar com os olhos intermitentes das manhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;centenas de crianças passeando. sementes brotando sem critério. amores que deixaram o hospício e uma voz que aqui ecoa:&lt;br /&gt;-Beto, me dá um cigarro.&lt;br /&gt;demora.&lt;br /&gt;-Beto, me dá um cigarro.&lt;br /&gt;e mais uma vez.&lt;br /&gt;-Beto, me dá um cigarro.&lt;br /&gt;uma maquiagem pesada e cabelos raspados ignoram as fezes anticapitalistas. a fumaça dos cigarros forma uma curiosa nuvem no inverno perene. cinzas, os tons de cinza, passeam de mãos dadas buscando um analista -de sistemas.&lt;br /&gt;-Beto, me dá um cigarro.&lt;br /&gt;Beto, cigarros cedidos, nuvem tóxica prostituída, flores de marca. vozes. senhoras que mentem para si na quase-noite da vida paulistana. tudo isso me abandona, exceto o eterno eco:&lt;br /&gt;-Beto, me dá um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;s.d.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3633449828255841856?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3633449828255841856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3633449828255841856&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3633449828255841856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3633449828255841856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/01/balanco-de-dois-mil-e-nove.html' title='Balanço de dois mil e nove.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-5345888469283784261</id><published>2010-01-03T18:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T18:51:00.871-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;me perdoa por ter encostado o dedo no teu rancor guardado&lt;br /&gt;estou alérgico, alérgico, alérgico, alérgico estou&lt;br /&gt;eu esbarro nas cores que me atraem --culpa o magnetismo, preciso ser teu amigo&lt;br /&gt;mas que pena que você não quis, senhor parede&lt;br /&gt;só perdeu a única oportunidade da sua vida de ser feliz ao lado de alguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 12 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;decolar toda manhã&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;livros deitados no chão, que não contam histórias a mais ninguém. flores mentirosas na parede. o martelo ali na escrivaninha fora do meu alcance não para de martelar meu coração. uma alegria sapeca está jogada no canto, junto com as roupas suadas de cansaço. diz assim em letras ilegíveis que "eu estou entre o guidão e o freio, você não é bonito mas também não é feio, o que me importa é que você não é uma porta". vento mentiroso do meu ventilador mutilado, porque não ventila dor nenhuma. mas hoje a dor foi passear, e é sobre uma nuvem -que, diga-se de passagem, se parece muito com um travesseiro- que escrevo estas memórias esquecidas. sob a vitrola envenenada, o que resta de uma rena de natal luta contra as arânhas nômades. estalactites de tinta branca penetram na minha cabeça, e o martelo continuava martelando meu coração listrado. a dor bate na porta mas eu aumento o volume do rádio. as flores mentirosas crescem na parede até se tornarem verdadeiras. na poeira setentrional do meu ser, uma saudade suspira. a Santa Ceia brinda a chuva sobre a cristaleira -que abriga qualquer coisa, menos cristais. (Pedro olha com olhos de cobiça para o meu teclado, mas se contenta com o ronco das tomadas.) o relógio me grita que a noite está aqui. eu entendo, ergo meus olhos para o além e sonho acordado, com um sorriso mais longo que o braço da floresta, porque amanhã vai ser outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 12 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Amor Irreversível. (II)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentada em um piano em uma praça, a Juventude me contou a história do meu amor: que começa com olhos brilhantes e um sorriso violento, passa bolinando as sombras, assombrando o pântano e entra em um apartamento onde será celebrada a vida, um altar de falos e garrafas de aguardente, passa pela cozinha e prepara um destilado, e então o sofá -que pela mágica do destino transforma-se depois em uma cama-, com uma intragável trilha sonora de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;techno&lt;/span&gt; e gemidos de dissimulação importada (a mais cara do mercado), tecem o ambiente inenarravelmente propício para o encontro entre uma garganta sedenta e aqueles valiosos (não muitos, não obstante bonitos) centímetros de rola, joga sensualmente na cozinha, vomita lamentos roxos, cheirando a saudade, catarro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vodka&lt;/span&gt; e fanta uva, pensa no passado, liga pro passado, dorme no chão carente e se despede na manhã polvilhada, branca e inchada, com a promessa de outras noites de amor suicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 12 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Poema&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;miragem, que cristalizada torna-se nada.&lt;br /&gt;meu peito não tem voz para berrar.&lt;br /&gt;a dor, como uma gota de suor perdida pingando da minha axila, só eu a sinto.&lt;br /&gt;meu ventilador esteve ligado o dia inteiro, mas desta vez não funcionou, estéril.&lt;br /&gt;é contar segundos, nem vou perceber quando o sorriso que há em mim sufocar isto que agora me sufoca.&lt;br /&gt;é a graça de viver. a certeza de que as coisas morrem.&lt;br /&gt;ai. se. não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31 12 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-5345888469283784261?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/5345888469283784261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=5345888469283784261&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5345888469283784261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/5345888469283784261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2010/01/me-perdoa-por-ter-encostado-o-dedo-no.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-6526602674581089530</id><published>2009-12-27T17:21:00.000-08:00</published><updated>2009-12-27T17:26:10.961-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;os quatro segundos que me provaram&lt;br /&gt;que é fato: o mundo é um troço insano.&lt;br /&gt;que eu não sei lidar com isso que me deram&lt;br /&gt;-eu quero livrar-me de entrar pelo cano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu quero sair já desta paranoia,&lt;br /&gt;e se eu não fugir depressa e correndo&lt;br /&gt;eu vou é morrer, me matar joia, joia,&lt;br /&gt;ou enriquecer, viver joia morrendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e isso não passa de um vaticínio.&lt;br /&gt;estou é à cata de um grã-futuro;&lt;br /&gt;se sobre as pessoas exerço fascínio,&lt;br /&gt;juro, isso me soa como um apuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu capacete na manhã urgente&lt;br /&gt;é o meu lembrete de que sou humano.&lt;br /&gt;minha bicicleta e toda essa gente&lt;br /&gt;me provam asceta: mundo troço insano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 12 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;vai encontrar esta noite um amor sem pagar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;I-denúncia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;carros.&lt;br /&gt;estacionam.&lt;br /&gt;garotos.&lt;br /&gt;olhos felinos.&lt;br /&gt;amor premioso.&lt;br /&gt;amor premiado.&lt;br /&gt;estrelas binoculares.&lt;br /&gt;punição cósmica.&lt;br /&gt;nuvens cor-de-carne.&lt;br /&gt;carne desejada &amp;amp; carne sem desejo.&lt;br /&gt;eis. o. beijo.&lt;br /&gt;paixão estacionada.&lt;br /&gt;carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;havia um quê de serenatas. nada se ouvia, contudo. até o enrustido ronco dos motores parecia não ter som. nada, nada se ouvia. as famílias dormiam em paz. em volta da praça os carros dançavam obscuros e silenciosos feito urubus. no afresco da noite, um véu nublado, uma estrela esquecida, árvores resmungonas e olhares ocultos. alguns carros, mais caros que casas às vezes, traçavam rotas avulsas para o mesmo fim: a felicidade comprada -ou o sangue encantado-, tentando provar para seus donos que a impotência se cura com gasolina, muitas cilindradas e sexo sem palavras. a angústia muitas vezes atravessava os sussurros mercenários. muitos ainda não entendem como funciona o capitalismo do amor, mas, por falta de intuição, nós temos o instinto. a Lua envergonhada se cobre para ninguém vê-la vermelha. e aqui o amor funciona como deve funcionar, sem serenatas, sem som, sem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27 12 2009&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-6526602674581089530?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/6526602674581089530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=6526602674581089530&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6526602674581089530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6526602674581089530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/os-quatro-segundos-que-me-provaram-que.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-406663894763691619</id><published>2009-12-26T08:48:00.000-08:00</published><updated>2009-12-26T18:12:38.195-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que poeira leve...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><title type='text'>Amor irreversível.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Saí do carro irritado, não por ter sido um mal natal, mas sim porque eu teria que andar até em casa. Mas depois caí em mim mesmo novamente. Eros, caro Eros, desde quando andar é um problema? Você sabe que não é. Andei até o metrô Carrão, porque eu estava com sono e queria ir logo pra casa. Subi as escadas rolantes, ou melhor, as escadas rolantes me subiram até a plataforma vazia -e como ficam românticas essas plataformas de metrô durante a madrugada, nunca havia percebido. Encatraquei-me e as escadas rolantes me desceram da plataforma da minha vida, e eu arrastei os meus chinelos barulhentos pelo chão imundo dos meus sentimentos empoeirados. Debrucei-me em um muro e espiei as pedras, aquelas pedras que já devem ter o dobro ou triplo da minha idade, e prestei atenção nas luzes que vinham do leste, sempre na esperança de que alguma delas fosse o meu trem.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Senhores passageiros do metrô, informamos que nossas atividades terminarão em doze minutos. Lembrem-se de que o serviço é garantido apenas até meia noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eco na estação quase-fantasma. Que maravilha, pensei. A noite é muito, muito poética. Passou pela minha cabeça a hipótese de eu ter perdido a oportunidade de economizar os últimos créditos do meu bilhete único -que na verdade já deixou de ser único há um bom tempo. Súbito senti uma angústia que me lembrou você, naquela época onde tudo era líquido e impermeável. Olhei pra trás, além de mim havia uns quatro outros, sozinhos, perdidos na noite, atrasados, angustiados, talvez, como eu.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Senhores passageiros do metrô, informamos que nossas atividades terminarão em seis minutos. Lembrem-se de que o serviço é garantido apenas até meia noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eco na noite quase-fantasma. Que bosta, disse em um volume que só eu mesmo podia ouvir. E voltei a cantarolar, porque quem canta os males afasta, e eu inquieto parecia dançar, porque meus braços se cruzavam, e de repente já estavam no meu bolso, mas não havia porquê de me preocupar, já que não tinha a quem dissimular alguma calma naquela estação, tão vazia como eu. E muitas luzes passavam pelo horizonte, mas nenhuma delas era a do meu trem. Assim como naqueles dias os e-mails que eu recebia nunca eram os teus, as ligações não eram tuas e os torpedos idem. Eu pensava que nós nos esbarraríamos providencialmente, mas não passava de um sonho tosco de um moleque de dezessete anos sem maturidade, sem consciência.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Senhores passageiros do metrô, informamos que nossas atividades terminarão em dois minutos. Lembrem-se de que o serviço é garantido apenas até meia noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eco na minha cabeça quase-fantasma. Não sei se parei de cantar. O relógio indicava meia noite e meia. Achei que estivesse tudo perdido. Quis falar com os meus colegas de angústia, mas não sei se eles queriam ser incomodados. Olhei para o céu, este céu que não tem estrelas, para a Lua, quase coberta por uma nuvem censora cor de carne. Será que as estrelas ficam angustiadas? Será que...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Informamos o término das atividades comerciais do metrô. Lembrem-se de que o serviço é garantido apenas até meia noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Minha cara incrédula devia soar no mínimo engraçada, o que é uma pena, já que ninguém a viu. Pisei alguns passos em busca de uma orientação magnética. Nada me puxou. Meus colegas continuaram. Pus as mãos nos bolsos traseiros. Olhei para o horizonte iluminado artificialmente. Pensei angustiado nesse meu amor irreversível. Mas, diferente de você, o trem veio, e eu fui pra casa confortavelmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-406663894763691619?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/406663894763691619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=406663894763691619&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/406663894763691619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/406663894763691619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/amor-irreversivel.html' title='Amor irreversível.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-9191446357510034624</id><published>2009-12-23T10:26:00.000-08:00</published><updated>2009-12-23T10:31:41.948-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primavera abacate francesismos posar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'>O texto das dezesseis horas.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas eu te espero na porta das manhãs, porque o grito dos teus olhos é mais e mais e mais, e depois que você partiu, o mel da vida apodreceu na minha boca.&lt;/span&gt;&lt;span style="display: block;" id="formatbar_Buttons"&gt;&lt;span class="on down" style="display: block;" id="formatbar_JustifyRight" title="Alinhar à direita" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 12);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" alt="Alinhar à direita" class="gl_align_right" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tom Zé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje boicotei mais uma manhã, porque desisti delas -todas muito vulgares, essas manhãs indecentes-, de todas elas -até a obrigação me impedir de boicotá-las novamente. Comi um peixe -hoje eu defendo e piscicultura, única e exclusivamente a piscicultura, pelo fato de eu temer um dia ser comido por um peixe-, e o macarrão tinha muito óleo de oliva. Não tinha bebida, mas em contrapartida pus o Pucho &amp;amp; His Latin Soul Brothers pra tocar, pra parecer um pouco mais chique (embora uma pessoa com geografia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;zê-életista&lt;/span&gt;, "anômala" sexualmente e com um gramado na cabeça esteja bem longe de se encaixar em uma esteriotipação "chique" -&lt;span style="font-style: italic;"&gt;yes&lt;/span&gt;! livre de mais um estigma!), e comi pensando em várias coisas que logicamente eu não lembro mais. Li uma resenha sobre o Graciliano Ramos, um resumo feito pela minha mãe sobre planos anti-inflacionários no Brasil, e já me dei por vencido. Peguei um livro de História do Brasil, outro de História Geral, um chamado Mercado Financeiro, e percebi que nas minhas atuais circunstâncias eu não conseguiria lê-los sem ser acometido por um feroz sono. Lembrei de uma música do Tom Zé, que me lembrou mais uma vez o Daniel. Aqui faz um calor absurdo e o meu nariz irritado 'tá me irritando com sucesso. Quero tomar um banho que não vai me limpar, porque eu já estou limpo. O Jackson me ligou, espero que ele não se importe com o meu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;new diesel green hair&lt;/span&gt;. Foda-se se ele se importar, eu não vou casar com ele mesmo. Acho que o Francisco desaprovaria o meu cabelo novo, porque ele é muito sério. Mas foda-se também; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desculpe baby, eu vou viver mais pra mim, eu vou correndo buscar a glória&lt;/span&gt;. Viciei em um estilo de música, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eletro-jazz&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eletro-samba&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eletro-bossa&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eletro-soul&lt;/span&gt;, achei extra-&lt;span style="font-style: italic;"&gt;easygoing&lt;/span&gt; pra estudar, melhor do que o Ravel, o Gershwin e o Debussy que eu 'tava ouvindo antes. Talvez eu esteja me boicotando, mas se o tio Freud 'tivesse aqui eu virava pra ele e rispidamente diria logo que "ó, tio! eu quero tomar banho sim e acabou!", ao que ele estupefato viraria as costas e sairia pra dar uma cheiradinha, já que nunca soube falar português -blefe. E pra quem é partidário dele, estou aqui desafiando: quero que vocês me impeçam agora de ir tomar um banho!&lt;br /&gt;Vocês acham mesmo que conseguem? Bando de impotentes!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-9191446357510034624?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/9191446357510034624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=9191446357510034624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/9191446357510034624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/9191446357510034624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/o-texto-das-dezesseis-horas.html' title='O texto das dezesseis horas.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-3128601579965900076</id><published>2009-12-23T08:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-23T08:12:38.908-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores primaveris desgastados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primavera abacate francesismos posar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><title type='text'>O texto das quatro horas.</title><content type='html'>É na madrugada indiferente, e por isso inexoravelmente tolerante, que eu pretamente saio, com meu cabelo verde e meu capacete dourado, após uma maratona de leitura sobre geopolítica (um "estudar" entre aspas, devido ao grande número de digressões mentais de fundo virtual, armadilhas que o hipertexto e a obrigação do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt; nos prega), acompanhado do meu alazão, grã-Heloísa, amiga minha há um ano e meio.&lt;br /&gt; Como são amigas minhas essas ruas, apesar dos demais aventureiros motorizados -ai! eu odeio dividir espaço!- que também por elas vagam, feito eu, um retardo mental voluntário, pelas quatro horas da manhã, sob este céu que não tem estrelas. Divisa da Água Rasa, Anália Franco, até a boquinha da Vila Formosa, essas artérias cujos nomes eu sempre esqueço, e que pra mim só têm utilidade quando eu as "domino" -sim! entre aspas, porque jamais passará de apenas sensação-, preenchendo o impreenchível com a minha voz rouca de quatro semanas (e portanto um mês) com as melodias do Ivan Lins que eu tanto gosto -mas é porque o meu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mp4 player&lt;/span&gt; fatalmente mudou de dono.&lt;br /&gt; E que prazer esse meu agora, escrevendo este texto sem valor estético algum, com a companhia invisível do Ennio Morricone, nesta escrivaninha desarrumada como a minha cabeça, e eu até penso que sou mais feliz do que pensava -mas isso é um pensamento de aluguel, já sei da perenidade &amp;amp; perpetuação da minha felicidade! Ontem, enquanto meu cabelo deixava de ser castanho para se tornar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;diesel green&lt;/span&gt;, fixei meus olhos nos olhos da minha amiga Daniela e disse-lhe com uma firmeza de fundamentalista, que certamente o nosso futuro ia ser muito legal, e isso era absolutamente certo -o oposto seria insólito.&lt;br /&gt; Quero concluir isto agora. Amanhã tem mais Economia, e História, e Literatura, e talvez à noite eu vá ao cinema com o Jackson, assistir a um filme muito ruim do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cinemark&lt;/span&gt;, mas é só porque ele vai pagar -pelo menos eu espero. Acho que vou salvar este texto, agora às quatro e quarenta e oito -segundo o horário psicopata deste meu PêCê psicopata-, e ir me olhar no espelho, e talvez eu até sorria.&lt;br /&gt; Talvez nada, eu vou sorrir e acabou!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-3128601579965900076?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/3128601579965900076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=3128601579965900076&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3128601579965900076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/3128601579965900076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/o-texto-das-quatro-horas.html' title='O texto das quatro horas.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-8963558499568314710</id><published>2009-12-21T20:26:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T20:30:00.388-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inverno-anomalia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impermeável'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cores que pediram a conta do analista'/><title type='text'></title><content type='html'>Nem sei se eu publicava isto aqui. Mas depois eu pensei que, como o meu blogue tem apenas três leitores (isso surpreendendo todas as expectativas), que apesar de três são suficientemente qualitativos, não havia porquê de não publicar.&lt;br /&gt; Esta poesia eu a escrevi faz um certo tempo, alguns meses, e como eu não sei onde está o caderno onde escrevi mas a sei de cor, não me preocupei com a data. Foi conversando agora há pouco com a Heloísa (andando com ela no bairro vizinho chamado Anália Franco, que estatisticamente é um dos que mais concentra capital aqui na zona leste -igual ao meu!), e contrariado em "ter que ler" o Vinícius de Moraes, que decidi colocar isto aqui, elegendo como mote deste impulso o meu descontentamento com o &lt;i&gt;poetinha&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt; Eu vou dedicar isto aqui à Luciana, porque eu 'tô com saudade dela! Perdão antecipado pelas generalizações e pelos anacolutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Carta a uma rola.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga, não quero que me condenes&lt;br /&gt;Pelas minhas opções, e nem quero que você&lt;br /&gt;Me siga, afinal, se eu tenho um pênis,&lt;br /&gt;Não quero ouvir sermões, eu só quero é foder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um cara bem didático, só um cara bem didático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na Bíblia, que se eu sou um pederasta&lt;br /&gt;Eu vou pro Inferno, já que eu não vou para o Céu.&lt;br /&gt;Oh! Minha filha, eu não sou iconoclasta:&lt;br /&gt;Chega perto, tira logo esse chapéu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou beijar a tua cabeça!&lt;br /&gt;Eu vou beijar a tua cabeça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nenhuma poesia fecha, é tudo aberto, o sangue, as unhas flecham... Onde estão os anjos, onde está você?)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-8963558499568314710?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/8963558499568314710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=8963558499568314710&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8963558499568314710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/8963558499568314710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/nem-sei-se-eu-publicava-isto-aqui.html' title=''/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-1091375396082338866</id><published>2009-12-20T20:21:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T20:26:22.941-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='domingos na vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><title type='text'>Domingo em mim.</title><content type='html'>E estou acordado, caindo neste abismo porque perdi teus braços, e agora sem eles não tenho mais em que segurar. Não posso mais ouvir Radiohead sem pensar em você. Não posso mais ouvir o Yann Tiersen sem lembrar das noites nas quais tentamos ver o Amelie Poulain. Não vou mais ir ao Habibs sem lembrar daquelas madrugadas famintas. Hoje à noite, cansado de tanto ler -e esse vestibular só não é mais chato do que o Vinícius de Moraes- fui ao parque Sampaio, porque a minha bicicleta chamada Heloísa e eu queríamos espairecer, e os meus vizinhos estavam felizes e sonoros demais para a minha vaidade. Senti falta do meu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mp4 player&lt;/span&gt;, que eu perdi há duas semanas, porque ele era parte da minha terapia (e eu sou viciado apenas em chá gelado, em pessoas e em música -roer as unhas, confesso, vocês sabem, é outro vício), e não tenho muito com o que relaxar ultimamente. E no parque, que estava especialmente vazio hoje (as pessoas do meu bairro estão acampando nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shoppings&lt;/span&gt; -e domingo é o dia onde o êxodo tem sido mais violento) tive medo, vi algumas estrelas perdidas entre as copas negras das árvores cansadas de tando tédio dominical -como eu-, que só deviam estar ali de passagem, migrando pra algum lugar importante, como Porto Alegre ou Punta Del Leste. A escuridão sufocou o meu coração vazio, já que ele estava mais oco e solitário do que todas aquelas sombras teimosas, mais insistentes que a impotente iluminação do parque. Em um instante pensei que a minha disposição havia caído da bicicleta e escorregado para o bordo daquelas vias precárias. Mas era mentira, deixei minha disposição em seu apartamento naquele domingo insólito, e fui sem rosto (tal como uma pintura metafísica do De Chirico) para o parque do Ibirapuera encontrar com os meus amigos. O parque Sampaio continuava vago, como a minha vida, e eu lembrei de tudo, do domingo, do Habibs, do Yann Tiersen, do Radiohead e, minha nossa, eu não tenho motivos para gostar assim dessa banda, mas eu às vezes a ouço, e às vezes ouvindo lembro de você, e lembrando de você não sei se quero sorrir, chorar, lembrar ou esquecer -talvez o meu problema seja querer fazer os quatro simultaneamente. Então eu fechei os meus olhos porque a brisa da noite ia limpar a minha alma, mas concomitante a isso Heloísa (acompanhada da minha estupidez maníaca) me levou para a direção errada e eu caí no bordo, que estava lama pura. De fato, minha disposição não estava lá, só havia lama, mas eu a confundia com a minha própria matéria, porque eu estou derretendo, eu estou acordado e caindo neste abismo, e é por isso que eu flutuo de medo e angústia nesse domingo. É porque eu ainda não atingi o solo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-1091375396082338866?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/1091375396082338866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=1091375396082338866&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1091375396082338866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/1091375396082338866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/domingo-em-mim.html' title='Domingo em mim.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-4592442494062389247</id><published>2009-12-20T13:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T13:22:38.228-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que poeira leve...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'>Ação metabólica.</title><content type='html'>Uma pirataria cega o guiava, porque tinha olhos de roubar, mas eram líquidos e traziam uma impotência desesperada à visão.&lt;br /&gt; Emergencial, como o azul do céu.&lt;br /&gt; Uma vontade sorvetante e carente, porque era fria e seca, chupava tudo à sua volta, as paredes de concreto, as placas de acrílico, as superfícies de alumínio, cortadas pelas estacas dos homens, feitos de corações rasgados e exaustos -essa é a magia da cidade.&lt;br /&gt; Um amor perigoso disputava locação com aquele ar abafado, que não conhece a liberdade nem nunca pagou a conta do analista.&lt;br /&gt; Senhoras sentadas em estrelas ministravam as lições do rebanho, era hora de se ficar quieto, no sofá, quie-ti-nho! Mas eu não me preocupava com a lei, quem faz meu carnaval sou eu (percebo agora o real significado desse lema, que é: não dou a mais ninguém o direito de cavar meu próprio túmulo).&lt;br /&gt; O motorista governava a grande minhoca metálica, nessas pulsações elétricas que dão origem àquela sensação que só quem mora neste lugar que não tem estrelas sabe o que significa. Esse magnetismo da morte, que a gente adora, porque aprendeu a apreciar esse perfume de dióxido de carbono, descobriu o prazer de se banhar nessa bacia de chuva ácida (com direito a indisposições estomacais autoimunes), e se doutrinou com a filosofia de pensar da cidade, andando sempre naquela velocidade das informações, achando que é feliz por navegar nesta nave imunda, esse cometa chamado estresse.&lt;br /&gt; E, nessa noite, as senhoras sentadas em estrelas comunicavam aos brasileiros o que fazer amanhã, e eu viajava, e seus olhos de roubar, apesar de líquidos e de trazerem uma impotência desesperada à visão (emergente como o azul do céu), chupava tudo à nossa volta, todas as coisas concretas -aquelas feitas por homens de corações rasgados e exaustos- e todos as minhas vontades sangrentas e cósmicas, minhas cores e as minhas covinhas e todos os seus dezessete anos de sorrisos e afetos.&lt;br /&gt; Descobri-me dentro de um túnel, que eu não sei se era de aço e concreto ou se simplesmente eu fora hipnotizado, e eu não sabia no fim do caminho que tipo de abismo eu encontraria (a minha convicção apenas me fazia acreditar de que sim! tratava-se de um abismo).&lt;br /&gt; O ar abafado ainda disputava aquele amor perigoso, emanado por ele. Devia ser alguma ação metabólica, ele substituía tudo por aquele cheiro de paixão conveniente, devia ser como respirava.&lt;br /&gt; Enfim, sorri. Olhei para ele e então abri a minha boca, ainda seca de solidão, notei que o túnel expirara e agora uma luz de coisa fechada enchia o ambiente. Visualizei em letras comerciais a palavra "Sé", então conformei-me com a logística dos homens, desci do trem e esqueci dele para pensar em outra coisa qualquer, que certamente preencheu o meu intelecto com mais competência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-4592442494062389247?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/4592442494062389247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=4592442494062389247&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4592442494062389247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/4592442494062389247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/acao-metabolica.html' title='Ação metabólica.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-6699686989175207508</id><published>2009-12-20T07:38:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T07:42:14.075-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor irreversível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='senhoras sentadas em estrelas'/><title type='text'>Delírio existencial.</title><content type='html'>É a coisa que os homens fazem, transformar tudo em poesia o tempo inteiro, embora todos eles neguem. Quando olho pr'este céu que não tem estrelas, ou espremo a minha vista tentando conquistar as tantas paredes precárias deste meu bairro de mentira, é que não tem nada mais nessas coisas que eu procure que não seja poesia, pra abastecer meu coração de energia. Quando dissimulo afeto (ou simplesmente me envolvo) por uma aranha que mora na janela do banheiro, busco poesia, e quando me deixo levar pela pseudo-rebeldia implícita nas moléculas etílicas de um bombeirinho (pr'arranjar pretexto para dizer às pessoas aquilo que eu não tenho motivos para falar quando eu estou sóbrio) busco poesia, e quando eu me sinto sozinho, abstêmio de amor, é nela que me refugio, a ponto d'eu não conseguir mais saber diferenciar o que é real do que é poético, o que é sonho do que é palpável, o que é sensato do que é invisível.&lt;br /&gt; Acho que estou entrando em outra dimensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Samanta está viva! Cuidando da prole. Confesso, estou com um receio (bobo, talvez) de ter minha casa infestada por suas descendentes...&lt;/span&gt;]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-6699686989175207508?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/feeds/6699686989175207508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=80833186806246093&amp;postID=6699686989175207508&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6699686989175207508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/80833186806246093/posts/default/6699686989175207508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nietszchepsychedelicisland.blogspot.com/2009/12/delirio-existencial.html' title='Delírio existencial.'/><author><name>neTrop!k@lista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17744443193843542593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_o65wlqXx_ZA/Sw8_rd9OJvI/AAAAAAAAAEU/thw8HbRpE7M/S220/eros.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-80833186806246093.post-9079314090219091830</id><published>2009-12-18T09:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T09:22:17.860-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esgoto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cloaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suruba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignóbil'/><title type='text'>Di-Agressões Avulsas.</title><content type='html'>Nem sei por onde começar.&lt;br /&gt; Os textos longos ninguém os lê mais! Li uma crítica esses dias no &lt;a href="http://bloglog.globo.com/jeanwyllys/"&gt;blogue do Jean Wyllys&lt;/a&gt; sobre esse fenômeno da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;twitterização&lt;/span&gt;, de como hoje as informações têm que se &lt;s&gt;prostituir&lt;/s&gt; adaptar a espaços cada vez mais curtos de difusão. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;twitter&lt;/span&gt; seria o símbolo da cristalização desse processo, responsável por tornar o texto curto, com déficit de qualidade, como o padrão ideal de jornalismo. Daqui a algum tempo, pelo visto, os jornais virarão zines, a TV Minuto será transmitida na TV aberta, as músicas terão vinte segundos de duração (como as músicas no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;grindcore&lt;/span&gt; já têm), as semanas virarão dias e as noites serão perenes, já que o dia será abolido para se economizar luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não sei se estou com remorso. Sei que eu não posso me sentir confortável depois de tantas richas que eu e a minha amiga Samanta, que mora na janela do banheiro, tivemos. Hoje, durante o banho, soprei-lhe para ter certeza de que estava viva, como sempre o faço, e notei que desta vez não se mexeu, mas em contrapartida, de uma bolsa cinza trocentas samantazinhas saíram correndo assustadas (mais ou menos parecido com o horário de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rush&lt;/span&gt; do metrô). Concluí que, oh!, sim, o milagre da vida, que na verdade não é um milagre mas sim um evento logicamente previsto, desta vez teve como cenário a janela do meu banheiro. E agora eu não sei se a Samanta foi pro céu, não conheço a vida das aranhas.&lt;br /&gt; Mas eu sempre pensei que elas botassem ovinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fiquei em dúvida se punha a minha bermuda quadriculada, que é quadriculada mesmo eu não sendo um bom jogador de damas ou xadrez. Mas felizmente eu saí da dúvida e pus uma bermuda lisa, que tinha mais a ver com a camisa que eu ia usar.&lt;br /&gt; Ponto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/80833186806246093-9079314090219091830?l=nietszchepsychedelicisland.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='ap
